O Governo Regional, através da Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, volta a apostar na recuperação do património cultural religioso da Região, nomeadamente na Conservação e Restauro das Capelas da Igreja de São João Evangelista (comummente conhecida como Igreja do Colégio), no Funchal. Para o efeito foi recentemente aprovada uma candidatura ao Programa Regional da Madeira 2021-2027 (FEDER – Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional) no valor de cerca de 2,65 milhões de euros, comparticipada a 85% por aquele fundo. O procedimento será lançado em 2026.
A intervenção em causa visa a realização de ações de conservação e restauro do património móvel da Igreja de São João Evangelista, no Funchal. Os trabalhos incidirão sobre todos os elementos decorativos da nave, capelas e sacristia, nomeadamente, sobre a conservação e restauro de talha dourada e policromada, pinturas sobre tela, sobre madeira e sobre pano, imagens policromadas, madeiras com pinturas, mármores, pedras diversas com e sem policromia, têxteis, tijoleiras, rebocos, entre outros.
Pretende ainda proceder à remodelação/atualização da iluminação da igreja, de forma a garantir a melhor iluminação da área a conservar, assim como reduzir os consumos e garantir a durabilidade dos equipamentos.
A verba inclui os custos com a vinda à Madeira de especialistas do Laboratório José de Figueiredo, do Museus e Monumentos de Portugal, EPE, que irão acompanhar a intervenção, e outros especialistas que possam vir a ser convidados, assim como, a aquisição de serviços para o registo e divulgação da intervenção e ações de divulgação.
Refira-se ainda que esta obra visa dar continuidade ao projeto cofinanciado pelo Programa Operacional para a Região Autónoma da Madeira (POPRAM III), realizado entre 2002 e 2006, que teve como objetivo a conservação e restauro do teto e das paredes laterais da nave da Igreja.
Como recorda a Direção Regional da Cultura, a Igreja de São João Evangelista foi edificada em 1629 e devido à monumentalidade e riqueza do empreendimento, as obras prolongaram-se até a primeira metade do século XVIII. Nessa altura encontravam-se em fase de acabamento diversas obras de carácter decorativo tais como as pinturas da sacristia, os últimos trabalhos de talha, a colocação de alguns revestimentos de azulejaria e a integração das estátuas - Santo Inácio de Loyola, S. Francisco Xavier, S. Estanislau e S. Francisco de Borja - na fachada principal. A construção assumiu uma tipologia típica das igrejas da Companhia de Jesus, cuja organização elegante e funcional lhe conferiu uma grande unidade espacial e um notável carácter monumental.
No interior, a Igreja apresenta ampla e espaçosa nave, composta pelas capelas laterais, intercomunicantes e com arcos decorados, pelo falso transepto, com profundidade ao nível das capelas anteriores e pela capela-mor, pronunciada. No seu espaço realça-se a riqueza da decoração e do cromatismo, tudo preenchendo o mais ínfimo pormenor, não deixando assim lugar para espaços vazios. Na ilha da Madeira uma das manifestações artísticas mais notáveis em talha está na Igreja de São João Evangelista seja o conjunto de retábulos de talha dourada, de estilo barroco e maneirista, que decoram de forma grandiosa as capelas laterais e a capela-mor.
A Igreja de São João Evangelista está classificada como Monumento Nacional desde 1948 (Decreto nº 37 077, DG, 1.ª série, n.º 228 de 29 abril de 1948) e como sendo um imóvel VCR - Valor Cultural Regional desde 1998 (Resolução do Presidente do Governo Regional n.º 1294/98, JORAM, 1.ª série, nº 77 de 12 outubro 1998)
Para o Secretário Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, esta intervenção “representa mais um passo firme na estratégia que o Governo Regional tem vindo a desenvolver ao longo dos últimos anos, centrada na preservação e valorização do património cultural do arquipélago”. O governante lembra que esta aposta “tem permitido recuperar imóveis, coleções e conjuntos artísticos de enorme relevância histórica, assegurando a continuidade de uma identidade cultural que distingue a Região no panorama nacional e internacional”.
Segundo Eduardo Jesus, “a recuperação do património móvel e imóvel da Região não é apenas um compromisso com a memória coletiva, mas também um investimento claro na qualificação da nossa oferta cultural e turística, cada vez mais procurada por quem visita a Madeira e o Porto Santo pela autenticidade e pela riqueza patrimonial”. O secretário regional sublinha que “esta intervenção é uma mais-valia para o imóvel e para a Região, tanto do ponto de vista turístico — uma vez que a cidade passará a dispor de um percurso artístico e religioso valorizado, capaz de atrair um maior número de visitantes — como para o quotidiano da população, já que esta igreja faz parte do dia a dia de muitos cidadãos.”
O responsável pela tutela realça ainda que “a Igreja do Colégio é um dos mais importantes símbolos do legado jesuíta no arquipélago, um espaço onde se cruzam arte, espiritualidade e história, e cuja preservação é essencial para garantir às futuras gerações o acesso a este património excecional”. Eduardo Jesus conclui afirmando que “o Governo Regional continuará a trabalhar para assegurar que o vasto património cultural da Madeira, tanto móvel como imóvel, seja estudado, cuidado e valorizado, reforçando o papel da cultura enquanto pilar estratégico do desenvolvimento da Região”.