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Portugal deve orientar as suas políticas nacionais

na defesa da sua posição estratégica no Atlântico 02-10-2026 Presidência
Portugal deve orientar as suas políticas nacionais

Miguel Albuquerque defendeu hoje que o Atlântico voltou a ser central na geopolítica mundial e que as regiões insulares portuguesas estão no vértice dessa posição. Uma alteração completa do sistema herdado do pós-guerra, que está a decorrer e que devolveu importância ao nosso oceano.


O presidente do Governo Regional falava à margem da conferência “Há uma nova Ordem Mundial? Desafios globais da Segurança, Defesa e Geopolítica', integrada

no ciclo de Conferências da Autonomia e que teve como oradores o antigo vice-primeiro ministro Paulo Portas e o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, António Martins da Cruz. Um evento que decorreu no Museu Casa da Luz e que é a sexta edição do ciclo promovido pela Estrutura de Missão para a Comemoração dos 50 Anos da Autonomia.

O governante considera que Portugal tem de assumir uma posição relativamente ao seu papel quer na União Europeia, quer na NATO. E recordou que o nosso País sempre foi, desde a sua fundação, um país atlântico, E que foi precisamente essa circunstância e ainda o facto de ter políticas atlânticas que garantiram a sua independência ou a sua emancipação no quadro europeu.

«Qualquer tentativa de encetar uma política continental está condenada ao fracasso, uma vez que Portugal é um país encravado face a uma grande potência que é a Espanha, ou seja, é um país ultraperiférico na Europa e só ganha dimensão através de uma política atlântica», explicou. 


Miguel Albuquerque lembrou que Portugal é um país descontinuado territorialmente, com dois arquipélagos que lhe dão dimensão geopolítica. E que «é graças às regiões que Portugal tem 1 milhão e 700.000 quilómetros quadrados de plataforma continental». Numa zona que, hoje em dia, «é muito importante do ponto de vista da defesa e da afirmação das soberanias».

«Basta notar que, para além das rotas marítimas e para além da situação estratégica de interligação com a América, com a África e com a América do Sul, é um dos pontos onde passa por exemplo os cabos submarinos», enfatizou.

Cabos submarinos que, na sua opinião, são, atualmente, «tão importantes no transporte de informação». «Toda a informação entre os continentes passa nesses cabos, que são mais importantes quase que os aeroportos e os portos», complementou. 


Desta forma, considerou ser fundamental que Portugal , no quadro da NATO, da qual faz parte desde 1949, ao contrário da Espanha, «tenha a garantia de defesa de Portugal num quadro atlântico».

Por isso, o governante considera que «as políticas nacionais devem ser orientadas para reforçar esta posição estratégica de Portugal, através dos dois arquipélagos».

Um reforço que terá de passar, elencou, por investimentos na monitorização e no acompanhamento e segurança de todos estes cabos que passam pela Região, incluindo o EllaLink.

Mas, não só: «é necessário também fazer obras nos portos, nos centros logísticos, nos aeroportos, por exemplo o aeroporto do Porto Santo precisa, neste momento,

de obras». «Estamos a dizer isto porque o Porto Santo está a 500 km do norte da África e os Açores fazem fronteira com os Estados Unidos», ressalvou.

Face a este cenário, Miguel Albuquerque reiterou que «toda a política externa deve ser direcionada, neste momento, no sentido de reforçar a posição geopolítica de Portugal no Atlântico».

«Portugal tem uma coisa que poucos países europeus têm: tem geografia útil e os países que têm geografia útil têm de aproveitar essa posição. Se não aproveitarem os outros vão aproveitar», avisou, a concluir.

A conferência ‘Há uma nova Ordem Mundial? Desafios globais da Segurança, Defesa e Geopolítica', integrada no ciclo de Conferências da Autonomia, teve como oradores o consultor e antigo vice-primeiro-ministro de Portugal, Paulo Portas, e o diplomata e antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, António Martins da Cruz. O moderador foi o advogado madeirense, Nuno Teixeira.

Esta é a sexta sessão das Conferências da Autonomia, promovidas pela Estrutura de Missão para as Comemorações dos 50 anos da Autonomia da Região Autónoma da Madeira.

A sessão foi integralmente dedicada aos desafios globais da segurança, defesa e geopolítica.


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