A Madeira está a reforçar, de forma continuada, a rede de caminhos florestais enquanto instrumento fundamental para a prevenção e o combate aos incêndios rurais e florestais. Até ao momento, o Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN) já assegurou, através dos seus meios próprios, a beneficiação de cerca de 60 quilómetros de caminhos florestais em vários concelhos da Região, dos quais aproximadamente 20 quilómetros estão localizados no concelho da Calheta.
A intervenção integra a política de Defesa da Floresta Contra Incêndios (DFCI) do Governo Regional e responde a uma necessidade concreta: garantir melhores condições de acesso à floresta, quer para as operações de gestão e manutenção dos espaços florestais, quer para as ações de prevenção, vigilância e combate em caso de incêndio.
O secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, acompanhou no terreno os trabalhos desenvolvidos pelo IFCN, juntamente com a equipa do Instituto de Florestas e Conservação da Natureza, tendo destacado precisamente a importância destas intervenções para aumentar a segurança da floresta madeirense perante o risco de incêndio. “Estamos a falar de caminhos que têm uma importância muito concreta na prevenção e no combate aos incêndios. Quanto melhor for o acesso à floresta, maior é a nossa capacidade de atuar, de vigiar, de prevenir e, quando necessário, de responder rapidamente”, sublinhou Eduardo Jesus.
Para o governante, a manutenção da rede viária florestal deve ser encarada como uma componente essencial da estratégia regional de proteção da floresta. A limpeza e beneficiação dos caminhos não representam apenas uma melhoria das condições de circulação: permitem também criar e manter faixas de descontinuidade de combustível e facilitar a intervenção dos meios no território.
“Este trabalho traduz-se em mais segurança. Segurança para a floresta, para os espaços naturais e para a população, porque estamos a garantir que existem condições para uma intervenção mais eficaz perante um incêndio”, afirmou.
Intervenção chega aos vários concelhos
A beneficiação dos caminhos florestais está a ser concretizada de acordo com o planeamento anual do IFCN e em articulação com as autarquias locais. A definição das prioridades tem em conta a importância de cada área para a gestão florestal e a necessidade de reduzir o risco de incêndio.
Dos cerca de 60 quilómetros já intervencionados através de meios próprios do Instituto, aproximadamente um terço corresponde a caminhos localizados no concelho da Calheta, onde foram beneficiados cerca de 20 quilómetros.
Estas intervenções permitem recuperar e melhorar condições de circulação em áreas florestais, assegurando acessos que assumem particular relevância para as equipas responsáveis pela gestão do território e para os meios de prevenção e combate aos incêndios.
A estratégia não se esgota, contudo, nos trabalhos já realizados. O IFCN encontra-se numa fase adiantada do procedimento de contratação que permitirá avançar, ainda durante 2026, com a beneficiação de mais 135 quilómetros de caminhos florestais.
Trata-se de um reforço significativo da capacidade de intervenção na rede de acessos à floresta, permitindo ampliar a área abrangida por trabalhos de manutenção e beneficiação e, simultaneamente, libertar os meios próprios do IFCN, IP-RAM para outras operações consideradas prioritárias.
“Estamos a reforçar a capacidade de intervenção e a garantir que os recursos do IFCN podem ser utilizados onde são mais necessários. Ao mesmo tempo que avançamos com esta contratação para mais 135 quilómetros, os meios próprios do Instituto ficam disponíveis para outras ações de manutenção, beneficiação e gestão florestal”, explicou Eduardo Jesus.
Cerca de 200 quilómetros intervencionados todos os anos
A intervenção atualmente em curso insere-se num trabalho que o IFCN desenvolve de forma permanente. Em média, o Instituto promove todos os anos a limpeza e beneficiação de cerca de 200 quilómetros de caminhos florestais na Madeira.
Este esforço continuado é particularmente relevante num território com uma forte componente florestal e com uma orografia que torna indispensável a existência de uma rede de acessos devidamente mantida.
Os caminhos florestais desempenham múltiplas funções. São importantes para a gestão sustentável da floresta, permitem o acesso das equipas às diferentes áreas do território e assumem um papel decisivo na prevenção, vigilância e combate aos incêndios. A sua manutenção contribui ainda para assegurar faixas de descontinuidade de combustível, reduzindo a continuidade da vegetação em determinadas áreas e criando melhores condições para a intervenção.
A aposta na conservação desta rede permite, assim, conjugar a valorização do património florestal com uma política ativa de prevenção de riscos.
“Não podemos olhar para a floresta apenas quando ocorre um incêndio. A prevenção faz-se durante todo o ano, através de um conjunto de ações concretas, e a manutenção dos caminhos é uma delas. É um trabalho que pode não ter a visibilidade de outras intervenções, mas que é absolutamente essencial para a segurança”, salientou o secretário regional.
A estratégia de Defesa da Floresta Contra Incêndios assenta, desta forma, numa intervenção permanente e antecipada. A limpeza e beneficiação dos caminhos permite melhorar os acessos e as condições de circulação, mas também criar melhores condições para que as equipas possam chegar a diferentes pontos da floresta e atuar de forma mais célere.
É essa capacidade de antecipação que o Governo Regional pretende reforçar através do trabalho desenvolvido pelo IFCN.
A intervenção nos caminhos florestais assume ainda uma dimensão de gestão do território, na medida em que permite apoiar outras ações de conservação, manutenção e valorização dos espaços florestais. A existência de acessos em boas condições é indispensável para que essas operações possam ser realizadas com maior eficácia e segurança.
O trabalho desenvolvido pelo IFCN é realizado em colaboração com as autarquias locais, permitindo adequar as intervenções às necessidades identificadas no território e concentrar esforços nas zonas consideradas mais relevantes para a gestão florestal e para a mitigação do risco de incêndio.
“Cada quilómetro de caminho que conseguimos recuperar ou beneficiar representa uma melhoria das condições de acesso e, por isso, uma melhoria da nossa capacidade de prevenção e resposta. É este trabalho persistente, feito no terreno e ao longo de todo o ano, que nos permite estar mais preparados”, concluiu Eduardo Jesus.
A beneficiação da rede de caminhos florestais constitui, assim, uma das componentes da estratégia regional de proteção da floresta, contribuindo para uma Madeira mais preparada perante o risco de incêndio e para uma gestão mais eficaz e sustentável do seu património florestal.