A 20 de setembro, a Madeira junta-se a centenas de iniciativas espalhadas pelo mundo para assinalar o Dia Internacional da Limpeza Costeira. A Direção Regional de Ambiente e Mar (DRAM) volta a dar o exemplo na defesa do património natural e assinala a data uma grande ação de voluntariado ação no Porto de Abrigo do Paul do Mar, entre as 10h00 e as 13h00. A DRAM convida a população em geral, associações e instituições a participarem nesta mobilização global pela saúde dos oceanos.
O desafio é simples: três horas, um objetivo comum: tornar a costa mais limpa e sensibilizar para a urgência de reduzir o lixo marinho. A iniciativa insere-se no movimento global lançado pela organização internacional Ocean Conservancy, criada há mais de 30 anos, e transformou-se num dos maiores movimentos ambientais de voluntariado, envolvendo anualmente centenas de milhares de pessoas em mais de 100 países. O objetivo é comum: recolher resíduos, documentar a sua origem e sensibilizar para o impacto crescente do lixo marinho nos ecossistemas.
Na Madeira, o convite é lançado a todos: cidadãos, associações, escolas e instituições públicas ou privadas. Os interessados podem inscrever-se através de formulário online disponibilizado pela DRAM e integrar esta corrente mundial que, há mais de três décadas, prova que pequenas ações locais têm impacto à escala planetária.
Na Madeira, a Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura assume este desafio como uma causa essencial. “Queremos que esta iniciativa seja mais do que uma ação de limpeza. É um gesto de cidadania e de responsabilidade coletiva, que reforça a Madeira como uma região ativa na defesa do oceano. O lixo que chega às nossas costas, muitas vezes vindo de outros continentes, recorda-nos que os mares não têm fronteiras e que a solução só pode ser global”, afirma o secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus.
O governante sublinha que a participação da comunidade é essencial para transformar esta data numa mensagem duradoura: “Cada voluntário que se junta a este esforço está a assumir um papel fundamental na construção de um futuro mais sustentável. Esta é também uma mensagem para fora: a Madeira quer ser reconhecida como um território que valoriza o ambiente e que contribui ativamente para as soluções globais.”
Uma rede de iniciativas em todo o arquipélago
A ação do Paul do Mar será o ponto de partida das comemorações regionais, mas a DRAM desafia também entidades públicas e privadas a organizarem outras iniciativas, entre 20 e 28 de setembro, em diferentes pontos do arquipélago. As propostas poderão ser registadas através do mesmo formulário de inscrição, permitindo às equipas receber apoio e enquadramento no movimento global.
“Quanto mais descentralizada for esta mobilização, mais forte será a mensagem. Queremos ter ações não só no sul, mas também no norte, no Porto Santo e até nas nossas zonas mais remotas, mostrando que a proteção dos oceanos é um esforço coletivo”, reforça Eduardo Jesus.
O diretor regional de Ambiente e Mar, Manuel Ara Oliveira, acrescenta uma dimensão mais científica e pedagógica à ação. “Cada saco de lixo retirado da costa representa mais do que um espaço limpo. É informação valiosa sobre os materiais que circulam nos nossos mares e é uma oportunidade para sensibilizar a população a reduzir o consumo descartável e adotar comportamentos mais responsáveis”, explica.
Nos últimos quatro anos, o programa regional permitiu recolher mais de 14 toneladas de resíduos nas ilhas da Madeira, Porto Santo e Selvagens. Destes, cerca de 80% correspondem a plásticos, em grande parte provenientes de atividades marítimas internacionais, como a pesca e a aquacultura. “Estamos a gerar conhecimento científico que nos permite dialogar com outros países e, ao mesmo tempo, a criar um movimento cívico que fortalece a literacia ambiental da Região”, acrescenta Manuel Ara Oliveira.
A localização geográfica do arquipélago coloca-o numa posição-chave na monitorização do lixo marinho do Atlântico Norte. Estudos realizados com base na metodologia da Convenção OSPAR revelam que as praias do norte da Madeira, mais expostas às correntes dominantes, apresentam valores muito superiores de resíduos em comparação com a costa sul.
“Este é um sinal claro de que estamos perante um problema transnacional. Já recolhemos etiquetas plásticas vindas do Canadá, resíduos de aquacultura da Galiza ou até fragmentos de embalagens originárias dos Estados Unidos. É o oceano a mostrar-nos que aquilo que fazemos localmente tem consequências muito para além das nossas fronteiras”, sublinha o diretor regional.
O Governo Regional considera que este é, também, um momento de educação ambiental ativa, em que o exemplo pode inspirar mudanças de comportamento. “Apesar dos avanços, os dados demonstram que ainda há hábitos enraizados que precisamos de mudar. Só em beatas de cigarro, recolhemos mais de 34 mil unidades desde 2021. A solução não passa apenas por limpar, mas por reduzir o consumo e adotar atitudes mais conscientes”, recorda Eduardo Jesus.
As campanhas regulares, realizadas em março, julho e novembro, têm contribuído para manter o tema na agenda pública, envolvendo escolas, empresas e comunidades locais. O Dia Internacional da Limpeza Costeira vem reforçar esse esforço, colocando a Madeira lado a lado com centenas de regiões que partilham o mesmo desafio.