Miguel Albuquerque aproveitou a cerimónia das 500 maiores empresas para falar do desafio que a Madeira terá de vencer, que é prestar cada vez mais serviços e produzir produtos de valor acrescentado. Ou seja, cada vez melhores
serviços e melhores produtos. Uma aposta na qualidade, porque em escala, lembrou, a Região não pode competir.
O presidente do Governo Regional – que falava na cerimónia da 36ª edição das “500 Maiores Empresas”, uma organização do Diário de Notícias da Madeira – anunciou aos empresários ali presentes que a Madeira vai continuar a apostar no upgrade dos seus sectores tradicionais. «Não vale a pena estarmos a flagelar o Turismo. O Turismo não vai desaparecer, é a pedra angular da nossa Economia», avisou
Porque, segundo o líder madeirense, é preciso entender que «a nossa diversificação económica – basta ver o crescimento exponencial das nossas empresas tecnológicas – tem de ser complementada por um conjunto de negócios, cujo núcleo central é composto pelas nossas principais atividades económicas».
Desta forma, garantiu que a Região, em todas as áreas económicas, tem «um grande desafio: que é prestar serviços e produtos com mais valor acrescentado».
«Para termos maior valor acrescentado, temos de ter melhores produtos e melhores serviços. Este é o nosso desafio, Nós não vamos crescer em escala. Vamos crescer, sim, em rendimento e valor acrescentado», estabeleceu.
A propósito do que dizia, deu o exemplo da aguardente de cana, «que foi promovida a rum em 10 anos e que nesses 10 anos passou de um volume de negócio de 400 mil euros para 7,7 milhões de euros».
«Se olharmos para o Turismo, é óbvio que o preço, nos serviços turísticos e no rendimento por quarto, tem assentado na subida do preço. Mas, a subida do preço tem assentado, por sua vez, na melhoria da prestação do
serviço, da qualidade do serviço. E é essencial que se continue a fazer isso», advogou.
Segundo Miguel Albuquerque, a Madeira «nunca poderá ter uma economia “a vender gato por lebre”». «Nós temos que ter um melhor preço, melhor serviço e melhor produto. Em todas as áreas. Este é desafio que nós temos», complementou.
Um desafio que é do Governo, da Região, da sua população, mas que «é sobretudo dos agentes económicos». «E tenho a certeza de que vamos vencê-lo», assegurou.
Aliás, o discurso de Miguel Albuquerque foi muito centrado nos agentes económicos e nos resultados da nossa Economia.
Logo de início, começou por dizer ser com grande gosto que estava naquela cerimónia, «junto dos principais agentes económicos da Região».
Depois, fez questão de agradecer, em nome do seu Governo, «mais um ano de duro trabalho, mais um ano de investimento contínuo, mais um ano de crescimento económico, mais um ano a assegurar bons empregos e boas remunerações à nossa população e mais um ano onde o Governo é vosso parceiro, não interventivo, no sentido de garantir que os negócios continuam a prosperar».
Durante a sua intervenção, Miguel Albuquerque falou ainda do crescimento económico RAM que acontece há 54 meses consecutivos e com um aumento de 3,2% cima da média nacional, se tivermos em conta os resultados entre 2023 e 2025.
Um crescimento que, salientou, permitiu a evolução do PIB regional para um valor que vai ultrapassar a barreira, em 2025, dos 8 mil milhões (previsão acima 8 mil e 40 milhões de euros) e com uma previsão para 2026 de 8.460 milhões
de euros. Ou seja, o PIB per capita regional está em 108%, acima da média nacional
«Ou seja, nós partimos de uma situação de desvantagem estrutural e tivemos de fazer um esforço acrescido no sentido de alcançar estes números. Quem foi é que fez esse esforço? Os investidores, os trabalhadores da Madeira, os cidadãos, as famílias. Quem investe, quem arrisca e quem transforma economicamente a nossa terra», elogiou.
Resultados que lhe permitiram dizer que «estamos de parabéns» e que aqueles «números são irrefutáveis e vale a pena olharmos para eles, porque são o resultado do nosso esforço coletivo».
O presidente do Governo enalteceu ainda a queda abrupta do desemprego (5,6%, o mais baixo dos últimos 22 anos) e a previsibilidade e equilíbrio orçamental, que vieram permitir o equilíbrio das Contas Públicas e uma baixa dívida pública, muito inferior à nacional e à da média europeia, em função do PIB.
Uma dívida pública que, em percentagem em relação ao PIB, é de 61% na Região, de 90,2 a nível nacional e de 81,9 na Europa. «Quem iria dizer que uma região tão flagelada pelos comentários negativos, há anos, tem agora uma dívida mais baixa do que o País e do que a União Europeia», salientou.
E, anunciou, o objetivo a curto prazo passa por fazer baixar a dívida pública para baixo dos 60% em função do PIB.
O governante lembrou ainda o próximo Orçamento Regional, de 2.329 milhões de euros. Que vai prosseguir com o pacote desagravamento fiscal, no máximo que «é possível. «Estamos num quadro onde estamos limitados na redução fiscal a 30%», lamentou.
A propósito, sublinha que sempre defendeu a redução dos impostos, enfatizando que «uma redução fiscal leva a uma maior coleta fiscal». Que, no caso da Madeira, aumentou 17,8%. «Se os impostos são mais baixos os agentes económicos têm maior liquidez para os pagar», resumiu.
Desta forma, disse que será mantido o diferencial do IRC nos trinta por cento. Não o valor desejado pela Região, mas que, graças à decisão do Governo da República em reduzir em um ponto percentual o IRC, vai permitir que o IRC na Madeira estará nos 13,3%, no próximo ano.
«A minha ideia era termos já um IRC de 10%, para podermos ser mais competitivos do que a Irlanda. Mas, penso que daqui a três anos vamos ter os 10%, finalmente», salientou.
Paralelamente, vai haver uma redução de IRS, no máximo possível dos 30% em relação ao Continente, até aos nono escalão.
Toda esta redução fiscal, enalteceu, vai fazer com que haja uma devolução às famílias e às empresas, através da menor carga fiscal, de 222 milhões de euros.
«Menos 147 milhões de euros no IRS – com ainda a retenção na fonte dos recibos verdes para 23% e os liberais para 16,1% - e menos 50 milhões de euros no IRS. O restante (25 milhões de euros) virão da redução fiscal no IVA reduzido a 4% nos produtos essenciais e também da descida dos impostos sobre os combustíveis», elencou.