No âmbito do Projeto LIFE Freiras, o Instituto de Florestas e Conservação da Natureza -IFCN, entidade tutelada pela Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, criou um guia de boas práticas para utilização do Maciço Montanhoso Oriental, em particular na área entre o Pico do Areeiro e o Pico Ruivo.
Este documento, cujo lançamento será acompanhado por uma campanha nas redes sociais do IFCN, compila um conjunto de orientações importantes para todos os que visitam o Maciço Montanhoso Oriental (MMO), quer sejam locais e conhecedores desta área ou turistas.
As orientações dirigem-se também a operadores turísticos, desportistas e empresas de animação e de organização de eventos que procuram o MMO para desenvolver as suas atividades, indicando os comportamentos que são aceitáveis no local e reforçando a importância do compromisso que é necessário para dinamizar ações num habitat com recursos únicos e que nos compete conservar.
A criação desde documento, que sistematiza os comportamentos aconselhados e os não permitidos no MMO, adveio da importância de sensibilizar, todos os utilizadores daquela área protegida, para a importância da adoção de condutas adequadas nas várias atividades que ali podem ser desenvolvidas, por forma a garantir a utilização do espaço sem criar um impacto negativo para os recursos naturais que o compõem.
Assim, as recomendações abrangem aspetos vários, a começar pela preparação da visita, a consulta prévia das informações meteorológicas para o dia a visitar, as condições de acesso ao local, do estado do percurso que se pretende realizar, bem como da necessidade de autorizações ou da realização de pagamentos é fundamental. Também fornece informações importantes como a escolha do vestuário, calçado e equipamento necessários e adequados, e cuidados com a alimentação/hidratação.
Por mais básicas que pareçam todas estas indicações, os agentes que monitorizam o MMO constatam diariamente situações de impreparação dos visitantes para a realização do percurso pretendido, comprometendo a segurança das pessoas e do habitat.
O Secretário Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, acredita que, se os utilizadores desta área protegida, ao planearem a sua vista, consultarem as informações disponibilizadas no guia de boas práticas, podem melhor conhecer e compreender as caraterísticas únicas do MMO e assim contribuir para a sua salvaguarda. “Se os visitantes conhecerem a sensibilidade deste habitat, por exemplo, a eventos extremos, que provocam erosão, a maior dificuldade de adaptação das plantas que o compõem e que ainda competem com espécies invasoras, compreenderão melhor este habitat e a necessidade dos comportamentos adequados”, refere.
O visitante do Maciço Montanhoso Oriental que pretende usufruir deste ‘cenário’ deve saber que está a visitar o único local do mundo onde nidifica a freira-da-madeira, espécie de ave marinha que apenas se reproduz em locais específicos daquela área, além de várias espécies de plantas endémicas que desafiam a cada estação as condições rigorosas deste habitat.
“Para a preservação de todos estes elementos únicos é fundamental, principalmente que todos cumpram e façam cumprir as boas práticas”, salienta o governante. “Esta campanha, promovida pelo IFCN visa que que estas práticas sejam do conhecimento generalizado”.
Assim, acrescenta, “o guia de boas práticas agora apresentado constitui um instrumento essencial para garantir que o Maciço Montanhoso Oriental possa continuar a ser vivido e apreciado por todos, sem comprometer os valores naturais e culturais que lhe dão identidade”. Este documento representa um compromisso coletivo: “cada visitante, cada operador turístico, cada entidade que utiliza o Maciço Montanhoso Oriental passa a ter em mãos uma ferramenta que o ajuda a compreender melhor a sensibilidade desta área e a adotar comportamentos responsáveis. Só com a adesão generalizada a estas práticas conseguiremos proteger as espécies endémicas, os habitats frágeis e a própria experiência de visita, que se torna mais segura e enriquecedora”.
Eduardo Jesus convida, por isso, todos a conhecerem este guia, a aplicarem as suas orientações e a partilharem esta mensagem. “A proteção do Maciço Montanhoso Oriental não é apenas uma responsabilidade das entidades públicas, mas de todos os que dele usufruem. A preservação deste património natural depende da consciência e da ação de cada um de nós.”
O guia de boas práticas pode ser consultado em https://www.lifepterodromas-ifcn.pt/_files/ugd/7e52ef_13ed7472e6f745d4bf409132c9680b71.pdf