“Este evento é, ao nível da etnografia, o melhor que se faz na Madeira”. Foi desta forma que o secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, enalteceu a mostra “Camacha de Ontem, Madeira de Sempre”, cuja 6.ª edição foi oficialmente apresentada em conferência de imprensa. A iniciativa, promovida pela ADESCA – Associação de Desenvolvimento Social e Cultural da Camacha, decorre no próximo fim-de-semana, dias 12 e 13 de julho, no centro da vila da Camacha, e contará com mais de 500 figurantes que recriam, com autenticidade e rigor, o quotidiano da freguesia e da Madeira entre os séculos XIX e XX.
Durante a apresentação, Eduardo Jesus destacou a entrega da população e o envolvimento da comunidade local como fatores fundamentais para o sucesso desta mostra etnográfica. “Quero agradecer a todas as associações, clubes e coletividades que se associam a este magnífico evento. As pessoas participam por gosto, por amor à terra e à cultura, e isso tem um valor extraordinário”, afirmou o governante, que sublinhou ainda a importância de manter a autenticidade como pilar essencial da identidade madeirense.
O Governo Regional congratulou publicamente a organização da mostra, sublinhando que “Camacha de Ontem, Madeira de Sempre” representa um verdadeiro ato de valorização da cultura popular e de reforço do orgulho madeirense. “Recriar com tamanha fidelidade e qualidade a Madeira do final do século XIX e início do século XX é mais do que uma celebração. É um gesto de salvaguarda patrimonial, um ato de resistência cultural e um investimento direto na nossa identidade”, reforçou Eduardo Jesus. O governante deixou ainda um agradecimento especial à comissão organizadora, em particular a Gilda Nóbrega e a Fernanda Nóbrega, pelo “rigor, a saudável teimosia e o requinte histórico” que conferem à mostra, sublinhando o rigor e a investigação que sustentam cada edição. “A forma como este evento é preparado revela uma dedicação exemplar. Não se trata apenas de um desfile, mas de uma reconstrução histórica feita com critério e paixão. A Gilda e a Fernanda têm sido incansáveis, consultando livros de época, jornais antigos e memórias locais, garantindo que cada quadro represente com fidelidade a nossa história. Este tipo de saudável teimosia, de quem faz bem e faz com convicção, é o que preserva a autenticidade da cultura madeirense”, afirmou, elogiando a capacidade de ambas em transformar conhecimento e memória em celebração viva da identidade da Camacha.
Cortejo etnográfico no sábado
O ponto alto da mostra será, como habitualmente, o cortejo etnográfico, que terá lugar no sábado, dia 13, a partir das 17h30, com saída da Escola Básica Alfredo Ferreira Nóbrega Júnior. O desfile percorre o centro da freguesia e reúne todos os grupos culturais locais, numa verdadeira celebração da memória coletiva e do património imaterial da Região. Participam ativamente as seguintes entidades: Grupo Folclórico da Casa do Povo da Camacha, Grupo Folclórico Infantil da Camacha, Grupo Folclórico Juvenil da Camacha, Grupo Romarias e Tradições, Grupo de Folclore do Rochão, Grupo Romarias Antigas do Rochão, Orquestra de Bandolins da Camacha, Banda de S. Lourenço, Teatro Experimental da Camacha, Associação Desportiva da Camacha, Secção Desportiva da Casa do Povo da Camacha, CACI Camacha, Centro Comunitário da Nogueira, Grupo de Pastores de Natal do Vale Paraíso, Grupo de Pastores de Natal do Sítio da Igreja e o Coro de S. Lourenço.
Gilda Nóbrega, da comissão organizadora, explicou que todo o trabalho de construção do cortejo assenta numa investigação cuidada, baseada em documentos históricos e livros de época, que garantem fidelidade aos trajes e aos hábitos de cada período retratado. “Consulto livros de 1880, de 1927… há um trabalho profundo por trás de cada quadro. E todos os anos, mesmo mantendo a base etnográfica madeirense, introduzimos novas representações ligadas à história da freguesia. Este ano, por exemplo, incluiremos o quadro dos 150 anos do futebol na Camacha”, revelou.
Para José Alberto Gonçalves, presidente da Assembleia Geral da ADESCA, este é um evento de afirmação da Camacha como território cultural de excelência. “Pretendemos com esta mostra projetar a nossa freguesia e prestar homenagem aos nossos antepassados. Que mais pessoas se envolvam, que todos possam vestir-se a rigor, e que a mostra continue a crescer em visibilidade. Este é um gesto de amor à nossa história”, afirmou.
Ao longo do fim-de-semana, os visitantes poderão desfrutar de gastronomia tradicional, exposições, instalações temáticas, recriações de ofícios antigos e performances musicais e teatrais, num ambiente envolvente e participativo. A Camacha volta, assim, a demonstrar ser um exemplo vivo de vitalidade cultural e de enraizamento nas tradições que moldam a identidade da Região. Para Eduardo Jesus, “este evento é uma referência incontornável da etnografia madeirense e uma demonstração clara de como a cultura deve ser tratada: com respeito, autenticidade e participação coletiva. A Camacha é, sem dúvida, o berço da cultura popular da Madeira.”