Miguel Albuquerque disse mesmo terem aqueles «um papel fundamental do ponto de vista da construção de uma Sociedade mais humana, mais coesa, onde todos têm direito a novas oportunidades, onde todos, independentemente do lugar onde nasceram ou em que família, têm direito, em função do seu trabalho e das suas capacidades, a uma mobilidade social».
Mas, alertou, «também um papel estabilizador de uma Sociedade humanizada e democrática.
Na sua intervenção, o líder madeirense fez ainda votos de que a nova direção do ISSM, agora liderada por Nivalda Gonçalves, faça um bom trabalho. E lembrou o que levou à criação da Segurança Social, destacando os contributos de Charles Dickens e George Orwell, através dos seus escritos e recordando o papel do antigo chanceler alemão, Otto Von Bismark, que foi o primeiro político a instituir um regime de Segurança Social.
Depois, a partir da segunda guerra mundial, historiou, «é criado o Estado Social na generalidade dos países europeus e esse Estado Social vai ser uma conquista fundamental das Democracias, sobretudo das democracias ocidentais, e vai proporcionar as melhores condições de vida de sempre aos povos onde o Estado Social está presente».
Ao longo dos anos, destacou, esse Estado Social tem evoluído e sido cada vez mais abrangente na sua atividade. De tal forma que hoje já se colocam questões sobre os desafios que são colocados à Segurança Social.
A propósito, defendeu que um dos desafios é assegurar o financiamento da Segurança Social. «A solução para a manutenção de uma Segurança Social ativa, com liquidez e solvência, é continuarmos a ter um crescimento da Economia adequado ao nosso desenvolvimento. E esse crescimento só poderá acontecer com uma aposta na Tecnologia e os serviços públicos», explicou.
Segundo Miguel Albuquerque, «o papel da Segurança Social, para além de uma Humanização do relacionamento entre as pessoas, tem também a ver com um princípio político fundamental, que Von Bismark percebeu: é que as Sociedades, para vivermos muito bem uns com os outros, devem ter coesão económica e social, devem ter mobilidade social e devem ter novas oportunidades».
Miguel Albuquerque disse ainda que uma das maiores conquistas da Humanidade é o aumento da esperança média de vida. «Isso traz encargos, como é óbvio, para o Estado. Mas, é a maior bênção! Mas, esses encargos vão implicar uma reformulação do próprio sistema da Segurança Social».
«Porquê é que nós aprovámos recentemente uma lei que vai, na Madeira, garantir uma carreira, melhor remuneração e incentivo aos cuidadores domiciliários? Porque, no fundo, são uma das profissões mais importantes para a nossa Sociedade. Este tipo de carreiras tem de ser valorizadas e introduzidas com incentivos no nosso Sistema», defendeu.
Outro desafio prende-se com um conjunto de doenças que estão a ter um maior impacto agora, como as de Parkinson ou as de Alzheimer, «que é algo que decorre do aumento exponencial do aumento da esperança média de vida». «E que vai obrigar a uma reestruturação da forma como as instituições vão intervir. Veja-se o caso do primeiro centro de Alzheimer em Portugal, que foi aquele criado pelo padre Bernardino na Ribeira Brava e que vai ser ampliado agora», adiantou ainda.
Aos presentes, lembrou as inovações que vão acontecer no âmbito do apoio domiciliário aos idosos: «com as inovações tecnológicas terão muito mais facilidades em ter um idoso na sua casa e conseguirem monitorizar, em tempo real todas as patologias e a evolução das patologias dessa pessoa».
Por tudo isto, Miguel Albuquerque reiterou, por mais de uma vez, a importância cada vez maior da Segurança Social, nomeadamente no combate às disfuncionalidades políticas das nossas sociedades: «Estamos aqui a falar da polarização política e há que ter a lucidez e a inteligência para distinguir o que é demagogia e o que é populismo. A conversa sobre a Imigração é completamente louca, porque as sociedades europeias não conseguem viver sem a Imigração. Aliás a própria Segurança Social necessita desses
contributos dos imigrantes, que são dos principais contribuintes ativos para a Segurança Social».
Mais tarde, questionado acerca da Imigração na Madeira, voltou a defender as portas abertas aos imigrantes, lembrando que o que temos de ter cuidado é com a imigração ilegal, desordenada.
«A Imigração na Madeira está bem ordenada e integrada. Temos é de ter cuidado é com alguma imigração que possa não estar ordenada. A Inspeção de Trabalho está a fazer esse trabalho de controlo, até para defesa dos próprios trabalhadores», revelou.