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Financiamento da inteligência artificial deve chegar às PME, defende o Secretário Regional da Economia

José Manuel Rodrigues presidiu hoje à sessão de abertura do evento inter-regional do projeto embrAIsme, no Colégio dos Jesuítas 20-10-2026 Economia
Financiamento da inteligência artificial deve chegar às PME, defende o Secretário Regional da Economia

O desafio do acesso das pequenas e médias empresas à inteligência artificial não se resume à disponibilidade de tecnologia, mas à capacidade das empresas para a incorporar, financiar e transformar em valor económico. A ideia foi defendida hoje, no Funchal, pelo secretário regional da Economia, José Manuel Rodrigues, na sessão de abertura do evento inter-regional do projeto embrAIsme, que decorre até amanhã no Colégio dos Jesuítas, uma organização do Instituto de Desenvolvimento Empresarial, IP-RAM (IDE, IP-RAM), organismo tutelado pela Secretaria Regional de Economia.que decorre até amanhã no Colégio dos Jesuítas.

Na sua intervenção, o governante defendeu que a distância entre o anúncio de uma inovação e a sua aplicação efetiva na atividade empresarial constitui uma das questões centrais do atual processo de transformação digital. “Há uma distância considerável entre o anúncio de uma inovação e a sua presença efetiva no quotidiano de uma empresa”, afirmou, recordando que a inteligência artificial exige capital, competências, dados organizados e uma leitura rigorosa das necessidades de cada atividade.

O secretário regional alertou para o risco de as vantagens da nova tecnologia não chegarem de forma equitativa ao tecido empresarial. “É nessa distância entre a possibilidade técnica e a apropriação económica que se decide se a inovação amplia ou aprofunda as desigualdades entre empresas”, considerou.

Para José Manuel Rodrigues, as pequenas e médias empresas ocupam uma posição particularmente delicada neste processo, por serem responsáveis por uma parte essencial do emprego, da produção e da criação de riqueza, mas disporem, com maior frequência, de margens financeiras reduzidas e de estruturas menos especializadas.

“Não se pode pensar apenas em grandes empresas ou em projetos de dimensão internacional. É necessário perguntar como uma empresa de dimensão média, com uma equipa limitada e obrigações imediatas perante o mercado, consegue transformar uma tecnologia complexa numa vantagem concreta”, sublinhou.

O responsável regional vinculou ainda a questão à especificidade da Madeira, lembrando que a condição ultraperiférica, a insularidade, a distância aos principais mercados e os sobrecustos da atividade económica condicionam o custo do investimento, o acesso ao talento e a velocidade de adaptação das empresas.

“Não creio que estas circunstâncias autorizem qualquer forma de fatalismo. Uma política económica responsável deve converter as especificidades do território em critérios de intervenção”, afirmou, defendendo que uma economia insular não compete pela dimensão, mas pela qualidade das suas respostas e pela aptidão para incorporar conhecimento e acrescentar valor.

 

Financiamento eficaz exige acessibilidade

 

O Secretário Regional da Economia sublinhou o papel dos instrumentos de apoio ao investimento desenvolvidos pelo Instituto de Desenvolvimento Empresarial, no âmbito do Madeira 2030, enquanto alavanca para a iniciativa privada. Segundo disse, o financiamento público não deve substituir essa iniciativa, mas criar as condições para que ela encontre viabilidade.

“Há projetos que falham não por falta de mérito, mas porque o custo inicial da tecnologia, da qualificação e da reorganização interna excede a capacidade de uma empresa para os suportar isoladamente”, referiu.

O governante advertiu, contudo, que a existência formal de linhas de apoio não garante, por si só, a eficácia de uma política pública. “Um instrumento pode estar formalmente disponível e continuar inacessível para quem dele mais necessitaria”, alertou, invocando a complexidade dos procedimentos, a inadequação dos critérios à dimensão das empresas ou a exigência de capacidades técnicas que nem todas possuem.

“Financiar a tecnologia sem as competências que a tornam utilizável seria uma meia medida, e as meias medidas raramente alteram trajetórias”, afirmou.

O secretário regional rejeitou igualmente a ideia de que a inteligência artificial constitui um fim em si mesma. O seu valor, defendeu, depende dos problemas que permite resolver, das decisões que torna mais informadas e das oportunidades que abre às empresas.

“Uma empresa não se torna mais competitiva por adquirir tecnologia; torna-se mais competitiva quando essa tecnologia se integra numa estratégia e é acompanhada por pessoas capazes de a interpretar e melhorar”, sustentou.

O responsável considerou que a reflexão sobre o financiamento deve articular-se com a qualificação dos recursos humanos, a governação dos dados, a segurança das soluções e as exigências regulamentares e éticas associadas a estas tecnologias. “O essencial não está na ferramenta, mas na capacidade da organização para dela retirar consequências”, afirmou.

 

Cooperação europeia e aprendizagem entre regiões

 

O projeto embrAIsme reúne entidades de oito países europeus e procura identificar práticas suscetíveis de melhorar as políticas públicas e os instrumentos de apoio à adoção da inteligência artificial pelas PME. Para o secretário regional, a diversidade das regiões participantes constitui uma mais-valia, porque permite confrontar experiências e avaliar soluções em contextos económicos e institucionais distintos.

“A nossa condição ultraperiférica exige políticas atentas às circunstâncias locais, mas não justifica o isolamento nem a pretensão de reinventar respostas para problemas que outros já enfrentaram”, disse, defendendo que aprender com outras regiões implica submeter os seus modelos ao teste da realidade madeirense.

Ao longo do encontro, está previsto o debate das prioridades regionais de inovação e especialização inteligente, o contacto com experiências empresariais e visitas à Startup Madeira e ao centro de inteligência artificial da DataMentors. Está igualmente prevista a apresentação de um caso do grupo PortoBay Hotels, ilustrativo da integração destas tecnologias numa atividade económica de relevância regional.

“Espero que os trabalhos destes dias não se esgotem na descrição de boas práticas. A utilidade deste encontro mede-se pela capacidade de produzir conhecimento aplicável, identificar obstáculos com rigor e formular propostas que informem políticas públicas e instrumentos de apoio”, declarou José Manuel Rodrigues.

No fecho da sessão de abertura, o governante sublinhou que a capacidade de inovar não pode depender da dimensão inicial das empresas nem dos recursos de que dispõem à partida. “Se pretendemos uma economia regional mais competitiva e mais capaz de resistir às pressões externas, temos de criar condições para que também as empresas de menor dimensão acedam ao conhecimento, invistam em tecnologia e encontrem nessa investida uma via de crescimento”, afirmou.

“A inteligência artificial abre possibilidades consideráveis, mas não decide sozinha o futuro das nossas economias. Esse futuro dependerá das escolhas que fizermos, da qualidade dos instrumentos que colocarmos ao serviço das empresas e da capacidade de converter a cooperação europeia em decisões públicas mais exigentes e mais adequadas”, concluiu.


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