A Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, através da Direção Regional dos Arquivos, das Bibliotecas e do Livro, recebeu o arquivo fotográfico de José de Sá, conhecido como o “retratista” do Caniço, numa doação efetuada pelos seus filhos e formalizada através de contrato recentemente assinado.
José de Sá nasceu em 1928 no Caniço e, desde muito jovem, começou a fotografar a terra e as suas gentes. Numa freguesia onde não existia estúdio fotográfico, era frequentemente solicitado para realizar retratos e registar momentos marcantes da vida das famílias, como casamentos e funerais. Autodidata e dotado de grande sensibilidade para a fotografia, documentou também o quotidiano local, fotografando procissões, arraiais, ceifas e debulhas de trigo.
Apesar de não dispor de laboratório próprio, revelava as suas fotografias na Foto Sol. Embora fosse fotógrafo amador, foi considerado o fotógrafo oficial do Caniço. Faleceu em 2015.
O arquivo agora doado é constituído sobretudo por retratos, paisagens e reportagens de eventos familiares ocorridos na freguesia do Caniço, num total aproximado de nove mil negativos em película, datados principalmente das décadas de 1950 a 1970. Inclui ainda um pequeno conjunto de fotografias do período em que José de Sá esteve emigrado na Austrália, no final da década de 1960.
Na cerimónia de doação, e em representação da família, a filha de José de Sá, Sizaltina Sá, manifestou o orgulho pela continuidade do legado do pai. “Quero agradecer a vossa recetividade e dizer que estou muito orgulhosa por dar seguimento ao trabalho feito pelo meu pai”, declarou.
Também presente, o Secretário Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus agradeceu formalmente à família de José de Sá pelo gesto de confiança, considerando que se trata de um contributo inestimável para o conhecimento da vida social e cultural do Caniço ao longo do século XX. O governante deixou ainda um agradecimento a Roquelino Ornelas, por ter feito a ligação à Direção Regional dos Arquivos, das Bibliotecas e do Livro (DRABL) em todo o processo de doação do espólio.
Na ocasião, o secretário regional destacou ainda a importância das doações privadas como complemento essencial ao esforço público na preservação da memória coletiva. “Esta doação vai merecer o maior carinho por parte desta equipa”, afirmou, sublinhando que a DRABL tem vindo a receber espólios de várias casas fotográficas e arquivos pessoais, o que tem permitido alargar significativamente o acervo de fotografias sobre a Madeira hoje disponível.
Segundo o governante, esse trabalho tem como finalidade última garantir o acesso do público a este património. “Não se trata apenas de preservar e manter nas melhores condições, ou de recuperar quando é necessário, mas sobretudo de ser um canal ao serviço das pessoas”, referiu, explicando que esse acesso pode servir interesses familiares, profissionais, académicos ou de investigação.
Eduardo Jesus salientou ainda que esta coleção possui particularidades que alargam o interesse e o horizonte do acervo regional, pelas características históricas e sociais que documenta. “Esta é uma riqueza extraordinária e assumimos o compromisso de tratar e zelar da melhor forma por todo este património”, declarou.
O governante aproveitou a ocasião para apelar à participação da sociedade civil na construção da memória coletiva. “Queremos que mais famílias e instituições sigam este exemplo e confiem os seus espólios ao Arquivo Regional, porque este património é de todos”, afirmou, considerando o acervo regional “um instrumento de afirmação cultural da Região” e a memória “uma base essencial da cidadania e da democracia”.