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Núcleo Museológico Brum do Canto

Em Outubro de 2015 foi doado ao Governo Regional da Madeira um espólio referente a Jorge Brum do Canto, pelo seu sobrinho Nuno Alves Caetano, em representação da família. O Governo Regional tomou a decisão de abrir ao público um núcleo permanente dedicado à vida e obra deste ilustre homem da cultura, com profundas raízes à Ilha do Porto Santo. 07-01-2019 DRC
Núcleo Museológico Brum do Canto

BRUM DO CANTO

A Doação


Em Outubro de 2015 foi doado ao Governo Regional da Madeira um espólio referente a Jorge Brum do Canto, pelo seu sobrinho Nuno Alves Caetano, em representação da família.
O Governo Regional tomou a decisão de abrir ao público um núcleo permanente dedicado à vida e obra deste ilustre homem da cultura, com profundas raízes à Ilha do Porto Santo.
A doação é constituída, essencialmente, por um conjunto documental e pessoal, respeitante a Jorge Brum do Canto e relativa à memória das relações da família Brum do Canto, de origem açoriana, com linhagem portossantense. 
O conjunto documental foi depositado no Arquivo Regional e Biblioteca Pública da Madeira, onde será devidamente tratado e colocado à disposição do público.
Esta exposição pretende ilustrar os múltiplos interesses de Brum do Canto, como: ator (cinema e televisão), crítico cinematográfico, realizador de cinema, presidente do Sindicato dos Profissionais de Cinema, músico, decorador, poeta, etnólogo, gastrónomo, ictiólogo e pescador desportivo. 
Do conjunto doado foi feita a seleção aqui apresentada. Pretende-se que esta exposição possa servir de base para futuros trabalhos de investigação sobre este homem multifacetado que amou profundamente o Porto Santo.
Jorge Júdice Limpo Brum do Canto 
(Lisboa, 10 de fevereiro de 1910 — Lisboa, 7 de fevereiro de 1994)

Nascido em Lisboa, foi criado no seio duma família católica e monárquica. Era filho de Salvador Manuel Brum do Canto (Açores 1885 - Lisboa 1918), advogado e deputado pela Madeira entre 1906-07, e de Bertha Júdice Rocha Rosa Limpo (Quelimane 1894 - Lisboa1976), cantora lírica e autora de O Livro de Pantagruel, ícone da gastronomia portuguesa.
As suas raízes familiares, oriundas da Madeira e dos Açores, fizeram com que as ilhas estivessem sempre ligadas à sua vida. No Porto Santo, a sua avó paterna, Maria Amélia Vaz Teixeira Perestrello Drummond da Câmara Escórcio Henriques Brum do Canto, era possuidora de vastas propriedades.
Jorge Brum do Canto fez os seus primeiros estudos em Lisboa no Anglo-Portuguese College, no Colégio Vasco da Gama e no Liceu Pedro Nunes. Frequentou Direito na Universidade de Lisboa. Viveu a sua infância e juventude num ambiente familiar de hábitos culturais e de apurado gosto artístico.
Desde muito novo assinou críticas de cinema em O Século e na revista Cinéfilo. Colaborou na Imagem e na Kino. Em 1929 tornou-se realizador de cinema com A Dança dos Paroxismos, onde era simultaneamente realizador, editor, argumentista e ator principal. Esta película, assim como a seguinte, Paisagem, não passaram, por sua determinação, no circuito comercial. 
Durante o seu percurso, como realizador de cinema, foi responsável várias vezes pelo argumento, adaptação, edição, banda sonora, efeitos especiais e figuração.
Foi uma personalidade de grande importância na evolução do cinema português, contribuindo em muito para a afirmação da sua identidade.
Tendo iniciado a sua carreira com inspiração nas vanguardas francesas, Brum do Canto afirmou-se, em Portugal, numa conjuntura de dirigismo estatal. Interessou-se sobremaneira pela evolução das tecnologias do cinema.
Faleceu a 7 de fevereiro de 1994, não deixando descendência, tendo como família próxima uma irmã e três sobrinhos.
Recebeu várias distinções como a Ordem Militar de Sant´Iago da Espada, o Prémio Popularidade da Revista Rádio e Televisão, o Óscar da Imprensa, entre outros. A título póstumo foi distinguido com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. 


Filmografia 

1929 - Realiza A Dança dos Paroxismos.
1932 - 1934 - Dirige uma série de filmes documentais.  
1935 - Colabora, como assistente técnico de Leitão de Barros, em As Pupilas do Senhor Reitor.
1936 - Colabora com Chianca de Garcia, como assistente geral, em O Trevo de Quatro Folhas. 
1938 - Escreve, realiza e edita A Canção da Terra.
1940 - Realiza João Ratão. 
1942 - Dirige Lobos da Serra, com argumento, diálogos, planificação, poemas e montagem de sua autoria. 
1943 - Realiza, planifica e edita Fátima, Terra de Fé!
1945 - Realiza, planifica, edita e concebe o guião para Um Homem às Direitas.
1946 - Realiza Ladrão, Precisa-se!...
1947 - Supervisiona Bola ao Centro, de João Moreira.
1947 - 1953 – Colabora, com Manuel da Fonseca, em Seara de Vento. Este filme foi impedido pela censura.
1953 - Realiza Chaimite. Com este filme obteve o Grande Prémio do SNI.
1962 - Apresenta Retalhos da Vida dum Médico. 
1964 - Realiza o filme Fado Corrido.
1968 - Realiza A Cruz de Ferro.
1984 - Realiza o seu último filme, 0 Crime de Simão Bolandas. Foi exibido no Funchal, a 1 de julho de 1984, no Casino Park, durante a homenagem ao ator Virgílio Teixeira.

Jorge Brum do Canto interveio em alguns dos seus filmes também como intérprete: Chaimite, A Cruz de Ferro e Fado Corrido. Na TV participou em Doze Homens em Conflito, 0 Grande Negócio e Angústia para o Jantar.

A Canção da Terra

“Nesse pedaço de terra perdida no meio do mar…”

Em 1938 estreou a sua primeira longa-metragem com um filme rodado na ilha de Porto Santo: A Canção da Terra. Conquistou a crítica com a sua exemplar montagem, a força telúrica das suas imagens, ganhando um lugar especial na história do cinema português, pela modernidade e pelo rigor da realização. 
O filme aborda o quotidiano, muito difícil dos habitantes do Porto Santo, das longas secas e das dificuldades da agricultura. Alguns habitantes da ilha foram mesmo figurantes. 
A Canção da Terra estreou nos cinemas São Luís e Condes, a 29 de março de 1938, e no Teatro Arriaga no Funchal (hoje Teatro Municipal Baltazar Dias).

O Porto Santo

Salvador Brum do Canto, fotógrafo amador, retratou as longas tardes de lazer, os dias de passeios da sua família. Captou instantâneos que ficaram eternizados da paisagem insular, hoje referentes importantes da arquitetura e vivência da ilha.  
Jorge Brum do Canto, seu filho, revelará a mesma curiosidade. Para além de ter imortalizado o Porto Santo na Canção da Terra, voltará sempre para longas estadias que tinham na caça e na aventura da pesca o grande motivo do seu fascínio.

O Pescador
Brum do Canto era um amante da natureza e sobretudo do mar. Foi o sócio nº 1 do Clube dos Amadores de Pesca Português (CAPP), em 1945. Pescador exímio, foi uma personalidade de relevo na implementação da pesca desportiva, fundamental na fruição marítima, bem como de outras atividades relacionadas com a ictiologia e piscicultura - o seu tributo para a pesca, em Portugal, foi a introdução do achigã em águas nacionais, em 1952.
Durante os anos em que viveu no Porto Santo, de 1953 a 1959, pôde dedicar-se à pesca, uma paixão que o acompanhava com o mesmo entusiasmo que dedicava ao cinema e à gastronomia. Em 1954, o Dr. António Ribeiro impulsionou a Pesca Grossa na Madeira, à qual se juntou Jorge Brum do Canto. A Madeira tornou-se famosa por este tipo de pesca desportiva, onde, à linha, se procura o espadim azul, numa competição mundial que se realiza sempre a 4 de julho desde essa data.

O Chef-gourmet 
A atividade de chef-gourmet foi uma constante na sua vida. Oriundo de uma família tradicional, detentora de numerosas receitas e segredos culinários, Brum do Canto sempre mostrou interesse em conceber e degustar. Na sua cozinha havia um armário de especiarias e temperos, e no quintal uma horta doméstica. 
A estreita ligação de Jorge com a sua mãe uniu-os nesta viagem gastronómica. Para além disso partilhavam, na casa da Avenida António Serpa, em Lisboa, o gosto pela música e poesia. Era aí que ambos escreviam, cantavam e tocavam piano. 
Bertha Rosa-Limpo, sua mãe, foi uma mulher fora do seu tempo: cantora lírica de sucesso; criadora de uma linha de cosméticos, a Thaber (anagrama do seu nome Bertha); professora de canto, compositora, intérprete, cronista da revista Modas e Bordados, a que juntou a paixão pela cozinha. No período do pós-segunda guerra mundial, Bertha lançou um livro de receitas elaboradas, O Livro de Pantagruel, que foi, para sucessivas gerações, uma bíblia da cozinha, um clássico da literatura gastronómica. Jorge foi coautor, juntamente com a sua irmã, Maria Manuela Limpo Caetano, do emblemático livro de receitas que já vai na sua 77ª edição.


Horário:
Aberto segundas e  de quarta a sábado: 10.00h - 12.30m - 14.00h -17.30m
Domingo :10.00h -13.00h
Encerrado à terça feira  e feriados.

Horário de Verão:
Meses de julho, agosto e setembro
Aberto segundas e  de quarta a sábado: 10.00h - 12.30m - 14.00h -18.00m
Domingo: 10.00h - 13.00h
Encerrado à terça feira  e feriados.
 
Ingressos:
Normal: 1,00 €
3ª Idade: 0,50 €
Cartão-Jovem: 0,50 €
Grupos: : 0,50 €
Com apresentação de bilhete da Casa Colombo: : 0,50 €
 
Visitas Guiadas:
Apenas para grupos e com marcação
 
E-mail: 

casacolombo.drc.srtc@madeira.gov.pt