Este ano, o volume de negócios das mais de 500 empresas tecnológicas localizadas na Região deverá ultrapassar os 800 milhões de euros, anunciou Miguel Albuquerque, na abertura de um evento destinado a empreendedores constituídos com projetos acompanhados pelos institutos politécnicos portugueses e ainda pelas universidades da Madeira e dos Açores.
Um número relevante, quando se sabe que os últimos dados oficiais sobre o sector datam de 2022 e apontam para uma faturação de 612 milhões de euros por parte das então mais de 400 empresas. Daí para cá, enalteceu o presidente do Governo Regional, têm sido cada vez mais as empresas a serem criadas cá e também as que vêm para cá instalar as suas sedes. Fruto da transição digital em vigor e que beneficia uma região ultraperiférica como a Madeira.
Uma transição digital que – acentuou na sessão de abertura da final nacional do concurso “Poliempreende”, que decorre, este ano, nas instalações da Universidade da Madeira – é fundamental para os empreendedores, que já não têm a ultraperiferia, a deslocalização geográfica, o distanciamento para os grandes mercados, como óbice.
Lembrando que a tenacidade – algo mal visto no nosso visto – é a grande virtude que um empreendedor precisa de ter para poder triunfar, Miguel Albuquerque defendeu que o grande desafio que se coloca aos empreendedores é terem a capacidade de se adaptarem ao mercado e às necessidades criadas por esse mesmo mercado. Aliás, «os empreendedores são, eles próprios, criadores de necessidades para a sociedade».
Lembrando que toda esta dinâmica acaba por colidir com um «conjunto de leis absurdas e grotescas» e por uma mentalidade conservadora do País, que penaliza o fracasso de quem empreende, de quem constitui uma empresa, Miguel Albuquerque defendeu ainda que é esse conservadorismo que acaba por se constituir como o grande problema ao desenvolvimento de ecossistemas inovadores.
Desta forma, advogou que «o que é preciso fazer é criar o ecossistema adequado a que a transição digital seja feita e que o empreendedorismo vingue».
«É preciso fazer leis no sentido de facilitar a constituição e a dissolução de empresas, é preciso revogar as leis que existem e criar tribunais de comércio e que acelerem a resolução de problemas jurídicos ligados à Economia. É fundamental ainda incutir uma nova mentalidade, onde um eventual falhanço na criação de uma empresa não deixe um empreendedor estigmatizado para o resto da vida», perfilhou.
Ou seja, «é preciso criar as condições, mesmo em termos de legislação, para que o empreendedorismo se cimente».
A concluir, dirigindo-se à plateia composta por representantes dos institutos politécnicos portugueses e por participantes no concurso nacional, agradeceu a presença dos mesmos: «É sempre um prazer recebê-los na Região. Conto com o vosso trabalho para continuarmos a operar as mudanças necessárias na sociedade madeirense».
A final nacional do Poliempreende 2024 decorre na Universidade da Madeira de 2 a 5 de setembro, reunindo os vencedores de todos os Politécnicos portugueses, bem como das Universidades da Madeira, Algarve e de Aveiro.