O Secretário Regional de Agricultura e Pescas, Nuno Maciel, esteve no Porto Santo, onde distinguiu as artesãs Maria Otília Melim e Maria Amélia Melim, pela sua arte de trabalhar o Palmito.
Ambas as artesãs, cujas carreiras haviam sido homenageadas pelo IVBAM na Semana do Artesão, em março deste ano, só agora conseguiram receber esta distinção, uma vez que na altura não lhes foi possível se deslocarem ao Funchal.
Nessa ocasião, Nuno Maciel, garantiu, em nome do governo regional, que na primeira oportunidade possível, entregaria as distinções a Maria Otília Melim e Maria Amélia Melim, o que acabou por se efetivar esta quinta-feira, na residência das artífices.
“Com esta iniciativa, o Governo Regional procura reconhecer, valorizar e divulgar o saber e trabalho destas artesãs do Porto Santo”, revelou Nuno Maciel, “salvaguardando assim um importante património cultural material e imaterial do Porto Santo”.
A arte de trabalhar a palha de palma no Porto Santo é uma das mais antigas e emblemáticas tradições artesanais da ilha. Transmitida de geração em geração, esta atividade consiste na recolha, secagem, preparação e entrançado das folhas da palmeira, dando origem a peças utilitárias e decorativas que refletem a identidade cultural porto-santense.
Durante séculos, o trabalho da palha de palma desempenhou um papel importante na economia familiar da ilha. Com recurso a técnicas manuais e a um saber-fazer apurado, os artesãos produziam chapéus, cestos, esteiras, bolsas, alcofas e outros objetos indispensáveis ao quotidiano. Cada peça exigia tempo, destreza e um profundo conhecimento das características da matéria-prima.
Atualmente, esta arte continua a ser preservada por artesãos e entidades locais, constituindo um importante património cultural imaterial do Porto Santo. Para além de manter viva uma tradição secular, o artesanato em palha de palma representa um elemento distintivo da oferta cultural e turística da ilha, valorizando a autenticidade, a sustentabilidade e a utilização de materiais naturais.
A preservação deste saber-fazer é fundamental para garantir a continuidade de uma das expressões mais genuínas da cultura porto-santense, promovendo a identidade local e incentivando as novas gerações a conhecer e perpetuar esta tradição.
Maria Amélia Melim
Maria Amélia Melim aprendeu a arte de trabalhar a palha com o seu pai, João Melim, e com a sua tia-avó Josefina Melim, criadora do processo de preparação das palhas utilizando a palmeira-das-Canárias. Antigamente, os chapéus eram feitos com palha de trigo. No entanto, Maria Amélia passou a utilizar o mesmo processo de execução aplicado ao palmito, adaptando a técnica ao novo material. Começou a fazer tranças de palha aos 9 anos de idade e, mais tarde, passou também a armar chapéus. Entre o trabalho na mercearia da família e, posteriormente, no conhecido restaurante Teodorico, pertencente ao seu marido, foi continuando a dedicar-se à produção de chapéus, atividade que mantém até aos dias de hoje.
Maria Otília Melim
Maria Otília Melim aprendeu a arte de trabalhar a palha com o seu pai, João Melim, e com a sua tia-avó Josefina Melim, criadora do processo de preparação das palhas utilizando a palmeira-das-Canárias. Antigamente, os chapéus eram feitos com palha de trigo, utilizando o mesmo processo de execução aplicado ao palmito. Aprendeu desde criança a fazer tranças de palha. No entanto, em 1969 começou a trabalhar no Hotel Porto Santo, onde permaneceu até à data da sua reforma. Apenas depois dessa fase voltou a dedicar-se à confeção de chapéus.