Os apoios compreendem 6,7 milhões de euros para o SI Transportes, destinado às empresas industriais de exportação, e 24 milhões de euros para um sistema de incentivos de apoio a outros custos de funcionamento, precisou o governante, na intervenção no Salão Nobre do Governo Regional da Madeira.
“São mais de 30 milhões de euros que constituem apoios importantes no momento em que empresas e famílias pagam a dolorosa fatura do aumento do preço dos combustíveis”, afirmou José Manuel Rodrigues, assinalando que a abertura das candidaturas concretiza uma promessa do Governo Regional da Madeira.
O secretário regional enquadrou estes instrumentos na necessidade de reforçar a capacidade produtiva e a internacionalização das empresas madeirenses, sublinhando que a insularidade e a distância dos principais centros de consumo condicionam a competitividade, mas não devem limitar a ambição empresarial.
“A condição insular introduz condicionantes que as empresas têm de saber integrar nas suas decisões. Não determina, porém, o alcance que a sua atividade pode vir a alcançar”, declarou.
José Manuel Rodrigues advertiu que a qualidade dos produtos regionais não garante, por si só, o sucesso nos mercados externos, sendo necessário conhecer os consumidores, identificar canais de distribuição, avaliar os custos logísticos e assegurar a regularidade do fornecimento.
“Não basta defender que devemos exportar mais. É necessário compreender o que impede determinadas empresas de o fazer, onde se encontram afinal as dificuldades e que instrumentos podem efetivamente contribuir para as ultrapassar”, sustentou.
O programa Madeira Goods Go Global resulta de uma parceria entre a Madeira Parques Empresariais (MPE), tutelada pela Secretaria Regional da Economia, e a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), através da Academia AICEP, com especial incidência nas empresas dos setores alimentar e das bebidas.
Na apresentação, o presidente da MPE, Gonçalo Pimenta, revelou que 17 das 24 empresas identificadas nos parques empresariais como estando a iniciar ou a reforçar processos de exportação ou internacionalização aderiram à iniciativa, o que corresponde a uma taxa de participação de 70,83%.
O responsável explicou que o programa integra uma sessão presencial e uma componente de formação ‘online’, inteiramente gratuita para as empresas inscritas, organizada em seis módulos de duas horas cada.
Exportação, marketing internacional, logística, participação em feiras internacionais, práticas ambientais, sociais e de governação e financiamento e apoios à exportação são os temas abrangidos pela formação, assegurada por uma rede de formadores e especialistas disponibilizada pela AICEP.
Já o administrador executivo da AICEP, Paulo Rios, destacou a orientação prática do programa e o objetivo de disponibilizar ferramentas ajustadas à realidade das empresas madeirenses, reconhecendo os custos de contexto acrescidos que enfrentam.
“Não trouxemos uma conferência, trouxemos uma ação de capacitação”, afirmou, defendendo que os conhecimentos transmitidos devem traduzir-se em vantagens concretas para os negócios e apoiar os respetivos processos de internacionalização.
O encontro constituiu também uma oportunidade para conhecer boas práticas de empresas madeirenses que se associaram ao evento.