Os madeirenses passam a contar com uma nova forma de aceder aos percursos pedestres classificados da Região, numa medida que reforça a flexibilidade do modelo de gestão ambiental sem abdicar do controlo necessário à preservação da natureza. A partir de agora, os residentes podem escolher entre fazer o registo antecipadamente na plataforma digital Simplifica ou efetuar o controlo de acesso diretamente no local de início do trilho, através da leitura do cartão de residente.
A nova possibilidade foi criada pelo Governo Regional da Madeira, através da Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, em articulação com o Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN), e resulta de um desenvolvimento tecnológico que permite às equipas destacadas nos percursos utilizar equipamentos portáteis para registar, no terreno, a entrada dos caminhantes residentes.
Para utilizar esta via alternativa, o residente deve apresentar obrigatoriamente dois documentos: o Cartão de Cidadão, para efeitos de identificação, e o cartão Simplifica de residente, cujo QR Code é lido no momento. O cartão Simplifica não substitui o documento de identificação civil, servindo exclusivamente para associar o utilizador ao sistema de gestão de acessos e contabilizar a sua entrada no percurso.
Segundo o secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, a medida traduz uma evolução natural do modelo. “O que fizemos foi introduzir mais uma opção para os residentes. Quem quiser e preferir continuar a fazer o registo antecipado na plataforma pode fazê-lo, como até aqui. Quem não o fizer, passa a poder apresentar-se no início do percurso e realizar o controlo no local. É uma solução mais flexível, mas que mantém intacto o princípio fundamental do controlo”, afirmou.
O governante sublinha que a prioridade nunca deixou de ser a proteção dos espaços naturais e a segurança das pessoas. “Nós temos de saber quantas pessoas estão em cada percurso. Isso é essencial para proteger os ecossistemas, evitar sobrecargas e garantir que, em caso de emergência, as equipas de socorro sabem com que realidade estão a lidar. Esta medida não retira rigor ao sistema, apenas facilita a vida aos residentes”, explicou.
A rede de percursos pedestres classificados da Região Autónoma da Madeira integra 42 trilhos, 39 na ilha da Madeira e três no Porto Santo, todos geridos ou regulados pelo IFCN. O acesso está organizado por intervalos de 30 minutos, entre o nascer e o pôr do sol, com limites de visitantes definidos para cada percurso. Esses limites resultam de um estudo científico conduzido pela Universidade da Madeira, com base no método de Cifuentes, que determina a capacidade de carga sustentável de áreas naturais.
Eduardo Jesus frisa que esta organização é indispensável numa região onde o turismo de natureza tem vindo a crescer de forma muito expressiva. “Estamos a falar de locais frágeis, com grande valor ambiental e paisagístico. Se não houver regras e controlo, rapidamente perdemos aquilo que torna estes sítios únicos. Gerir bem é a única forma de garantir que continuam acessíveis no futuro”, salientou.
60 mil entradas em janeiro
Os números mais recentes confirmam a forte procura. Desde que o sistema de registo foi implementado, já foram contabilizadas cerca de 60 mil utilizações nos percursos classificados. Entre 1 e 22 de janeiro de 2026, a Vereda da Ponta de São Lourenço (PR8) liderou a procura. Seguiram-se a Levada das 25 Fontes (PR6), a Vereda do Areeiro até à Pedra Rija (PR1), a Vereda do Pico Ruivo (PR1.2), a Vereda dos Balcões (PR11) e a Levada do Caldeirão Verde (PR0). No Porto Santo, o percurso mais procurado foi a Vereda do Pico Branco e Terra Chã.
Os horários entre as 9h00 e as 11h00 continuam a concentrar a maior procura, o que, segundo a tutela, demonstra a importância do escalonamento de entradas ao longo do dia. Apesar do expressivo número total de utilizadores, os residentes representam cerca de 1,4% do total de caminhantes registados até agora, sendo a maioria dos visitantes turistas estrangeiros.
Ainda assim, o Governo Regional faz questão de reforçar a ligação da população local ao património natural. “Queremos que os residentes continuem a usufruir dos percursos, mas de forma organizada. Esta alternativa é um sinal claro de que estamos atentos à realidade das pessoas e disponíveis para ajustar o modelo sempre que isso seja compatível com a preservação ambiental”, afirmou Eduardo Jesus.
Paralelamente à implementação do sistema, têm sido promovidas várias ações de esclarecimento dirigidas a operadores turísticos, empresas de animação e agências de viagens, muitas delas em articulação com a Associação Comercial e Industrial do Funchal. O objetivo é garantir que o novo modelo é compreendido e aplicado de forma uniforme, evitando constrangimentos para quem visita a Região.
As equipas do IFCN estão presentes nos pontos de acesso aos percursos para realizar o controlo das entradas, prestar informações e acompanhar os utilizadores. O reforço de meios humanos e técnicos faz parte da estratégia de adaptação progressiva ao novo sistema.
Para Eduardo Jesus, o processo tem decorrido de forma positiva. “Tem havido dúvidas, o que é natural quando se muda um modelo, mas também tem havido uma grande colaboração, quer junto dos operadores, quer dos próprios visitantes. A mensagem está a passar: isto não é para dificultar, é para proteger e organizar”, referiu.
Com esta nova via de acesso no local, os residentes passam assim a dispor de duas possibilidades complementares para entrar nos percursos pedestres classificados: o registo antecipado na plataforma Simplifica ou o controlo presencial no início do trilho. Uma solução que, segundo o Governo Regional, procura equilibrar simplicidade para quem vive na Região com responsabilidade na gestão de um dos seus maiores patrimónios naturais.