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Governo reforça em 20% o apoio à comercialização da Anona

Produção já vale 2.7 milhões de euros 25-02-2026 Agricultura e Pescas
Governo reforça em 20% o apoio à comercialização da Anona

O Governo Regional da Madeira decidiu reforçar, por via do POSEI (Programa de Opções Específicas para fazer face ao Afastamento e à Insularidade), o apoio à Anona da Madeira DOP (Denominação de Origem Protegida), medida que está já a produzir efeitos na valorização da cultura e no rendimento dos agricultores.

 

Para 2026, o apoio à comercialização da Anona da Madeira DOP, destinada ao mercado regional, passa de 139,20€ para 167,04€/tonelada, enquanto em Modo de Produção Biológico aumenta de 167,04€ para 200,45€/tonelada, traduzindo uma valorização de 20% em ambos os casos, e uma aposta clara na produção certificada e sustentável.

 

Este reforço surge num momento em que a produção de anona está em franca retoma e deverá atingir este ano as 1.085 toneladas, mais 125 toneladas do que no ano anterior, aproximando-se dos valores de 2020, um dos seus melhores anos, em que foram produzidas 1.461 toneladas de anona.

 

A área dedicada à cultura, que se situava, em 2023, nos 120 hectares, atinge atualmente os 124 hectares. Desses 124 hectares, 4.4ha são em Modo de Produção Biológico, representando um acréscimo de 17,7% face ao ano anterior. 

 

Quanto ao número de agricultores que se dedicam à cultura da anona, há também registo de um crescimento. Em 2015, eram 1.127, porém, entre 2017 e 2025, com a dinamização do Plano Estratégico para a Anona da Madeira, e das ajudas ao investimento disponibilizadas pelo PRODERAM2020, houve um acréscimo de novos produtores, cujo universo é, atualmente, de 1.160 agricultores (+2,9%).

 

Rendimento, cotação e valor da anona em crescimento

 

Em 2025, o valor gerado pela produção de anona (embora estimativo, pois a campanha de 2025 só termina, em princípio, em abril de 2026) poderá atingir os 2.7 milhões de euros, ou seja, +30,5% do que na campanha anterior.

“Este é o caminho que queremos para o setor primário”, revela o Secretário Regional de Agricultura e Pescas.

Para Nuno Maciel, “este é o caminho que temos de trilhar. Produzir mais, na mesma área, com maior rentabilidade e rendimento para o agricultor.”

O governante falava numa ação de formação de podas e tratamentos para esta cultura, em Santana, evento que marcou o arranque das comemorações da Festa da Anona, que terá este fim de semana o seu ponto alto, na freguesia do Faial.

 

Quanto à cotação da anona, apresenta uma tendência crescente, atingindo, neste momento, um valor médio de 2,55€/Kg. Embora a campanha não tenha terminado e os preços ainda possam variar, tudo parece indicar que poderá haver um aumento de 18,6%, em relação à última campanha.

Em linha com os dados de crescimento na produção, no valor e na cotação média, é possível aferir que o rendimento médio dos agricultores também tem sofrido variações em curva de crescimento, passando de 2.066€, em 2019, para os atuais 2.319€ (um aumento de 12,2%).

Trata-se de mais um dado importante para caracterizar o interesse atual suscitado pelo plantio desta espécie fruteira e um sinal de que a anona está caminhando para os níveis de produtividade e rendimento anteriores aos problemas fitossanitários e de natureza fisiológica que atormentaram os seus produtores, principalmente nos anos de 2021 e 2022.

Tal se deveu a condições adversas para a polinização e vingamento natural da espécie, bem como pela aparição de uma praga (“lapa”) difícil de combater, que afetou os pomares, com quebras produtivas significativas.

“Face a estes constrangimentos, os serviços oficiais de agricultura iniciaram toda uma campanha de esclarecimento e formação junto dos agricultores, nomeadamente de apoio técnico à produção, aconselhando-os na aplicação correta de produtos inseticidas para o combate mais eficiente à “lapa”, bem como alertando os produtores para a necessidade de se procederem a polinizações artificiais/manuais, que facilitassem o posterior vingamento das flores”, explica o Secretário Regional de Agricultura e Pescas, Nuno Maciel. O que veio, efetivamente a se refletir num aumento sustentado da produção.

Na altura, o Governo Regional criou um apoio financeiro extraordinário aos produtores de anona para aquisição de equipamento de pulverização, adequado à aplicação de produtos fitofarmacêutico aprovados para o combater a praga e favorecer a nutrição foliar. Esta ajuda particular beneficiou os agricultores, num total de 80 explorações, correspondente a um investimento de cerca de 60 mil euros.

 

Consumo interno absorve totalidade da produção

Em finais de janeiro de 2019, com a entrada em atividade do Centro de Expedição de Anona, acoplado ao Mercado Abastecedor de Santana, dotado de ótimas condições tecnológicas ao processamento desta fruta, a exportação assumiu novos contornos, passando a ser efetuado de forma mais sistemática. Nos dois primeiros anos foram exportadas cerca de 20 toneladas de anona.

No entanto, com as baixas produções verificadas entre 2021 e 2024, pelas razões já explicadas, o mercado regional acabou por absorver toda a anona produzida, pelo que não se verificou expedição para os mercados exteriores.

 

Anona valorizada com Denominação de Origem Protegida

 

Desde junho de 2000, a “Anona da Madeira” é uma Denominação de Origem Protegida (DOP), passando a estar protegida em todo o espaço da União Europeia contra qualquer usurpação, imitação ou evocação, ou qualquer outra indicação falsa ou falaciosa quanto à proveniência, origem, natureza ou qualidades essenciais do produto, como ainda qualquer prática suscetível de induzir o consumidor em erro quanto à verdadeira origem do produto.

 

A produção atual assenta dominantemente em 4 variedades: “Madeira”, “Funchal”, “Perry Vidal” e “Mateus I”, que resultaram de trabalho desenvolvido nos anos 90 pelos serviços da Direção Regional de Agricultura, através do melhoramento genético de anoneiras provenientes de propagação seminal, que apresentavam as melhores características organoléticas, agronómicas e comerciais (sabor, textura da polpa, índice de sementes, época de produção, tamanho dos frutos, etc.).

 

A 19 de janeiro de 2017, as variedades “Madeira” e “Mateus I” foram admitidas ao Catálogo Nacional de Variedades de Espécies Fruteiras, o que além de constituir um reconhecimento dos recursos genéticos para a agricultura e alimentação característicos da RAM, é um importante instrumento para a sua proteção.

 

Embora disseminados por toda a Região, os pomares existentes estão maioritariamente localizados, por ordem decrescente de representatividade, nos concelhos de Santana, Machico, Santa Cruz e Funchal.


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