O presidente do Governo Regional agradeceu hoje a todos os trabalhadores da Segurança Social da Madeira pelo trabalho realizado junto da população, sobretudo da mais vulnerável. E relevou a dedicação de todos, deixando uma mensagem especial aos que foram homenageados por terem atingidos os 25 anos de serviço. Falava durante as comemorações do Dia Nacional da Segurança Social, no auditório do edifício do ISSM na Região
Miguel Albuquerque salientou ser importante reconhecermos o trabalho dos outros, «é um sentido de justiça». «Este agradecimento em nome do governo é o reconhecimento do trabalho importantíssimo que vós desempenhastes ao longo destes anos», adiantou ainda.
O governante disse que, normalmente, passamos a vida a discutir os problemas e tomamos poucas decisões. Um introito para lembrar que o «que se está a discutir e continuamos a discutir ao longo destes anos é a sustentabilidade futura da Segurança Social, sobretudo do regime de pensões».
Uma sustentabilidade futura que é colocada em causa por alguns, devido ao aumento médio da esperança de vida (dos melhores, senão o melhor benefício que a humanidade teve nos últimos decénios). «Fala-se no envelhecimento da população como se fosse uma fatalidade ou algo negativo. Não é! Esta é uma conquista fundamental da nossa civilização», disse.
Segundo Miguel Albuquerque, a questão do envelhecimento não é um mau problema, é um bom problema que nós temos. «O aumento da esperança média de vida é algo que nós temos de enfrentar, as nossas sociedades têm de enfrentar e apoiar – de forma ativa e inteligente, e também, obviamente através de outras formas de capitalização da segurança social», defendeu.
O governante recorda que a questão da fertilidade também é apresentada como causa que pode colocar em causa a sustentabilidade do sistema da Segurança Social. Também este problema tem, segundo Miguel Albuquerque, um lado muito positivo: «Antigamente as famílias tinham seis filhos, sete filhos … E tinham porquê? Porque as mulheres não eram emancipadas. Casavam, aos 19 anos, aos 20 anos e tinham uma catrefada de filhos, ficavam subordinadas ao marido, não tinham direitos, não trabalhavam, não viajavam, não tinham formação, não tinham contactos exteriores, não se realizavam profissionalmente».
Para o governante «a questão da redução do número de filhos tem a ver também com algo que é uma conquista de direitos, de igualdade de direitos e de oportunidades entre os homens e as mulheres, o que também não é algo que seja mau». «Também é algo que temos de enfrentar», instou.
Desta forma, lembra que é preciso desmistificar estas fatalidades e também não dar muita importância a estudos acerca da sustentabilidade dos países daqui a 50 anos. «Vocês acham que alguém tem capacidade, na evolução da nossa sociedade como está a ocorrer e na rapidez das mudanças, de prever o que é que vai acontecer aqui a 70 anos?
Ninguém consegue prever nada», questionou, dando de pronto a resposta.
A propósito, recordou que, anos atrás, a sustentabilidade era muito feita com base n uma contabilização dos ativos em função dos números de trabalhadores inativos/reformados. Mas, recorda, «esqueceram-se de um problema: houve uma variável, que é a tecnologia e que acrescenta valor acrescentado à riqueza produzida».
Neste sentido, preconiza que o grande desafio que há, em qualquer sistema, é o aumento da produtividade e da riqueza do país.
«Nós só teremos uma segurança social sustentável se avançarmos e crescemos economicamente. Nós só teremos um sistema de saúde autossustentável se tivermos riqueza para pagá-lo. É um caminho pelo qual temos de enveredar e temos de enveredar. Eu acredito nas novas gerações», advogou, recordando o que dizia na Madeira anos atrás, que aquelas questões seriam um problema, mas a verdade é que «estamos a crescer há quase 59 meses, com crescimento superior ao nacional (e somos uma região insular)».
Portanto, «quando as pessoas se mobilizam no sentido de garantir os objetivos nós conseguimos chegar lá».
Miguel Albuquerque criticou ainda uma Europa que tem um problema de riqueza, ou seja, o PIB da Europa decresceu relativamente aos anos 80. Relativamente aos Estados Unidos desceu mais de 30 por cento. «Neste momento o PIB europeu é de 60 e tal por cento da riqueza criada nos Estados Unidos. E porquê? Devido à incorporação da tecnologia do processo produtivo», sustentou.
Desta forma, considerou que «o valor acrescentado de hoje de uma economia está no desenvolvimento da tecnologia, onde a Europa está substancialmente atrasada em relação aos Estados Unidos».
Apesar disto, defende que «é preciso pensar positivamente: as novas gerações e nós próprios temos os caminhos para garantir a sustentabilidade do sistema e a capitalização do sistema». «Não há dramas, não há dramas», asseverou
Até porque recorda o que se dizia nos anos 70, quando foi criado o Clube de Roma, composto por um conjunto de sábios, que concluiu que a Humanidade, com o crescimento elevado do número de habitantes no mundo, ia passar fome.
«Esqueceram-se obviamente das introduções que foram feitas ao nível da produção alimentar, designadamente da manipulação genética dos alimentos, do aumento da produtividade e da capacidade de a agricultura gerar, de facto, valor acrescentado. E, hoje, o que nós temos em muitas partes do mundo é um excedente alimentar e não a carência alimentar», acrescentou.
Portanto, defendeu, «é preciso pensar positivamente». Até porque, adiantou, não tem nenhuma dúvida de «que a segurança social e o Estado social e as suas funções vão continuar a ser determinantes numa sociedade coesa e numa democracia».
Para depois, acrescentar: «Eu encaro sempre o futuro e também o futuro da segurança social na Madeira com grande otimismo».
Referência ainda para a presença do ex-ministro das Finanças e da Segurança Social, professor António Bagão Félix, nas cerimónias, onde foi o orador principal, com uma conferência sobre “A Questão Social, a Solidariedade e a Ética do Cuidar”. Com o governante a lembrar a estima que tem pelo antigo governante e a qualidade da sua intervenção.
Numa nota final, Miguel Albuquerque concluiu com um novo agradecimento aos trabalhadores da Segurança Social, «a todos», pelo trabalho realizado e pelo apoio aos mais vulneráveis, reiterando o obrigado por tudo o que aqueles têm feito em prol da nossa população.