A prevenção do cancro da mama não cabe apenas nos números, nas estatísticas ou nos exames de rotina. Faz-se de histórias, de afetos e da capacidade de transformar a incerteza em esperança. Foi este o tom do encontro ‘Conversas em Rosa’, promovido pela Direção Regional da Cidadania e dos Assuntos Sociais no âmbito do ‘Outubro Rosa’.
A secretária regional de Saúde e Proteção Civil, Micaela Fonseca de Freitas, juntou-se ao encontro para partilhar uma reflexão profunda sobre o papel que as mulheres desempenham na sociedade e a forma como tantas vezes adiam o próprio cuidado. Habituadas a cuidar de tudo e de todos, da família, do trabalho, da casa, muitas mulheres acabam por deixar a sua própria saúde para segundo plano, como se parar para olhar para si fosse um luxo que pode esperar.
A governante sublinhou que parar para escutar o próprio corpo é um ato elementar de responsabilidade e de amor. Lembrou que, quando detetado precocemente, a probabilidade de cura do cancro da mama ultrapassa os 90%, apelando a que nenhuma mulher ignore as convocatórias para o programa de rastreio gratuito que a Região assegura há quase três décadas.
A iniciativa juntou vozes de diferentes áreas para olhar para a saúde feminina sem tabus. Com moderação de Isabel Silva, presidente da Mesa da Assembleia Regional da Ordem dos Enfermeiros, o painel reuniu a médica radiologista Mónica Armas, coordenadora do Rastreio do Cancro da Mama da RAM; Clara Conde, vice-presidente do Conselho Regional da Ordem dos Advogados; a maquilhadora e hairstylist Mary Carfora; e Helena Toste Silva, secretária-geral do Núcleo Regional da Liga Portuguesa Contra o Cancro, que emocionou os presentes ao partilhar o seu testemunho na primeira pessoa enquanto sobrevivente da doença.
Do direito à dignidade da doente à importância do bem-estar e da imagem pessoal na recuperação da autoestima, a conversa mostrou que ter um diagnóstico não significa parar de viver. Pelo contrário, reforçou a necessidade de uma rede de apoio sólida e humana, entre profissionais de saúde, instituições de solidariedade, famílias e amigos, capaz de amparar quem atravessa este caminho e de provar que há sempre vida, sonhos e futuro para além da doença.
A sessão de encerramento esteve a cargo da Secretária Regional de Inclusão, Trabalho e Juventude, Paula Margarido.