A Polícia Florestal da Madeira conta com mais 40 elementos, naquele que constitui o maior reforço de sempre do corpo desde a sua criação, em 1913. A entrada destes novos profissionais permitirá ampliar significativamente a capacidade de vigilância e fiscalização da Região, reforçando a presença no território e a proteção do património natural madeirense.
A receção aos novos elementos decorreu esta segunda-feira, tendo contado com a presença do secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, que deu as boas-vindas aos profissionais e sublinhou a importância desta nova incorporação para a proteção da floresta, a prevenção de incêndios, a fiscalização e a salvaguarda das áreas naturais da Madeira e do Porto Santo.
Com esta entrada, o efetivo do Corpo de Polícia Florestal, atualmente constituído por 64 profissionais, será reforçado em mais de metade, representando um aumento particularmente expressivo da capacidade operacional da força. Os novos elementos serão progressivamente integrados nos 25 postos florestais existentes na Região, 23 na Madeira e dois no Porto Santo, contribuindo para uma presença mais robusta e próxima das populações, dos visitantes e do território.
Na sessão de boas-vindas, Eduardo Jesus destacou precisamente o significado deste reforço para uma Região onde a proteção da natureza assume uma responsabilidade acrescida. “Hoje é um dia de muita satisfação para o Instituto de Florestas e Conservação da Natureza. Vocês vão ter dos melhores trabalhos que se pode ter na vida. Para quem gosta de natureza e sente a responsabilidade de a preservar, está no sítio certo”, afirmou o secretário regional, dirigindo-se aos novos elementos.
O governante considerou que a chegada destes profissionais representa “sangue novo” numa instituição com uma missão particularmente exigente, quer na vigilância e fiscalização, quer na proteção do território e na prevenção de riscos. “Fico muito contente de ver aqui 40 jovens, que significam sangue novo para esta instituição e significam sangue novo na proteção, na vigilância, na fiscalização do nosso espaço, do nosso território”, salientou.
A dimensão do reforço ganha ainda maior relevância tendo em conta as características da Região Autónoma da Madeira. Cerca de dois terços do território regional correspondem a áreas protegidas ou classificadas, o que exige uma presença permanente e uma capacidade de intervenção adequada à dimensão e especificidade do património natural existente.
“Não basta ter parte do território nesse estado que se pretende de conservação, é preciso trabalhar muito para o manter”, frisou Eduardo Jesus, apontando a vigilância permanente como uma necessidade e uma responsabilidade perante as gerações futuras.
O secretário regional enquadrou, assim, o reforço da Polícia Florestal numa estratégia mais ampla de proteção do capital natural da Madeira, conciliando a preservação dos espaços naturais com a sua fruição responsável e com uma atividade turística cada vez mais consciente da importância da sustentabilidade.
Uma força com 113 anos ao serviço da floresta
Os 40 novos profissionais passam a integrar uma força com uma longa tradição na Região. Criada oficialmente em 1913, a Polícia Florestal da Madeira conta já com 113 anos de história e desempenha funções de polícia auxiliar, assumindo responsabilidades de vigilância e fiscalização, investigação de ilícitos ambientais, apoio à prevenção e combate aos incêndios rurais e colaboração em missões de proteção civil.
A sua intervenção estende-se, por isso, muito para além da fiscalização. A Polícia Florestal mantém uma presença regular nas áreas florestais e naturais, acompanhando quem percorre os espaços protegidos e contribuindo para a sensibilização das populações, das escolas e dos visitantes para a necessidade de adotar comportamentos responsáveis.
Essa dimensão de proximidade é particularmente importante numa Região que recebe milhares de visitantes interessados em conhecer os seus percursos pedestres, levadas e áreas naturais. A sensibilização para boas práticas, a prevenção do abandono de resíduos e o uso responsável do fogo fazem também parte de uma missão que procura reduzir riscos e promover uma verdadeira cultura de respeito pela natureza.
Desde 2013, a Polícia Florestal é reconhecida como Órgão de Polícia Criminal, reforçando a sua capacidade de atuação em matéria de investigação de determinados ilícitos. A relevância do trabalho desenvolvido ao longo das décadas foi igualmente reconhecida através da atribuição, em 2016, da Medalha de Ouro de Mérito Turístico da Região e, em 2021, da Insígnia Autonómica de Bons Serviços.
Para Eduardo Jesus, os novos elementos entram, por isso, numa instituição que conquistou ao longo de mais de um século um reconhecimento muito particular junto da sociedade madeirense. “Vocês estão a integrar um Corpo de Polícia Florestal que nasceu em 1913, tem 113 anos, uma instituição altamente respeitada, muito bem vista pela população em geral e que impõe muito respeito a todos aqueles que andam pelas serras”, afirmou.
Esse respeito, acrescentou, é resultado do trabalho acumulado por sucessivas gerações de profissionais. “Durante 113 anos, muitos profissionais que entraram como vocês foram fazendo a sua carreira cá dentro e foram impondo esse respeito”, disse, deixando aos novos elementos a responsabilidade de dar continuidade a esse legado.
Experiência dos atuais profissionais será fundamental na integração
A formação dos novos elementos será acompanhada pelos profissionais que já integram o Corpo de Polícia Florestal. O secretário regional fez questão de destacar a importância da experiência acumulada por estes elementos, considerando-a um património que será agora transmitido à nova geração.
“É muito importante que vocês tenham a humildade de aprender com quem sabe. Estes homens são do melhor que a Madeira tem, são as pessoas que vos vão transmitir conhecimento e que vos vão dar confiança para lidar com as situações menos fáceis e para lidar com as situações mais fáceis”, afirmou.
A integração dos novos profissionais decorrerá de forma progressiva, com formação e adaptação às exigências da função, antes da plena assunção das responsabilidades inerentes ao exercício da atividade.
Para Eduardo Jesus, esta fase é uma oportunidade para os novos elementos adquirirem conhecimento diretamente com quem conhece profundamente a realidade do território madeirense. O secretário regional apelou, por isso, à humildade, à aprendizagem e ao sentido de responsabilidade, mas também a uma atitude adequada à autoridade que estes profissionais passam a exercer. “Um polícia florestal é uma pessoa que impõe respeito. E, para impor respeito, tem de ter uma atitude correta”, afirmou.
Mais presença para prevenir incêndios e proteger o território
A nova incorporação assume também especial importância no domínio da prevenção e combate aos incêndios rurais. A Polícia Florestal é uma presença permanente no território e desempenha um papel relevante na identificação de riscos, na fiscalização e no apoio às operações de proteção civil.
Eduardo Jesus salientou que o Corpo de Polícia Florestal está presente em diferentes dimensões da proteção do território, incluindo a prevenção de incêndios, a fiscalização, o resgate e o exercício da autoridade em áreas que, pela sua extensão e características, exigem acompanhamento contínuo.
Com os atuais 64 efetivos e a entrada dos 40 novos profissionais, a Região passa a dispor de uma capacidade reforçada para responder a estas responsabilidades. “Estamos a dotar a Madeira de mais meios, maior capacidade de intervenção e maior capacidade de proteção”, resumiu o secretário regional. O reforço agora concretizado permitirá fortalecer esta estrutura e aumentar a capacidade de vigilância e fiscalização em toda a Região.