Num tempo em que a educação é frequentemente atravessada por discursos instrumentais, pela razão técnica e pela dominação digital, torna-se urgente criar espaços para o incómodo, para o questionamento e para o pensamento crítico.
Diálogos (Im)Prováveis sobre Educação nasce precisamente dessa necessidade, a de reunir docentes, investigadores, elementos dos órgãos de direção, administração e gestão e outros profissionais da educação para pensar, em conjunto, e discutir de forma aberta.
Sob o foco da Administração Educacional, este Encontro propõe-se ir além das narrativas técnicas e burocráticas que tendem a dominar este campo de estudo. Pretende-se questionar, entre tantas outras coisas, por exemplo,
-Quem decide, afinal, o rumo da escola?
-Que relações de poder se tecem no interior da organização educativa?
-Como construir uma escola pública mais democrática, emancipadora, espaço de
liberdade e de justiça complexa?
-Como transformar os atos da gestão e da pedagogia mais em decisões políticas e éticas do que em meras técnicas de governança subordinadas às pressões performativas?
-Em que medida o novo paradigma subjacente aos modos de pensar e praticar a atividade inspetiva tem contribuído para a melhoria das nossas escolas?
Mais do que procurar respostas fechadas, este será um espaço de reflexão crítica, de confronto de perspetivas, de diálogo entre a “ciência dos atores” e a “ciência dos autores”, e de exploração de tensões que habitam o quotidiano das escolas.
Os “(im)prováveis” destes diálogos convidam à abertura, ao encontro entre posições divergentes, entre experiências distintas e, sobretudo, entre questões que nem sempre encontram lugar nos espaços formais. Porque talvez seja precisamente aí, no desconforto, na dúvida, no dissenso e na pluralidade — que a educação, lato sensu e a administração educacional stricto sensu podem voltar a ser pensadas com profundidade.
Programa:
08:30 h Registo
09:15 h-Momento musical: alunos do Conservatório – Escola das Artes da Madeira, Eng. Luiz Peter Clode, de cordofones, acompanhados pelo professor Roberto Moniz
09:30 h-Sessão de abertura
-Elsa Fernandes-Secretária Regional de Educação Ciência e Tecnologia-Pedro Santos Gouveia-Presidente do Conselho Diretivo do -Instituto de Emprego da Madeira, IP-RAM
-Jorge Morgado-Diretor da Inspeção Regional de Educação
10:15 h-Conferência:
-Ariana Cosme-Inspetora Geral de Educação e Ciência
Moderadora: Noélia Campos
11:00 h-Pausa
11:15 h Painel:
"Mais Formação, Mais Avaliação, Mais Reuniões... Melhor Escola?".
-Guilherme Silva–Instituto de Educação-Universidade do Minho
-Jorge Morais-Inspeção Geral de Educação e Ciência-Rui Trindade-Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação-Universidade do Porto
Moderadora: Carla Teixeira
12:30 h-Discussão
13 h-Intervalo para almoço
14:30 h-Painel:
“Reconfigurações nos modos de Governação das Escolas: que lugar para a Democracia?”
-António Neto-Mendes Departamento de Educação e Psicologia-Universidade de Aveiro
-Fernanda Martins-Instituto de Educação-Universidade do Minho
-Virgínio Sá-Instituto de Educação-Universidade do Minho
Moderador: João Estanqueiro
16:00 h-Pausa
16:30 h-Discussão
17h-00 h-Encerramento
-Jorge Morgado-Diretor da Inspeção Regional de Educação
Formação validada de acordo com a Portaria n.º 36/2021, de 18 de fevereiro, (Candidatura ITG-4466/26), pela Direção Regional de Educação para efeitos de progressão na carreira docente.
Os docentes interessados deverão elaborar uma reflexão crítica sobre um dos temas abordados, preferencialmente centrada no contexto educativo regional, num máximo de duas páginas A4, com letra Times New Roman, tamanho 12 e espaçamento 1,5.
O trabalho será avaliado de acordo com a qualidade* e rigor** demonstrados (100%). e deverá ser enviado até ao dia 31 de outubro de 2026 para o seguinte endereço de correio eletrónico: ire@madeira.gov.pt
*A qualidade em educação não se limita a indicadores técnicos ou estatísticos, mas inclui dimensões éticas, humanas e sociais.
**Quanto ao rigor, apela-se à fundamentação teórica, coerência interna do texto (introdução, desenvolvimento, conclusão), precisão metodológica (clareza nos critérios de análise e nas fontes utilizadas) e responsabilidade ética, designadamente num quadro de respeito pelos valores democráticos e pelos princípios da ciência, tendo em conta as recomendações internacionais e nacionais sobre ética e investigação científica.
Comissão Organizadora:
António Neto-Mendes
Carla Teixeira
Fernanda Martins
Guilherme Silva
João Estanqueiro
Jorge Morgado
Noélia Campos
Rui Osório
Virgínio Sá