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Madeira soma 64 meses de crescimento e SONAE anuncia investimento de 40 milhões de euros na Região

José Manuel Rodrigues vinca confiança na economia regional e impacto do crescimento na vida dos madeirenses 10-09-2026 Economia
Madeira soma 64 meses de crescimento e SONAE anuncia investimento de 40 milhões de euros na Região

O secretário regional da Economia, José Manuel Rodrigues, destacou hoje o papel da SONAE no desenvolvimento da economia da Madeira ao longo dos últimos 30 anos e considerou que o anúncio de cerca de 40 milhões de euros de investimento na Região nos próximos anos constitui um sinal de confiança num território que mantém um ciclo de crescimento económico há 64 meses consecutivos.

José Manuel Rodrigues falava no IV Encontro dos Fornecedores da Área Alimentar do Continente, promovido pelo Grupo SONAE no Hotel Saccharum, na Calheta, que reuniu produtores do setor agroalimentar regional para analisar os resultados alcançados e a estratégia de desenvolvimento da parceria com a distribuição.

Na intervenção, o governante sublinhou que a presença da SONAE na Madeira ultrapassou a dimensão do abastecimento e distribuição de bens alimentares, contribuindo também para a dinamização da produção regional.

“O grupo SONAE comemora 30 anos de presença na Madeira e foi importante para o desenvolvimento da Região em termos de abastecimento de bens alimentares, mas também veio ajudar à própria dinamização das atividades agrícolas e pecuárias no arquipélago, uma vez que também é comprador dos nossos produtos”, afirmou.

José Manuel Rodrigues destacou ainda a aposta do grupo na exposição dos produtos madeirenses nas suas superfícies comerciais, através da disponibilização de espaços dedicados à produção regional.

O anúncio de um investimento de cerca de 40 milhões de euros nos próximos anos foi, por isso, apontado pelo secretário regional como um indicador particularmente relevante da confiança do grupo na economia madeirense.

“A SONAE Vai investir cerca de 40 milhões de euros, nos próximos anos, na Região Autónoma da Madeira, o que representa um sinal de confiança na nossa economia, uma economia que há 64 meses consecutivos cresce, apesar de todas as contingências internacionais”, afirmou.

O governante enquadrou este desempenho num período marcado por sucessivos choques externos, desde a invasão da Ucrânia pela Rússia à guerra no Médio Oriente, com efeitos sobre as cadeias de abastecimento, os custos da energia, os combustíveis e os preços.

“Com as consequências em termos de crise energética e de aumento do preço dos combustíveis, o nosso tecido empresarial, investidores e trabalhadores têm sido muito resistentes a essas contingências e temos conseguido prosseguir este ciclo de crescimento económico”, salientou.

O secretário regional considerou, contudo, que a principal questão é garantir que o crescimento se prolonga e ganha consistência, mas também que tenha tradução concreta nas condições de vida da população.

“Espero que este ciclo possa continuar e, sobretudo, que se possa consolidar para que esse mesmo crescimento tenha reflexo na vida das pessoas”, disse.

José Manuel Rodrigues apontou, neste contexto, a redução da carga fiscal e a evolução dos rendimentos como dois dos instrumentos para fazer chegar os efeitos do crescimento às famílias. “Isso passa por baixar os impostos, o que temos feito, quer em termos de IRS, quer em termos de IRC, e na taxa reduzida do IVA, e passa também por termos salários aumentados em valores superiores à taxa de inflação”, acrescentou, manifestando a expectativa de que essa evolução se mantenha em 2027.

Os dados apresentados durante o encontro mostram uma economia regional com vários indicadores em trajetória positiva. O Produto Interno Bruto da Região Autónoma da Madeira fixou-se em 7,5 mil milhões de euros em 2024, registando um crescimento nominal de 7,5% e real de 1,5%, enquanto o Governo Regional estima que tenha ultrapassado os 8,04 mil milhões de euros em 2025.

A população empregada atingiu 137,8 mil trabalhadores em agosto de 2026, mais 25.400 do que em 2015, enquanto a taxa de desemprego desceu para 3,5% no segundo trimestre deste ano. No mesmo período, o salário médio passou de 1.143 euros, em 2015, para 1.748 euros em 2026.

Também o tecido empresarial mantém um saldo positivo. No primeiro semestre de 2026 foram constituídas 701 sociedades na Região, face a 259 dissoluções, resultando num saldo de 442 novas empresas.

Nos transportes, o movimento de mercadorias cresceu 4,9% no primeiro semestre, enquanto os aeroportos da Região movimentaram 3,33 milhões de passageiros entre janeiro e julho, mais 3% do que no período homólogo.

O turismo mantém igualmente uma trajetória de crescimento, com o alojamento turístico a registar, em julho, 1,34 milhões de dormidas, mais 2,2% do que no mesmo mês de 2025, e proveitos totais de 101,8 milhões de euros, uma subida de 5,8%. Nos primeiros seis meses do ano, os portos da Região receberam 199 navios de cruzeiro e 443.355 passageiros em trânsito.

No encontro de fornecedores do Continente, a produção agroalimentar assumiu particular relevância. José Manuel Rodrigues defendeu o reforço da ligação entre os produtores regionais e os canais de distribuição, destacando o contributo de operadores como a SONAE para a colocação dos produtos madeirenses no mercado.

No primeiro semestre deste ano foram comercializadas 7.862,9 toneladas de banana na Madeira, das quais 75,7% tiveram como destino mercados fora da Região, sendo o continente o principal destino.

“Temos de continuar a valorizar quem produz, quem distribui e quem trabalha todos os dias para que a economia regional continue a crescer com base mais sólida, mais diversificada e mais próxima das pessoas”, afirmou.

Na mesma linha, o secretário regional deixou um apelo à confiança dos investidores, salientando as condições fiscais existentes na Madeira como um dos fatores de competitividade da economia regional.

“A Região oferece um quadro fiscal favorável, com um diferencial de 30% no IRS face ao continente, uma taxa normal de IRC de 13,3%, 10,5% para os primeiros 50 mil euros de matéria coletável das PME, uma taxa reduzida de 5% no Centro Internacional de Negócios da Madeira até 2033 e uma taxa reduzida de IVA de 4% para bens essenciais e determinados serviços”, afirmou.

Para José Manuel Rodrigues, estas condições devem ser entendidas como instrumentos para atrair investimento, criar emprego e reforçar a capacidade produtiva da Região, num momento em que a economia madeirense procura consolidar um ciclo prolongado de crescimento.


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