Os apicultores da Madeira e do Porto Santo vão poder contar com um novo apoio à comercialização do mel, a ser implementado este ano, através de uma portaria que está a ser ultimada pelo governo regional e que se prevê venha a ser publicada no decorrer do primeiro trimestre do ano.
A boa nova foi transmitida por Nuno Maciel, numa visita realizada, ontem, a André Silva, um dos maiores apicultores da Madeira, situado na Ponta do Sol, com mais de 500 colmeias, sendo o único produtor regional de rainhas, com exportação para Espanha, França e Portugal Continental, registando uma produção anual de 10 mil espécimes e uma média de 12 a 17 toneladas de mel.
Na prática, a Secretaria Regional de Agricultura e Pescas vai alocar 150 mil euros (87% do Orçamento Regional e 13% do POSEI), para apoiar em 30 euros/ano, cada colmeia declarada, e 1€ no quilo de mel comercializado na Madeira, acrescendo mais 50 cêntimos no caso do Porto Santo, onde esta atividade foi reativada em 2015, graças ao esforço conjunto dos serviços do governo e dos apicultores locais.
A estes montantes de ajuda base, poderá acrescer uma majoração de 15% por mel comercializado por produtores com a exploração apícola em espaço florestal, com produção aprovada nos regimes de qualidade da União Europeia ou certificados em Modo de Produção Biológico.
Assim que seja publicada a portaria, as candidaturas poderão ser efetuadas nos Balcões de Atendimento ao Agricultor, à semelhança do que já acontece com o Pedido Único.
O Secretário Regional de Agricultura e Pescas, Nuno Maciel, entende que este apoio é uma forma de estimular uma atividade importante para o setor primário, uma vez que, como se sabe, as abelhas desempenham um papel fundamental na polinização das plantas, garantindo a reprodução vegetal, a manutenção da biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas.
“A presença das abelhas tem um benefício claro para o setor primário, uma vez que potencia a produtividade e melhora a qualidade das culturas, resultando em frutos mais uniformes, saborosos e em maior quantidade, além de reduzir custos com métodos artificiais de polinização”, ressalva Nuno Maciel, que aponta também para a vertente económica, onde a apicultura pode constituir uma fonte de rendimento complementar, por via da produção e comercialização de mel, cera, pólen, geleia real e abelhas-rainhas.
“É também nessa perspetiva que o governo está a olhar. Em acrescentar valor e fonte de rendimento para aqueles que se dedicam, com esforço e resiliência ao setor primário, procurando formas alternativas de negócio e de sustentabilidade da sua atividade”, acrescenta o governante.
Governo mantém auxílio complementar e entrega de medicamentos
Outra boa novidade para os apicultores são os 116.400 euros aprovados no âmbito do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum, através de 86 candidaturas, que representam os primeiros projetos de investimento aprovados pela PEPAC Madeira, e cuja entrega será formalizada este sábado na Mostra Regional do Mel, que decorrerá na Serra de Água.
Trata-se de uma medida complementar de apoio agroambiental à apicultura, por três anos, que tem como objetivo assegurar práticas profiláticas mais exigentes e com custo mais elevado do que as previstas na legislação específica, na perspetiva da melhoria sanitária das colmeias.
Além deste apoio, que varia entre os 70 e os 1.200 euros/ano, de acordo com as colmeias declaradas e elegíveis, em agosto próximo inicia-se a entrega gratuita de medicamento veterinário a 358 apicultores, para efetuarem o controlo do ácaro “Varroa destructor”.
Este apoio à apicultura regional, no valor de 73 mil euros, permite contribuir para o controlo do ácaro em 10.977 colmeias registadas, número que se tem mantido estável nos últimos anos, embora com oscilações na produção de mel, nomeadamente em 2025, que registou um pequeno decréscimo, por força das variações térmicas sentidas e de períodos de chuva mais prolongados, que alteram os ciclos de floração.
Saliente-se que a varroose, uma das principais ameaças à apicultura em todo o Mundo, é uma doença que afeta as abelhas, causada pelo ácaro “Varroa destructor”. Este parasita alimenta-se da hemolinfa (o “sangue” das abelhas) e transmite vírus que enfraquece e mata as abelhas, podendo levar ao colapso das colmeias se não for controlada.
Em 2025, estavam registados na Madeira 358 apicultores, mais 59 do quem 2022.