O Secretário Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, participou, na manhã desta quinta-feira, na sessão de abertura da 6.ª edição da formação “Património Cultural Imaterial: Ver de perto para contar certo”, iniciativa promovida pela Direção Regional da Cultura.
Na sua intervenção, o governante destacou a relevância da iniciativa, que tem vindo a despertar um crescente interesse em torno do património cultural imaterial. Segundo afirmou, esta área constitui uma prioridade definida pelo Governo Regional, que criou uma estrutura específica para aprofundar o trabalho nesta matéria, nomeadamente a Divisão de Estudos do Património, integrada na Direção de Serviços do Património Cultural da Direção Regional da Cultura.
Durante a sessão, Eduardo Jesus sublinhou que o património cultural imaterial apresenta características próprias que exigem uma abordagem específica. “Este é um património que não se guarda em museus, nem se coloca no arquivo regional, nem numa biblioteca”, afirmou, explicando que essas particularidades exigem processos de recolha, inventariação e descrição realizados com rigor.
O governante referiu também que é cada vez mais frequente surgirem, junto das comunidades, sugestões de manifestações culturais que possam vir a ser consideradas património imaterial. Para Eduardo Jesus, essa valorização do que é próprio de cada localidade é positiva, mas deve ser acompanhada por um processo técnico estruturado e reconhecido internacionalmente para que essas manifestações possam obter o devido reconhecimento.
A formação que decorre ao longo de dois dias pretende precisamente aprofundar o conhecimento sobre esses procedimentos, abordando os conceitos e domínios do património cultural imaterial definidos pela Convenção da UNESCO de 2003, bem como metodologias de estudo e documentação destas manifestações culturais.
Durante a sua intervenção, o secretário regional referiu ainda alguns processos de inventariação e candidaturas ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, que estão atualmente em desenvolvimento ou em preparação, muitos deles em colaboração com diversas entidades regionais.
Entre os exemplos mencionados, salientou a candidatura da Procissão das Cinzas, em Câmara de Lobos, ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, a cargo da Direção Regional da Cultura. Para além disso, tem também prestado apoio técnico, científico e metodológico a outras candidaturas, em colaboração com diferentes entidades locais, como é o caso da Romagem de São Pedro da Lombada de Santa Cruz, promovida pela Câmara Municipal de Santa Cruz; os Saberes e Técnicas da Calçada Madeirense, candidatura promovida pela Câmara Municipal do Funchal; e a Festa dos Fachos, iniciativa da Associação Cultural e Recreativa do Facho da Ladeira.
Foi também referido o processo relativo aos Processos de Produção do Vinho Madeira, candidatura liderada pela Universidade da Madeira e que conta com o apoio da Direção Regional da Cultura.
Além destas iniciativas, Eduardo Jesus mencionou ainda outras manifestações culturais já identificadas e sinalizadas para eventual registo, como a Festa de Nossa Senhora da Piedade, no Caniçal; as Missas do Parto; a prática da Charamba no arquipélago da Madeira; o saber-fazer dos Palmitos no Porto Santo; a arte e o saber do Bordado da Madeira; a Obra de Vime; e as charolas da festa do Espírito Santo no Arco da Calheta.
Para o governante, a realização de formações como esta permite reforçar o conhecimento e o rigor necessário na preparação de candidaturas ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, envolvendo técnicos, associações e comunidades neste processo.
Eduardo Jesus sublinhou que ainda que com esta formação cada participante irá certamente desempenhar um papel relevante na valorização deste património, contribuindo para o fortalecimento da identidade cultural da Região Autónoma da Madeira.