A tradicional Feira Agropecuária, mais conhecida por Feira do Gado, que se realiza na Santa, concelho do Porto Moniz, assinala este ano a sua 68.ª edição. Trata-se do maior e mais importante certame agrícola realizado na Região, ao qual o governo regional, agora pela tutela de Nuno Maciel, quer devolver a dinâmica e a dignidade de outros tempos.
Os trabalhos no recinto da feira já começaram há algumas semanas, nomeadamente ao nível das limpezas e da reabilitação de alguns espaços, merecendo a atenção do secretário regional de Agricultura e Pescas que, recentemente, visitou aquele espaço, não só para se inteirar dos preparativos, mas, igualmente, para cumprimentar as dezenas de colaboradores que se empenham afincadamente para que o certame seja um sucesso.
Ao longo de três dias, a Feira proporcionará um espaço de encontro para criadores de gado, agricultores, fornecedores e população em geral, promovendo uma importante partilha de conhecimentos, experiências e negócios. Com uma afluência média de cerca de 6.000 visitantes diários, o evento assume-se como uma plataforma privilegiada para divulgação das melhores práticas do setor e apresentação das mais recentes inovações.
Com entrada gratuita, a Feira contará com mais de uma centena de expositores, que evidenciam a excelência dos produtos agropecuários madeirenses, desde animais de grande porte, até equipamentos e tecnologias agrícolas de ponta. Paralelamente às exposições e comercializações, diversas atividades de animação musical e de comes-e-bebes, enriquecerão a experiência dos visitantes e reforçarão o ambiente festivo característico do certame.
A par dos vários pavilhões, onde produtores agrícolas, pecuários e empresas do agroalimentar vão expor os seus artigos, este ano, a Secretaria Regional de Agricultura e Pescas está a desenvolver esforços para dar a conhecer vários produtos regionais que derivam da transformação, como o mel, o rum, a cerveja artesanal, entre outros.
Para o secretário regional de Agricultura e Pescas, Nuno Maciel, esta é também é uma feira popular e familiar.
“Além de ser uma feira agropecuária, é uma festa popular e um momento de união de famílias que, há largos anos, fazem questão de visitar este espaço nesta altura do ano. Vamos dar a conhecer o que de melhor se faz no sector, bem como os incentivos que existem ao nível dos fundos comunitários, para quem quer começar esta atividade”, adianta o secretário regional.
Agricultura 4.0
Outro aspeto que Nuno Maciel faz questão de referir, prende-se com a secção da mecanização e modernização agrícola que, à semelhança de anos anteriores, conta com um espaço próprio.
“É uma área que temos dado a conhecer, a da mecanização agrícola. Hoje temos vários exemplos de sucesso e este é o caminho que queremos trilhar, produzindo mais na mesma área agrícola, com menos esforço e maior rentabilidade. Para isso, precisamos de recorrer a uma maior mecanização, com utilização de tecnologias mais eficientes, que agreguem valor ao trabalho do agricultor”, vincou o governante.
A esse propósito, de utilização de soluções mais eficientes, haverá uma exposição da Estufa de Hidroponia, modelo inovador e sustentável de produção agrícola sem recurso ao solo, sendo um exemplo para a modernização e diversificação da agricultura regional que o governo regional pretende implementar.
Outro bom exemplo será a demonstração de drones, para uso no transporte agrícola, ferramenta que despertará, certamente, alguma curiosidade dos presentes na Feira, pelos ganhos que poderá representar ao produtor, nomeadamente em propriedades de acesso mais difícil ou de orografia exigente, contribuindo desta forma para otimizar o esforço despendido pelo agricultor.
Cantares, tosquias, missa campal, comboio panorâmico e espaço infantojuvenil em festa popular
Além da animação, o certame contará com a presença do comboio panorâmico, que realizará trajetos entre o recinto da Feira e a Estação Zootécnica, que nesta ocasião se associa ao evento. Será uma oportunidade para as pessoas conhecerem algum do trabalho que é realizado naquela infraestrutura e visitarem o museu e a vacaria ali existente.
A edição deste ano contará com uma maior variedade de animais, com reforço na presença de caprinos, suínos e galináceos, além dos habituais bovinos e ovinos.
De referir que as várias espécies pecuárias que vão estar no certame serão acompanhadas pela Direção Regional de Veterinária e Bem-estar Animal. O objetivo passa por atestar que estão reunidas todas as condições sanitárias, para que os animais possam estar em exposição.
Na sexta-feira, a abertura oficial está marcada para as 17h, sendo que às 20h assiste-se à concentração de motards, que transportarão a imagem de Santa Maria Madalena até ao recinto da Feira, seguida da sua colocação no Parque Florestal, culminando com a bênção da imagem no santuário.
No sábado decorrerão demonstrações de tosquia, permitindo aos visitantes vivenciar esta prática tradicional e, no domingo, dia de maior afluência, há celebração da missa campal às 10h, seguido da visita ao recinto da Feira pelas entidades oficiais.
Para além da tradicional Charola, símbolo icónico do certame, este ano, como novidade, haverá também uma Charola em forma de vaca, prometendo ser um dos principais atrativos, que combinará tradição e criatividade.
No local há um espaço dedicado ao artesanato e às diversas áreas tradicionais. Com esta valência, pretende-se valorizar a cultura e identidade rural madeirense, permitindo o contacto direto com os artesãos.
Para os mais novos, há insufláveis, slide, ponte dos Himalaias, tiro ao arco e outras atividades lúdicas e de aventura, garantindo diversão e entretenimento durante todo o evento.
A Feira Agropecuária realizou-se pela primeira vez em 1955, e apresentava-se, essencialmente, direcionada para a produção animal, sendo que, ao longo dos anos, foi associando cada vez mais a produção agrícola, até ao presente, onde também se divulga e promove as artes e ofícios tradicionais e se acolhe uma componente mais lúdica, com animação musical e espaços de “comes e bebes”.