Existem no sistema regional de ensino da Região Autónoma da Madeira 50 alunos cegos, com baixa visão e surdocegos. O dado foi revelado no Dia Internacional da Bengala Branca (15 de outubro), instituído em 1970, pela União Mundial de Cegos em conjunto com a UNESCO, para celebrar a autonomia das pessoas cegas (bengala branca), com baixa visão (bengala verde) e surdocegas (bengala vermelha), relativamente à sua mobilidade.
No corrente ano letivo, estes 50 estudantes são acompanhados por 27 profissionais que formam a equipa da Divisão de Acompanhamento à Surdez e Cegueira (DASC), entre os quais se contam quatro Assistentes Operacionais, seis Assistentes Técnicos, 14 Técnicos Superiores Especializados, dois docentes (com horário nesta divisão) e um Responsável do Serviço/Psicólogo.
Para além destes, existem também 17 docentes afetos às Escolas de Referência (ES Francisco Franco e EB/PE Bartolomeu Perestrelo) e a outras escolas e serviços da Direção Regional de Educação, nomeadamente sete de Língua Gestual Portuguesa (LGP), cinco especializados em Surdez e cinco especializados em Cegueira e Baixa Visão.
Para assinar o Dia Internacional da Bengala Branca, a Secretaria Regional de Educação, Ciência e Tecnologia promoveu uma iniciativa que reuniu, no auditório da EBS Dr. Luís Maurílio da Silva Dantas, docentes, não docentes, dirigentes das Escolas de Referência no Domínio da Visão e profissionais especializados no âmbito da intervenção na cegueira e na baixa visão, para abordar temas como “A Importância das Técnicas Específicas de Orientação e Mobilidade no Quotidiano da Pessoa Cega” e “Experiência Sensorial e Atividades de Orientação e Mobilidade”.
Na oportunidade, a Secretária Regional de Educação, Ciência e Tecnologia, Elsa Fernandes, reafirmou o compromisso do Governo Regional de garantir uma educação verdadeiramente acessível, equitativa e inclusiva. «A inclusão não é apenas uma política pública. É um valor humano, é um princípio ético e social que deve estar presente em todas as salas de aula, em todas as escolas e em todas as comunidades educativas. Sabemos que a educação inclusiva exige mais do que palavras: requer formação de professores, recursos acessíveis, infraestruturas adaptadas e, sobretudo, atitudes inclusivas. E é com esse propósito que temos investido na capacitação de educadores e professores, na adaptação de materiais pedagógicos em braille e áudio, na implementação de tecnologias adaptadas», sublinhou a governante, reconhecendo e homenageando todas as pessoas cegas e com baixa visão que, com determinação e coragem, ensinam diariamente que a limitação está apenas na falta de oportunidade.
«A cada aluno, a cada profissional e a cada família que luta por uma sociedade mais acessível, deixo o meu mais profundo respeito e gratidão. A bengala branca é um convite para que todos possamos ver além das aparências, ouvir com empatia e agir com compromisso. Que esta data nos inspire a construir uma educação que acolhe, transforma e liberta; uma educação que reconhece a diversidade como a nossa maior riqueza», concluiu Elsa Fernandes.