O Secretário Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, visitou esta quinta-feira a intervenção de reconversão florestal em curso no Curral dos Romeiros, um projeto que representa um investimento de 445.810,73 euros, financiado a 100% pelo PRODERAM, através da Submedida 8.1 – Florestação e Criação de Zonas Arborizadas.
A visita contou também com a presença da Secretária Regional da Saúde e Proteção Civil, Micaela Freitas, de elementos do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN, IP-RAM) e do Serviço Regional de Proteção Civil, de representantes do corpo de Bombeiros Sapadores do Funchal e dos Bombeiros Voluntários Madeirenses, entre outras entidades, permitindo acompanhar no terreno os trabalhos em curso e a sua articulação com as medidas de prevenção e gestão do risco de incêndio florestal.
Promovida pelo IFCN, a intervenção decorre durante o período 2025-2026 e integra a estratégia de valorização e recuperação dos espaços florestais da Região, incidindo numa área de 29,17 hectares, inserida numa Faixa de Gestão de Combustíveis.
A intervenção contempla a limpeza de matos e vegetação espontânea, criando condições para a instalação e desenvolvimento de novas áreas arborizadas. Está prevista a plantação de 32.411 árvores, incluindo a abertura de covas e a colocação de protetores individuais, bem como a realização de cinco regas para assegurar o adequado estabelecimento das espécies. Entre as espécies a plantar estão algumas indígenas e outras que, não sendo indígenas, tenham interesse ecológico para a Região como é o caso do castanheiro, da bétula, do carvalho, ou seja, caducifólias.
O projeto inclui ainda a beneficiação de 4.356 metros da rede viária florestal, uma intervenção particularmente relevante para melhorar as condições de acessibilidade e de operacionalidade dos meios de prevenção e combate a incêndios.
Uma floresta mais gerida e mais resiliente
A intervenção no Curral dos Romeiros enquadra-se num trabalho mais amplo que tem vindo a ser desenvolvido pela Região na gestão ativa da floresta e na prevenção dos incêndios rurais, através da criação e manutenção de faixas de gestão de combustível, limpeza de terrenos, beneficiação da rede viária florestal e recuperação e reconversão de áreas arborizadas.
Esta abordagem procura atuar não apenas na resposta aos incêndios, mas sobretudo na prevenção e redução das condições que favorecem a sua propagação, criando territórios mais preparados e aumentando a capacidade de intervenção dos meios operacionais.
Para Eduardo Jesus, a gestão da floresta exige uma intervenção permanente e integrada, que articule a conservação da natureza com a segurança do território.
“A prevenção dos incêndios começa muito antes de existir um incêndio. Começa na forma como gerimos a floresta, como reduzimos a carga combustível, como mantemos acessíveis os caminhos florestais e como recuperamos áreas que precisam de ser intervencionadas. É esse trabalho continuado que estamos a fazer na Região.”
O Secretário Regional salienta que o investimento na floresta tem igualmente uma dimensão ambiental e de adaptação às alterações climáticas, na medida em que contribui para a recuperação dos ecossistemas, para a conservação da biodiversidade e para o reforço da sua capacidade de resistência e recuperação.
“Queremos uma floresta mais cuidada, mais resiliente e mais preparada. Isso significa investir na sua recuperação, mas também garantir que existe gestão, manutenção e acompanhamento no terreno. A prevenção é um trabalho de continuidade e envolve várias entidades, desde quem gere o território e a floresta até às estruturas de proteção civil e aos meios operacionais.”
Intervenção articula prevenção e valorização florestal
No caso concreto do Curral dos Romeiros, a intervenção permite conciliar duas dimensões complementares: por um lado, a redução da carga combustível e a criação de melhores condições de acessibilidade e operacionalidade; por outro, a recuperação e valorização do espaço florestal através da instalação de nova arborização.
O projeto prevê ainda cinco regas durante a sua execução, destinadas a aumentar a taxa de sobrevivência das plantas e a garantir o sucesso da reconversão.
Os trabalhos, executados pela empresa SilviCorgo, Lda., são da responsabilidade do IFCN e constituem mais uma ação integrada na gestão do património florestal regional.
Eduardo Jesus sublinha, por isso, que “a floresta não pode ser vista apenas como uma área a preservar, mas como um território que precisa de ser conhecido, acompanhado e gerido”. “É essa gestão ativa que permite simultaneamente proteger a floresta, reduzir riscos e garantir que as gerações futuras encontram um património natural valorizado e mais resiliente”, conclui.