A Madeira quer transformar a relação de proximidade que mantém com São Tomé e Príncipe numa parceria económica mais intensa, capaz de mobilizar investimento, aproximar empresas e criar novas oportunidades de cooperação entre os dois arquipélagos.
Essa foi a principal mensagem deixada, este sábado, pelo Secretário Regional da Economia, José Manuel Rodrigues, na sessão solene evocativa do 51.º aniversário da Independência da República Democrática de São Tomé e Príncipe, realizada no Funchal, numa cerimónia organizada pela Embaixada são-tomense em Portugal.
Representando o Presidente do Governo Regional, o governante interpretou a realização das comemorações na Madeira como um sinal da confiança construída entre os dois povos. "Quando um Estado decide celebrar, fora do seu território, a data maior da sua história nacional, fá-lo apenas onde reconhece verdadeiros amigos", afirmou, acrescentando que a Madeira recebe essa decisão "com gratidão e com um profundo sentido de responsabilidade".
Uma ideia partilhada pelo Embaixador da República Democrática de São Tomé e Príncipe, Esterline Gonçalves Género, que considerou a escolha da Madeira reveladora da solidez da relação institucional entre ambas as partes. "São Tomé e Príncipe sente-se em casa na Madeira", afirmou, sublinhando que as comemorações resultam de "uma parceria institucional exemplar" entre a Embaixada e o Governo Regional.
Ao olhar para o futuro das relações bilaterais, José Manuel Rodrigues defendeu que existem condições para estimular o investimento de empresas madeirenses em São Tomé e Príncipe, identificando a economia azul, o turismo, a formação profissional, a investigação científica, a inovação tecnológica e o empreendedorismo como setores particularmente promissores para uma cooperação de longo prazo.
Na sua intervenção, enquadrou esse objetivo numa visão mais ampla do posicionamento da Madeira no Atlântico. A vocação atlântica da Região e a sua inserção no espaço da Macaronésia, sustentou, conferem-lhe condições singulares para estreitar relações com outros territórios insulares, afirmando o Atlântico como um espaço de cooperação, iniciativa e prosperidade partilhada. Nesse contexto, classificou São Tomé e Príncipe como "um parceiro natural" para aprofundar relações económicas, institucionais e culturais.
A cooperação económica esteve igualmente no centro da intervenção do Embaixador, que defendeu o reforço do investimento, da colaboração académica e da aproximação entre empresas, considerando que o novo Consulado Honorário deverá funcionar como uma plataforma de ligação entre cidadãos, instituições, universidades e agentes económicos dos dois territórios.
Também José Manuel Rodrigues destacou a criação do Consulado Honorário da República Democrática de São Tomé e Príncipe na Madeira, representado por Pedro Paixão, considerando que esta nova representação constitui um instrumento relevante para aprofundar as relações institucionais e económicas entre os dois arquipélagos.
A cerimónia ficou igualmente marcada por uma homenagem do Estado são-tomense ao dramaturgo madeirense Baltazar Dias, autor da peça que deu origem ao Tchiloli, expressão maior da cultura de São Tomé e Príncipe reconhecida pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade. Na ocasião, o Embaixador destacou o percurso singular de uma obra literária madeirense que, ao longo de séculos, foi apropriada e recriada pelo povo são-tomense, tornando-se um dos símbolos mais marcantes da sua identidade cultural.
A encerrar a intervenção, José Manuel Rodrigues deixou uma reflexão sobre o significado da independência e o sentido das relações entre Estados, defendendo que a memória histórica deve constituir um ponto de partida para novas formas de cooperação.
"A Independência é sempre um exercício de memória, mas também um compromisso com o futuro. É nesse futuro — aberto à cooperação, ao conhecimento e ao desenvolvimento — que a Madeira deseja continuar a encontrar São Tomé e Príncipe como parceiro e como amigo".