Miguel Albuquerque, que falava na sessão de abertura da II Madeira Maritime Week, fez questão de agradecer ao novo presidente da Associação Europeia Internacional de Armadores de Portugal (EISAP, Nils Aiden, pela organização de mais um evento, que reúne, até ao dia 23, no Funchal, nas instalações do Savoy Palace, as grandes companhias/empresas registadas no MAR.
«O trabalho que temos feito convosco é um trabalho de grande sucesso. Os números são claros. Estamos a crescer. Estamos a trabalhar bem. Estamos a trabalhar com os proprietários dos navios e o nosso interesse é proporcionar/ter algo que é muito importante: competitividade e criar um bom ambiente de negócios», disse.
O líder madeirense assegurou ainda que a Região vai continuar a trabalhar para melhorar o registo (MAR) e assegurar melhores formas de trabalhar com todos os empresários e agentes envolvidos no sector, «porque o sucesso do MAR é o nosso sucesso».
«A minha ideia é de melhorarmos o nosso MAR. Tivemos a oportunidade de termos cá na Madeira o primeiro-ministro eleito a quem transmitimos a necessidade de termos nova
legislação, no sentido de reduzir a burocracia e de incrementar a competitividade. Não estamos sozinhos. Estamos a competir com outros registos e temos de ser os melhores», acentuou.
Para além do MAR, Miguel Albuquerque falou da realidade difícil da Europa, que tem hoje um enorme desafio. «A geopolítica está mudar muito rapidamente e a Europa tem que recuperar e tem de olhar para a realidade do mundo. E a nova agenda que a EU precisa de adotar é muito clara», lembrou.
Nesse sentido, frisou ser fundamental que a Europa recupera da distância que a separa dos EUA e da China. O primeiro passo, defendeu, passa por um mercado energético europeu que permita aos países europeus reduzirem os custos energéticos da nossa indústria.
O governante afirmou ainda ser fundamental recuperar a liderança tecnológica e introduzir os processos tecnológicos e a inovação no processo produtivo.
O presidente lembrou também que, de acordo com o relatório Draghi, em 1995, o GAP (o fosso) de produção entre a Europa e os EUA era de 5%. «Hoje é de 21%, porque não incorporamos a tecnologia no processo produtivo», lamentou.
Assim, defendeu que é fundamental «eliminar as questões que encarecem o processo produtivo na Europa». «Temos de ser realistas e reduzir a burocracia na relação com a indústria europeia», preconizou.
Paralelamente, assumiu ser necessário à Europa se focar no novo desafio relativo à segurança, à indústria de defesa. Bem como ainda no apoio às empresas no sentido do seu crescimento.
«Temos um problema na Europa. Temos pequenas empresas e precisamos de ter grandes empresas para a nossa competitividade relativamente aos EUA e à China. É algo para p qual a presidente da Comissão Europeia tem de olhar», concluiu.
Mais tarde, aos jornalistas, enalteceu o facto de o MAR ser hoje o terceiro maior da Europa, «um sucesso excecional, o qual resulta de um conjunto de adaptações introduzidas em 2015 pelo Executivo madeirense em cooperação com o Governo nacional, no sentido de dotar este Registo de fatores de competitividade e de atração».
A propósito lembrou que são quase 28 milhões de tonelagem de arqueação bruta registada no MAR. E cerca de 1.300 embarcações registadas. Os grandes armadores europeus, com os seus grandes navios, estão também aqui registados, nomeadamente os que atravessam o canal do Panamá.
Miguel Albuquerque reforçou a intenção de melhorar a competitividade do Registo Internacional de Navios, salientando que «serão introduzidos alguns fatores de competitividade para nos tornarmos um dos registos mais importantes do Mundo». «Neste momento, somos 11.º”, recordou.
A segunda edição do Madeira Maritime Week, que decorre na Região de 19 a 23 de maio, é uma organização conjunta da Presidência do Governo Regional da Madeira e da EISAP, celebrando a marca dos mil navios registados no Registo Internacional de Navios (MAR).
A EISAP é a Associação Europeia Internacional de Armadores de Portugal e tem como presidente Nils Aiden e como secretário-geral Pedro Calado, ambos recentemente eleitos.
É uma associação que foi fundada em 2016, representando mais de 80% dos armadores que possuem navios que ostentam a bandeira portuguesa.