O presidente do Governo Regional falava na sessão de abertura da VIII edição do Curso Intensivo de Segurança e Defesa, promovido pelo Instituto de Defesa Nacional, a cuja presidente agradeceu.
Perante uma plateia composta por elementos do Instituto de Defesa Nacional, de militares e de participantes no Curso, o líder madeirense recordou estarmos «numa conjuntura internacional que é completamente diferente da que vivemos na segunda metade do século XX e nos primeiros decénios do século XXI».
«Há, na verdade, uma emergência de novas potências e uma luta, como sempre houve, relativamente ao domínio de espaços fundamentais, que se chama geopolítica. O poder é algo que não desaparece da conjuntura mundial., por muito que continuemos a pregar as boas intenções e a moral», destacou.
O governante lembrou ainda que «o poder económico está associado ao poder militar, seja este exercido diretamente ou através de coação».
O presidente do Governo Regional salientou ainda que «o PIB europeu era 28,6 do PIB mundial em 1980 e hoje representa 17,5% e, em 2029, deverá representar 16,2%». Assiste-se, assim, criticou, «a uma decadência daquela que foi a grande potência durante tantos séculos».
Para além desta perda de poder económico da Europa, «existe uma outra situação que são os erros políticos e a falta de condução de políticas efetivas por parte dos governos europeus». «E isso está-se a pagar muito caro», disse.
«A Europa, por exemplo, quer ser exemplo no combate aos gases com efeitos de estufa. Acho muito bem, temos de acautelar a tragédia ambiental. Mas, atenção, isso não pode ser feito à custa do desenvolvimento económico e do bem-estar da população», avisa.
Segundo Miguel Albuquerque, «estabeleceram-se metas loucas para a Europa, que não eram suscetíveis de serem concretizadas». «Estamos, neste momento, numa situação de bloqueio, de beco sem saída na Europa», considerou.
Por outro lado, «os 27 Estados da União têm de se entender relativamente a uma política de defesa comum, o que não deixa de ser um problema uma vez que a Europa não é um estado declarado».
Para além disso, «há um problema de desunião na Europa, porque não há líderes e há falta de estratégia». Até porque, criticou, «os políticos de hoje estão mais preocupados em ser amados e em aparecerem nas redes sociais do que em tomar decisões».
A outro nível, destacou que Portugal é um país atlântico, com o peso de uma presença efetiva no Atlântico e com uma plataforma que é uma das maiores do mundo.
Miguel Albuquerque considera que «aquilo que vai diferenciar o nosso País da política continental e europeia é a circunstância de Portugal ser um País descontinuado, com uma presença muito forte no Atlântico e com uma ligação muito próxima ao continente africano».
«A Europa tem presença no Atlântico, com as regiões portuguesas e espanholas, nas Caraíbas e no Índico. Isto é uma mais-valia. Estamos a falar aqui de seis milhões de habitantes, mais ou menos a população da Noruega. E temos de aproveitar esta dimensão.», enfatizou.
A concluir, deixou a garantia: «Nós vamos continuar a realizar Portugal e a Europa no Atlântico, através do nosso desenvolvimento e da nossa Região».
A VIII edição do Curso Intensivo de Segurança e Defesa (CISEDE), a decorrer na Região entre hoje e a próxima quarta-feira, conta com o alto patrocínio do Governo Regional e visa promover o aprofundamento do conhecimento dos cidadãos sobre as temáticas da segurança e da defesa, no âmbito nacional e internacional.
Os módulos são subordinados aos seguintes temas: 'O Quadro Geral de Segurança e Defesa'; 'A Política de Defesa Nacional'; 'A Realidade Regional no domínio da Segurança e Defesa', respetivamente.
O Instituto de Defesa Nacional convida anualmente organismos da administração central, regional ou local, das Forças Armadas, das Forças e Serviços de Segurança, bem como entidades e instituições representativas da sociedade civil para designarem colaboradores para a frequência do CISEDE