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«Garantir uma Escola verdadeiramente capaz de responder a cada um, sem deixar ninguém para trás»

Desafio assumido por Elsa Fernandes na mesa-redonda “Futuros Possíveis para a Educação na RAM”. 20-10-2026 Educação, Ciência e Tecnologia
«Garantir uma Escola verdadeiramente capaz de responder a cada um, sem deixar ninguém para trás»

A Secretária Regional de Educação, Ciência e Tecnologia, Elsa Fernandes, participou na mesa-redonda “Futuros Possíveis para a Educação na RAM - Parte 1”, no âmbito do Seminário “40 anos da Lei de Bases do Sistema Educativo: entre o legado e os futuros possíveis”.

 

Elsa Fernandes abordou a “Educação na RAM: Um percurso de transformação”, tendo focado o caminho percorrido antes e depois da LBSE. «Surgiram na Madeira projetos imensamente inovadores», sublinhou, dando como exemplo o Desporto Escolar. «Antes de existir um documento que dizia que a Educação tinha de ser para todos, alguém na Madeira já tinha pensado que o desporto tinha de ser para todos. Este projeto surgiu quatro anos depois do 25 de Abril e perdura até hoje», enalteceu, referindo-se ainda à Escola a Tempo Inteiro «e com ela a introdução da língua estrangeira e depois da informática, em 2010, e da robótica, em 2018», e ao pioneirismo no ensino das artes, «com um sistema de ensino próprio, que foi um estudo de caso para aquilo que está a ser feito a nível nacional, nomeadamente a adoção do sistema de ensino articulado e a promoção dos cursos profissionais».

 

«Foram projetos criado antes da LBSE, mas que permanecem no tempo e não ficaram estáticos, foram sendo adaptados aos contextos, o que diz muito acerca da sua qualidade.»

 

Em 2019 foi introduzido o projeto dos Manuais Digitais, cujo sucesso foi alicerçado na melhoria «substancial da infraestrutura informática e na formação de professores», assegurou a governante. «Chegamos a 16 mil alunos, a 3 mil professores, proporcionamos uma maior diferenciação pedagógica, uma maior preparação para o mundo atual e também uma maior poupança para as famílias», observou Elsa Fernandes, recordando que as escolas do 1.º ciclo também têm uma componente tecnológica bastante forte, com robôs, drones, kits de aprendizagem das áreas STEM, etc. Neste ano letivo, todas as escolas da Região quiseram integrar o projeto TutorIA.

 

Referindo-se às avaliações externas, Elsa Fernandes congratulou-se com as melhores médias de Portugal no 1.º ciclo e a terceira melhor média no 2.º ciclo, nas provas ModA, bem como com as boas classificações no PISA, nomeadamente na aprendizagem do mundo digital, resolução computacional de problemas, programação e modulação. «Ficámos no primeiro lugar em Portugal e com médias acima de países como Estados Unidos da América, Finlândia e Suécia. Isto permite-nos inferir, numa primeira análise, que o trabalho feito com as tecnologias na Madeira está a ter algum efeito na aprendizagem dos nossos alunos», relevou, apontando a colocação de 93% dos candidatos ao ensino superior como outro dado muito positivo.

 

«Isto tudo parece permitir-nos dizer que está tudo perfeito e que não precisamos mudar nada. De facto, não é assim. O que é que esta visão nos permite? Eu pensaria na evolução do conceito de igualdade de oportunidades. Em 1986, o acesso à Educação era uma preocupação central. Todos queriam que todas as crianças tivessem acesso à educação. Hoje, o conceito de igualdade de oportunidades, a meu ver, tem de ser mais amplo. Já todas as crianças estão na Escola na Madeira, mas a igualdade de oportunidades não significa oferecer a todos os alunos o mesmo. Significa que é preciso ir ao encontro das necessidades, das expectativas de cada um dos alunos», auspiciou Elsa Fernandes, estabelecendo desafios.

 

«O número de crianças está a diminuir e o grande desafio da Escola não é fazer o mesmo para todos, porque isso é igualdade e queremos equidade. Outro desafio que me parece importante, estando o ensino na Madeira bastante (e bem) digitalizado, é a transformação pedagógica, ir ao “core” do trabalho dos professores. Ou seja, a sala de aula. É preciso inovar pedagogicamente na sala de aula. Porque só dessa forma é que conseguimos trabalhar a equidade, ir ao encontro das necessidades e das expectativas de cada uma das crianças», atendeu a Secretária Regional, considerando «este inverno demográfico como uma oportunidade para repensar a Escola».

 

Elsa Fernandes acrescentou ainda outras ideias. «Repensar a sustentabilidade da rede escolar, a organização dos recursos humanos, a possibilidade de desenvolver, de facto, modelos pedagógicos mais flexíveis, sem comprometer a proximidade e a equidade territorial. Durante 40 anos, trabalhámos para construir uma Escola para todos; o desafio das próximas décadas é garantir uma Escola que seja verdadeiramente capaz de responder a cada um, sem deixar ninguém para trás», concretizou.

 

A mesa-redonda, moderada por Fernanda Gouveia, contou ainda com intervenções de Nadina Mota, a propósito da “Organização dos ciclos e percursos; Educação dos 0-3 anos; Articulação entre níveis de ensino”, de Maria José Camacho, sobre “Inclusão e Diversidade”, e de Nuno Fraga, acerca de “Territorialização das políticas educativas”.

 


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