As doações e depósitos que continuam a ser feitas à Direção Regional dos Arquivos, das Bibliotecas e do Livro (DRABL) aumentam a oferta de conhecimento disponível neste espaço. Esta foi uma declaração feita pelo Secretário Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, na recente cerimónia de doação do espólio do jornalista Amâncio Marote à DRABL.
Na ocasião, o governante referiu que tem havido um grande trabalho no sentido do tratamento da informação que é doada ou depositada na DRABL para ser disponibilizada ao público. “A grande função de um arquivo não é apenas guardar, mas sim, guardar para produzir conhecimento, abrir as portas ao conhecimento”, disse, ressalvando que o valor do acervo agora doado é reconhecido, até porque integram exemplares que são também novos para a DRABL. “Estamos a aumentar essa possibilidade, estamos a alargar o leque de oferta de conhecimento nesta casa e, isso, naturalmente, é o propósito destas doações”.
A doação, que consistiu num total de 1.600 espécies bibliográficas (monografias, revistas e jornais), 5 caixas com 42 dossiers de recortes de imprensa e uma caixa com um pequeno conjunto de documentos, é representativa da vida e carreira do jornalista madeirense.
Refira-se que Amâncio Franco de Olim Marote nasceu em Machico em 1897. Foi um importante jornalista, tendo escrito sobre a economia madeirense, particularmente, sobre a banana, bordados e vinho. Foi diretor do periódico madeirense “O Povo” e, no final da década de 30, foi obrigado a deixar a Madeira, como preso político.
Em Lisboa, foi proprietário e redator do jornal “Correio das ilhas”, tendo também colaborado no “Jornal do Comércio”, “Primeiro de Janeiro”, “O Século” e na revista “Portugal d’aquém e d’além mar”.
Além da carreira jornalística, no período que viveu na Madeira, teve uma forte relação com o futebol, tendo sido um dos membros fundadores da Associação de Futebol do Funchal (atual Associação de Futebol da Madeira) e membro da direção do Club Sport Marítimo, chegando a ser presidente em 1932.
Amâncio Marote faleceu em Lisboa, em 1976. O seu espólio foi agora doado pela família, representada na sua sobrinha, Judite Marote, que juntamente com outros familiares, marcaram presença na cerimónia de doação.
Na ocasião, Judite Marote, agradeceu à DRABL pela disponibilidade, atenção e carinho. Recordando que, Zita Cardoso, era uma das pessoas que conhecia a biblioteca de Amâncio Marote e que deu a conhecer um pouco sobre a vida e carreira do jornalista, a doadora acredita que agora, com este espólio agora na DRABL, será dada oportunidade para que mais pessoas conheçam o percurso do seu tio, o contributo que deu à Região e ao país e usem estes documentos para investigação e produção de conhecimento.
Já o Secretário Regional, Eduardo Jesus, fez questão de enaltecer a generosidade e o “ato de desprendimento” dos doadores na entrega deste património e na confiança depositada na DRABL. “Isso significa para nós e para toda esta equipa do Arquivo, um voto de confiança”, sublinhou.
Eduardo Jesus falou sobre a experiência que tem existido nos recorrentes atos de doação de arquivos, bibliotecas e outros documentos. “São legados de famílias e de pessoas importantes, como, por exemplo, o Amâncio Marote, que marcou claramente uma determinada época, que experimentou na pele as dificuldades de viver sem liberdade”. Acima de tudo, este espólio permitirá dar a conhecer uma realidade diferente da nossa. “Hoje, quem nunca experimentou uma dificuldade dessas não dá valor, nem o que era esse exercício de conseguir transmitir, também na escrita, o que não era permitido transmitir. E isso tinha um preço: o condicionamento da sua vida. Hoje temos a obrigação de lembrar essas pessoas, enaltecer o sacrifício que fizeram para que hoje possamos viver em liberdade e desfrutar daquilo que nos deixaram”, sublinhou. A doação agora feita irá, certamente, contribuir para esse conhecimento, disse ainda.