Secretária Regional de Inclusão, Trabalho e Juventude encerrou a tertúlia «Conversas em Rosa», integrada nas comemorações do Outubro Rosa, sublinhando que a resposta ao cancro da mama deve ultrapassar a dimensão clínica e assegurar a proteção dos direitos, a inclusão social e o respeito pela dignidade humana.
A Secretária Regional de Inclusão, Trabalho e Juventude, Paula Margarido, participou esta sexta-feira, 16 de outubro, na sessão de encerramento da iniciativa «Conversas em Rosa: Tertúlia ao Entardecer, pela Consciencialização do Cancro da Mama», realizada no Pátio | Brunch & Bistrô, no Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente’s, no Funchal.
Promovida pela Secretaria Regional de Inclusão, Trabalho e Juventude, através da Direção Regional da Cidadania e dos Assuntos Sociais, em parceria com o Núcleo Regional da Madeira da Liga Portuguesa Contra o Cancro, a iniciativa integrou as comemorações do Outubro Rosa e proporcionou um espaço de reflexão e partilha sobre a prevenção, o diagnóstico precoce, os direitos das pessoas com doença oncológica, a autoestima e o bem-estar.
Na sua intervenção, Paula Margarido destacou a importância de olhar para o cancro da mama não apenas na perspetiva clínica, mas também nas suas dimensões social, familiar, profissional e emocional, lembrando que mulheres com o mesmo diagnóstico podem enfrentar realidades profundamente diferentes.
«Quando falamos de Inclusão, falamos de impedir que a doença se transforme em exclusão. Quando falamos de Trabalho, falamos da proteção de direitos, da compreensão das entidades empregadoras e das condições necessárias para continuar ou regressar à atividade profissional», afirmou a governante.
Sublinhando a importância da cidadania na resposta à doença, Paula Margarido defendeu que o reconhecimento formal dos direitos deve ser acompanhado pela criação de condições efetivas para o seu exercício, particularmente em situações de maior vulnerabilidade económica, familiar ou social.
A Secretária Regional dedicou especial atenção à integração profissional das pessoas que enfrentam tratamentos oncológicos, salientando que a doença não diminui as suas competências nem o seu valor enquanto trabalhadores. «Uma mulher que atravessa tratamentos prolongados pode precisar de ajustar horários ou funções. E, quando regressa, precisa de encontrar compreensão, não obstáculos», observou.
Outro dos aspetos destacados foi a necessidade de respeitar os diferentes percursos emocionais de quem enfrenta a doença, rejeitando a ideia de que as mulheres com cancro devem corresponder permanentemente a uma imagem de força e superação.
«Uma mulher que enfrenta esta doença também tem o direito de ter medo, de estar triste, de se sentir cansada. Não tem de ser um exemplo de coragem todos os dias», afirmou Paula Margarido, defendendo a importância da escuta, da proximidade e do apoio humano, numa reflexão marcada também pela memória de duas familiares próximas que enfrentaram o cancro da mama.
A governante evocou ainda uma reflexão do Cardeal D. José Tolentino de Mendonça, «Qual é a primeira tarefa de uma comunidade? Cuidar da vida», para salientar que cuidar significa também proteger direitos, respeitar a dignidade humana e combater a indiferença perante a vulnerabilidade dos outros.
A tertúlia reuniu contributos de diferentes áreas, contando com as intervenções de Mónica Armas, médica radiologista e coordenadora do Centro de Rastreio do Cancro da Mama da Região Autónoma da Madeira; Carla Conde, vice-presidente do Conselho Regional da Madeira da Ordem dos Advogados; Mary Carfora, especialista em maquilhagem e cabelo; e Helena Toste Silva, secretária-geral do Núcleo Regional da Madeira da Liga Portuguesa Contra o Cancro, que partilhou o seu testemunho enquanto sobrevivente da doença.
A conversa foi moderada por Isabel Gomes da Silva, presidente da Mesa da Assembleia Regional da Ordem dos Enfermeiros, e contou igualmente com a presença da Secretária Regional de Saúde e Proteção Civil, Micaela Freitas; da presidente do Conselho de Administração do SESARAM, Márcia Gomes; da diretora regional da Saúde, Bruna Gouveia; do presidente do Núcleo Regional da Madeira da Liga Portuguesa Contra o Cancro, Ricardo Sousa Franco; da diretora regional da Cidadania e dos Assuntos Sociais, Graça Moniz; da presidente do Gabinete de Estratégia para as Pessoas com Deficiência, Ana Sousa; da presidente da Junta de Freguesia da Sé, Fabrícia Teixeira; e da diretora de Serviços de Igualdade e Cidadania, Mariana Aragão.
A iniciativa enquadrou-se no IV Plano Regional para a Igualdade e Cidadania Ativa (IV PRICA), concretamente no Eixo 2, dedicado à promoção de valores e atitudes igualitárias nas áreas da Educação, Saúde, Cultura e Desporto, refletindo o compromisso regional com a sensibilização, a igualdade de oportunidades e a promoção de uma cidadania mais inclusiva.
No encerramento, Paula Margarido agradeceu o trabalho desenvolvido pelo Núcleo Regional da Madeira da Liga Portuguesa Contra o Cancro, os testemunhos e contributos dos participantes e o empenho da equipa da Direção Regional da Cidadania e dos Assuntos Sociais na organização da iniciativa.
Evocando o poema «Ilusões da Vida», de Francisco Otaviano, a governante recordou que viver é também acumular cicatrizes, numa reflexão sobre a fragilidade humana, a capacidade de enfrentar a adversidade e a importância de não deixar ninguém sozinho nos momentos de maior vulnerabilidade.
«Enquanto governantes, temos o dever de criar condições e encontrar respostas; enquanto cidadãos, temos a responsabilidade de não sermos indiferentes», afirmou, concluindo que «uma sociedade não se distingue apenas pelos direitos que reconhece, mas pela forma como cuida das pessoas quando esses direitos são mais difíceis de exercer».