Miguel Albuquerque diz que a instalação na Região, “finalmente”, dos novos equipamentos no Aeroporto da Madeira – que permitirão que daqui a um ano, após 365 dias para monitorização dos ventos e da precipitação em redor daquela infraestrutura, se possam definir novos limites de vento para as operações aéreas na ilha – era um dos seus, e dos seus governos, grandes objetivos.
O presidente do Governo Regional falava no Aeroporto da Madeira, durante a apresentação dos equipamentos (um LIDAR e um Radar Bnada X) que englobam o Sistema para Deteção e Alerta de Turbulência e de Wind Shear no Aeroporto da Madeira”. Um investimento da NAV Portugal, avaliado em 3,5 milhões de euros.
O líder madeirense recordou as reuniões que manteve, em 2015, logo que chegou a presidente do Governo Regional, com o então presidente da NAV Portugal, que permitiram lançar-se as bases para um grupo de trabalho que decidiu avançar para a aquisição e instalação dos desejados radares que medirão o vento e a precipitação em redor do aeroporto da Madeira, num raio superior a 10 quilómetros, permitindo viabilizar operaç~es que hoje são canceladas, sempre em segurança.
«Este equipamento será muito importante, para que possamos ultrapassar um anacronismo. Que é a fixação de limites que foi estabelecida em 1964, há 60 anos, numa altura em que foi usado um avião ainda da Segunda Guerra Mundial e que usava uma tecnologia que nada tem a ver com a que existe hoje. A ideia é que agora possamos monitorizar a evolução do vento e que esse estudo possa, depois de finalizado, permitir que alteremos os limites que estão fixados», explicou.
Segundo Miguel Albuquerque, basta alterarmos três nós nos limites do vento, para que possam ser viabilizadas 80% das operações aéreas que hoje são canceladas.
Desta forma, diz que este investimento da NAV Portugal, do Governo português, «é algo essencial para o desenvolvimento da Madeira e para a viabilidade e credibilidade deste aeroporto, sendo que algo que é também muito importante para o nosso País».
Um investimento que fez questão de agradecer ao secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, e ao CEO da NAV Portugal, Pedro Ângelo. E enalteceu: «Vejo em vossas excelências uma dinâmica e uma vontade de mudar as coisas que é essencial para o desenvolvimento da nossa Região e do nosso País. Não têm medo de tomar decisões, o que é essencial num político».
No entanto, apesar de estar muito satisfeito com estes equipamentos, avisou: «Estes estudos que vão definir os novos limites dos ventos têm de ser acelerados. Não é para se ficar aí a estudar, estudar e não se tomar, depois, decisões. E ainda bem que esta comissão não foi uma daquelas que o dr. Salazar fazia, para não se decidir nada. Esta, pelo menos, decidiu alguma coisa. Para o bem de todos».
Na cerimónia, que decorreu nas instalações da gare do Aeroporto da Madeira, Miguel Albuquerque fez ainda questão de deixar um desafio, embora ressalvando que não será uma obra para o seu tempo de governante.
«Acho que temos de começar a considerar para o futuro, de planear com tempo um segundo aeroporto na Madeira. Podemos considerar executar na parte alta da zona oeste uma unidade aeroportuária, que permita não só assegurar toda a viabilidade da operação aérea para a Madeira, sem cancelamentos, como também fazer face a um crescimento exponencial das operações», avançou.
Miguel Albuquerque diz que até pode parecer uma ideia muito louca, mas não é. Por exemplo, recorda, Tenerife tem.
«Não é uma hipótese descabida, é uma hipótese que tem de ser considerada, atendendo à evolução das nossas ilhas e da nossa sociedade», salientou.
Antes, tinha explicado aos presentes que a Madeira, enquanto região ultraperiférica e insular, tem de fazer uma aposta decisiva em duas frentes: conexões aéreas e conexões digitais.
«E essas conexões aéreas têm de ser consubstanciadas num princípio fundamental: que a ultraperiferia não pode ser penalizada tendo em vista as políticas ambientais da União Europeia. Daí termos de continuar a insistir, no quadro das regiões ultraperiféricas da União Europeia, na derrogação da taxa de carbono relativamente ao voo que vem da Europa ou outros internacionais para as ilhas», explicou.
Segundo o governante, «tem sido uma luta muito intensa, para que não se aplique nas regiões ultraperiféricas essa taxa de carbono».
No seu discurso voltou a defender a aposta, da Região, na transição digital e na tecnologia, sublinhando que esta é também muito boa para o ambiente, ao provocar a desmaterialização (cada vez mais coisas reunidas apenas num aparelho) e a perda de densidade dos equipamentos (cada vez mais pequenos e mais leves).
O presidente do Governo Regional relevou igualmente a aposta muito grande que os seus governos têm feito nas ligações por cabo ótico: «O cabo de ligação digital que existia estava privatizado, o que não deixa de ser estranho. Depois de a Madeira ter assegurado a ligação ao cabo que liga o continente americano e a Europa, vamos também fazer uma nova ligação ao Porto Santo».
Este sistema de alta tecnologia, hoje apresentado, foi contratado à empresa DTN Services and Systems Spain, tendo sido desenvolvido com o objectivo de reforçar a capacidade de monitorização e resposta a fenómenos atmosféricos adversos que desafiam a aproximação e aterragem no aeroporto madeirense. A implementação é uma das medidas propostas pelo Grupo de Trabalho para o Aeroporto da Madeira.
O Sistema MAD Winds é essencialmente constituído por um LIDAR e por um RADAR Meteorológico, equipamentos que medem o vento em todas as condições meteorológicas, e por um complexo sistema de Processamento e Visualização que trata os dados medidos, através de algoritmos especificamente desenhados para o efeito, e gera mensagens de alerta e produtos meteorológicos que são disponibilizados nos Serviços de Tráfego Aéreo e nos Serviços de Meteorologia, respetivamente.
Ao localizar e caracterizar fenómenos de vento adversos a muito curto prazo, proporcionará um conhecimento mais efetivo das condições de vento que estão a ocorrer, muito particularmente durante as fases mais críticas do voo – aproximação, aterragem e descolagem.
Os alertas gerados automaticamente serão transmitidos pelo controlo de tráfego aéreo às aeronaves e constituirão um suporte relevante nas tomadas de decisão sobre as condições da operação, aumentando a confiança por parte das tripulações, que ficam cientes das condições meteorológicas que podem vir a enfrentar.
Adicionalmente, o sistema permitirá aumentar a eficiência da gestão do tráfego aéreo, da gestão operacional das companhias de aviação e da gestão aeroportuária.
Por se tratar de um sistema inovador, iniciará um período de pré-operação de 365 dias, durante o qual será continuamente avaliado e submetido a ajustes na sua configuração e parametrização, de modo a que o seu funcionamento seja otimizado para as características físicas e operacionais do Aeroporto da Madeira.