O Governo Regional prevê apoiar significativamente a «Cebola da Madeira DOP» já este ano, através de uma majoração na ordem dos 44% face à cebola comum. Uma medida que se enquadra na política de valorização das produções regionais certificadas e de fortalecimento do setor agrícola.
Ou seja, através do POSEI esta produção terá um apoio de 167,04 euros à tonelada, podendo atingir os 200,45 euros em modo biológico. Já a cebola comum contará com um apoio de 116 euros.
Informação partilhada pelo secretário regional de Agricultura e Pescas, Nuno Maciel que visitou um produtor de Cebola em Santa Cruz onde se inteirou do atual estado da produção e destacou a importância de diferenciar positivamente os produtos com Denominação de Origem Protegida (DOP).
“Os produtos certificados regionais merecem ter esta diferenciação. É mais uma medida do Executivo para apoiar o agricultor e o sector primário. Vamos manter esta política tal, como já o fizemos em relação ao requeijão e a anona”, referiu o governante.
Outra boa notícia prende-se com a área cultivada que este ano deverá crescer cerca de 2% a que se deve a uma maior confiança dos produtores por avanços no controlo de doenças e um interesse crescente pelo cultivo em novas zonas.
“Apesar dos desafios de 2025 os dados disponíveis mostram um sector que se mantém dinâmico e com sinais de expansão e de valorização económica”, frisou o secretário regional adiantando que os esforços da direção regional ao nível da investigação e do apoio técnico de proximidade serão determinantes para que a produção de cebola possa estabilizar.
Em comparação com 2017, a área cultivada aumentou cerca de 20%, passando de 110 para 131 hectares, enquanto a produção se manteve globalmente estável, o que demonstra a relevância contínua desta cultura no contexto agrícola regional.
No ano passado, e apesar dos esforços da Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural, as condições climáticas adversas, com destaque para a instabilidade do clima, ocorrência de chuvas fora de época, episódios de granizo e variações acentuadas de temperatura, foram determinantes para uma menor produção deste produto. Estes factores contribuíram também para o aparecimento de doenças e pragas, nomeadamente a psila da cebola (Bactericera tremblayi).
Outro problema identificado prende-se com a prática continuada de cultivo no mesmo terreno, sem rotação de culturas, o que levou à degradação das características dos solos e ao aumento da vulnerabilidade das plantações a pragas e doenças.
Assim, a produção registou um decréscimo na ordem dos 25% passando das 3643 toneladas em 2024 para as 2915 em 2025. Contudo, as projeções são animadoras em relação à recuperação desta produção já em 2026.
O concelho de Santa Cruz continua a assumir um papel dominante, concentrando cerca de 82% da área total e 87% das explorações. Destacam-se, em particular, as freguesias do Caniço, com 39 hectares (41%), e Santa Cruz, com 23 hectares (24%). Outras zonas como Camacha, Gaula e até regiões mais recentes como Quinta Grande, Campanário, Ribeira da Janela e Porto Santo têm vindo a registar crescimento, com resultados considerados positivos.
Em termos económicos, o setor gerou 4,84 milhões de euros em 2025, abaixo dos 5,57 milhões registados em 2024 (-13%). Ainda assim, a quebra foi menos acentuada do que a diminuição da produção, devido à valorização do produto. O preço médio subiu de 1,53 €/kg para 1,66 €/kg.
A aposta na conservação em frio fomentada pelo Governo Regional tem também contribuído para reforçar a competitividade do setor. O armazenamento a cerca de 4°C permite prolongar a vida comercial da cebola de três para até seis meses e meio, possibilitando a sua venda em períodos de menor oferta (entre janeiro e abril), quando os preços tendem a ser mais elevados.
Outro segmento em crescimento é o da produção biológica, que apresenta preços entre 1,93 e 2,10 €/kg, cerca de 26% acima da produção convencional, evidenciando um potencial de valorização acrescido.
De registar que os produtores que apostaram na chamada cebola “do tarde” apresentaram menos dificuldades e têm mais sucesso nas suas plantações sobretudo devido às melhores condições climáticas.
Por agora os serviços continuam a desenvolver esforços para preservar variedades tradicionais, contactando produtores do Caniço para a recolha de sementes antigas, com vista à sua multiplicação e disponibilização futura aos agricultores.
Está também em curso um ensaio agrícola num terreno em pousio, com aplicação de nutrição específica e controlo fitossanitário, utilizando sementes da variedade “Bujanico”, fornecidas pela Universidade da Madeira, com o objetivo de reforçar a produção de uma variedade com Denominação de Origem Protegida.