A Região Autónoma da Madeira reforçou, nos dias 24 e 25 de junho, o seu papel na cooperação internacional em matéria de segurança alimentar ao acolher o Fórum Internacional «Segurança Alimentar Associada a Produtos de Pesca e Aquicultura e Literacia das Populações», promovido pela Direção Regional da Saúde no âmbito do projeto europeu SANIFISH. A iniciativa reuniu especialistas nacionais e internacionais, investigadores, profissionais de saúde, representantes de entidades públicas e agentes dos setores da pesca e da aquicultura, consolidando a Madeira como um espaço de cooperação científica e institucional na promoção da segurança alimentar e da literacia das populações.
Inserido numa parceria internacional que envolve instituições de Portugal, Espanha, Mauritânia, Senegal, Cabo Verde, Gana e Costa do Marfim, o Fórum constituiu um dos momentos centrais do projeto SANIFISH, promovendo a partilha de conhecimento, o intercâmbio de boas práticas e a reflexão sobre os desafios atuais associados aos produtos da pesca, numa abordagem integrada que reuniu saúde pública, investigação, setor produtivo e administração pública.
Na sessão de abertura, a Secretária Regional de Saúde e Proteção Civil, Micaela Freitas, destacou que os produtos da pesca e da aquicultura desempenham um papel fundamental na alimentação humana pelo seu elevado valor nutricional, defendendo que «quando aliamos sistemas de produção seguros a populações informadas e conscientes, criamos as condições ideais para proteger a saúde pública e promover hábitos alimentares saudáveis». A governante sublinhou ainda que «ter literacia em saúde significa muito mais do que saber ler rótulos», salientando que a informação credível e acessível constitui um instrumento essencial para capacitar os cidadãos e apoiar escolhas alimentares mais conscientes.
Ao longo do Fórum foram apresentados contributos científicos que permitiram aprofundar o conhecimento sobre alguns dos principais desafios associados à segurança dos produtos da pesca. A conferência inaugural, proferida pelo Professor Doutor Fernando Real Valcárcel, da Universidade de Las Palmas de Gran Canaria, abordou a evolução da ciguatera na região da Macaronésia, evidenciando os avanços alcançados na vigilância e deteção precoce das ciguatoxinas e a importância da cooperação científica na resposta a riscos emergentes.
A componente científica prosseguiu com intervenções dedicadas aos riscos biológicos, químicos e ambientais associados ao pescado. A Professora Doutora Pilar Foronda, da Universidade de La Laguna, apresentou os principais parasitas de interesse sanitário e as estratégias de prevenção e controlo destinadas a proteger os consumidores. Ricardo Sousa abordou a monitorização de contaminantes em espécies de consumo, enquanto Natacha Nogueira divulgou os resultados de um estudo desenvolvido na Região Autónoma da Madeira sobre a presença de micro-plásticos em espécies comerciais, salientando que a evidência científica atualmente disponível não permite estabelecer uma relação direta entre a sua deteção e um risco para o consumidor, reforçando, contudo, a importância de prosseguir a investigação e a monitorização nesta área. Já Rita Câmara refletiu sobre o impacto da histamina no pescado e na segurança alimentar, defendendo uma resposta integrada e preventiva perante os desafios colocados à cadeia alimentar.
As sessões da tarde centraram-se na valorização da cadeia de valor dos produtos da pesca e da aquicultura e na promoção da literacia das populações, reunindo representantes da administração pública, comunidade científica, setor empresarial e profissionais de saúde. O debate incidiu sobre a capacitação dos diferentes intervenientes da cadeia alimentar, a comunicação do risco e a importância de promover escolhas alimentares informadas. O encerramento científico esteve a cargo da Professora Doutora Carla Lopes, da Universidade do Porto, que apresentou as mais recentes recomendações para o consumo de pescado, reforçando o papel da informação científica na promoção de uma alimentação saudável e segura.
No segundo dia, os parceiros do projeto SANIFISH reuniram-se para avaliar o progresso das atividades desenvolvidas, partilhar resultados e definir as próximas etapas de execução do projeto. Esta sessão de trabalho permitiu reforçar a articulação entre as instituições participantes e consolidar uma estratégia comum de investigação, inovação e transferência de conhecimento.
No encerramento dos trabalhos, a Diretora Regional da Saúde, Bruna Gouveia, destacou o elevado nível científico do Fórum e a forte participação das entidades envolvidas, considerando que a iniciativa constituiu um espaço particularmente enriquecedor pela diversidade de conhecimentos, experiências e perspetivas reunidas. Salientou ainda que o projeto SANIFISH pretende estimular o consumo de pescado através da capacitação da população e dos diferentes intervenientes da cadeia de valor, reforçando continuamente os padrões de segurança alimentar e a confiança dos consumidores.
A realização deste Fórum Internacional reafirma o compromisso da Direção Regional da Saúde com a promoção da investigação, da cooperação internacional e da inovação em saúde pública. Ao reunir especialistas de diferentes áreas e países em torno de desafios comuns, o projeto SANIFISH contribui para o desenvolvimento de políticas públicas sustentadas na evidência científica, reforça a literacia das populações e consolida o posicionamento da Região Autónoma da Madeira como um parceiro ativo nas redes internacionais dedicadas à segurança alimentar.