Entre os dias 21 e 25 de abril de 2026, a Direção Regional de Educação, através da Divisão de Acompanhamento à Surdez e Cegueira, a Escola Básica do 1.º Ciclo com Pré-Escolar e Creche Prof. Eleutério de Aguiar e a Associação de Surdos, Pais, Familiares e Amigos, da Madeira, numa organização conjunta, pretendem realizar várias atividades, no âmbito do Dia Nacional da Educação de Surdos e da Juventude Surda, dedicadas à valorização da Língua Gestual Portuguesa, à promoção da inclusão e ao reconhecimento da identidade surda. Ao longo da semana, serão dinamizadas ações de sensibilização e formativas, designadamente: palestras, conferências, workshops, atividades culturais e lúdicas com alunos e momentos de partilha, envolvendo a comunidade educativa de referência neste domínio específico de educação bilingue de alunos surdos, da região, em estreita proximidade com a comunidade surda e as suas famílias. Pretende-se criar espaços de encontro, reflexão e celebração, reforçando o compromisso com uma educação verdadeiramente acessível, equitativa e participativa, onde os participantes poderão, ainda, homenagear aquela que foi a primeira docente de língua gestual portuguesa na Região Autónoma da Madeira, a Prof.ª Fernanda Reis (1974-2025).
O dia 23 de abril, data oficial desta celebração, tem um relevante significado histórico, pois recorda dois momentos essenciais na construção dos direitos educativos da comunidade surda em Portugal. Um dos acontecimentos mais significativos é a criação do primeiro Instituto para Surdos em Portugal, fundado a 20 de abril de 1823, por D. João VI, a partir do trabalho do especialista em educação de surdos, o sueco Per Aron Borg. Este instituto deu início formal à educação de surdos no nosso país, acolhendo os primeiros alunos provenientes da Casa Pia de Lisboa. Outro marco fundamental ocorreu a 23 de abril de 1996, quando um grupo de jovens surdos se reuniu na Escola Secundária José Gomes Ferreira, em Lisboa, para debater a sua realidade escolar e defender o direito a decidir sobre o seu futuro educativo e profissional, acabando por revelar-se num momento decisivo na afirmação da juventude surda, dentro da própria comunidade e na sua participação ativa em ações em prol de uma sociedade mais inclusiva.
Com estas iniciativas, as três entidades envolvidas, através de uma colaboração concertada e motivada, pretendem celebrar as conquistas históricas da comunidade surda, reforçando o compromisso das escolas e dos profissionais especializados que diariamente garantem práticas verdadeiramente inclusivas, com contextos, conteúdos comunicacionais e pedagógicos acessíveis, onde as crianças e alunos surdos podem aprender, participar e desenvolver-se em equidade.
Junte-se a nós nesta semana de reflexão, celebração e compromisso com a educação acessível e inclusiva. Em breve divulgaremos o Programa!