A Rede SOS Vida Selvagem, coordenada pelo Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN), já resgatou 118 aves selvagens desde o início de 2025, demonstrando o impacto positivo de um trabalho contínuo e colaborativo em prol da biodiversidade da Região Autónoma da Madeira.
O número é expressivo e inclui aves de rapina, como corujas e francelhos, e aves marinhas pelágicas, como almas-negras, roques-de-castro, patagarros e cagarras. Destacam-se particularmente as 28 crias de francelho recolhidas após quedas acidentais dos ninhos. Quando possível, as aves juvenis são reintegradas nos ninhos; nos restantes casos, recebem cuidados no Centro de Recuperação de Aves Selvagens (CRAS) até estarem aptas a serem devolvidas ao seu habitat natural.
Este esforço de recuperação é possível graças à articulação entre os Vigilantes da Natureza, técnicos do IFCN, voluntários, entidades como o SEPNA da GNR, os Bombeiros Sapadores e Voluntários, a Tfalcon e a própria população, que tem desempenhado um papel fundamental na sinalização de aves em dificuldades.
“A Rede SOS Vida Selvagem é um exemplo claro do compromisso da Região com a proteção e conservação da nossa fauna selvagem. É um projeto que envolve o Governo, os serviços especializados e, sobretudo, a comunidade. Cada resgate é uma história de empenho, responsabilidade ambiental e respeito pela vida selvagem”, afirmou o Secretário Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus.
Eduardo Jesus reforça ainda o apelo à população para que respeite as orientações do IFCN e que evite comportamentos que possam colocar em risco a fauna selvagem da Região: “É fundamental que os cidadãos saibam como agir quando encontram uma ave selvagem em dificuldades. E é igualmente importante compreender que alimentar animais selvagens ou aproximar-se excessivamente pode ser fatal para esses seres. A nossa intervenção deve sempre priorizar o bem-estar do animal e preservar os seus comportamentos naturais.”
A importância de não interferir com a vida selvagem
O Instituto das Florestas e Conservação da Natureza tem desenvolvido campanhas de sensibilização para alertar a população sobre os riscos de alimentar ou perturbar animais selvagens. Este gesto, aparentemente inocente, pode alterar comportamentos naturais, provocar dependência do ser humano, e até mesmo conduzir à morte de indivíduos da espécie.
De acordo com o IFCN, alimentar aves selvagens interfere com os seus ciclos naturais, altera os níveis populacionais e pode originar lesões, doenças ou comportamentos agressivos, tanto entre indivíduos da mesma espécie como de espécies distintas.
“A melhor forma de proteger a vida selvagem é deixá-la seguir o seu curso natural. Observar à distância, não alimentar e reportar sempre ao IFCN são as regras de ouro”, frisou o Secretário Regional.
Luzes artificiais e perigo para aves marinhas
Outro fator crítico, sobretudo entre os meses de setembro e outubro, é o impacto da poluição luminosa sobre aves marinhas pelágicas juvenis. Estas aves, que voam durante a noite na fase de emancipação, são atraídas pelas luzes artificiais, o que pode levá-las a colidir com edifícios ou estruturas e a cair desorientadas em zonas urbanas.
Muitas destas aves são resgatadas por cidadãos atentos que seguem as recomendações do IFCN: não forçar o voo, não alimentar, não medicar e colocar a ave numa caixa ventilada até à chegada dos técnicos. Em casos urgentes, o contacto deve ser feito através da Rede SOS Vida Selvagem (961957545 ou sosvidaselvagem@madeira.gov.pt), ou com a GNR ou bombeiros locais.
A Rede SOS Vida Selvagem dá continuidade ao trabalho desenvolvido pelo IFCN ao longo da última década, com a missão clara de resgatar, tratar e devolver à natureza as espécies selvagens em risco, em toda a Região Autónoma da Madeira. O número crescente de aves salvas ao longo dos anos demonstra a eficácia do modelo implementado, baseado na vigilância ativa, resposta rápida e sensibilização pública.
“A defesa da biodiversidade da Madeira não é apenas uma obrigação legal, é uma missão de todos nós. A natureza faz parte da identidade da nossa Região. É isso que continuamos a proteger todos os dias, com projetos como este e com o envolvimento de todos”, concluiu Eduardo Jesus.
Aos olhos da comunidade científica e ambiental, a Madeira é já um exemplo de boas práticas na recuperação de fauna selvagem. Mas o sucesso da Rede SOS Vida Selvagem depende da vigilância, responsabilidade e sensibilidade de cada cidadão. Porque cada ave salva é uma vitória da natureza. E essa é uma missão que só se cumpre em conjunto.