O presidente do Governo Regional falava à margem de uma visita que hoje fez à sede da empresa criada em 1926 e instalada na Rua das Murças. Aos jornalistas, salientou ser «uma das empresas centenárias da região autónoma, uma empresa que tem 100 anos dedicados à atividade do Bordado, que é uma atividade que atravessou diversas crises profundas».
«Mesmo assim, a empresa subsiste ainda hoje. Tem um conjunto de cinco ou seis empregados, é uma empresa familiar que continua a oferecer o melhor do bordado da Madeira a quem nos visita. E acho que é importante nós fazermos hoje esta comemoração», disse.
Neste sentido, fez questão de dar os parabéns aos empresários e à família e dizer-lhes que era com grande orgulho que estava naquele espaço «a compartilhar o sucesso desta empresa». «Não é qualquer empresa que atinja os 100 anos», reiterou.
O governante lembrou tratar-se de um sector que está em profunda mudança e que terá inevitavelmente de passar por essa mudança.
«Essa mudança começou alguns anos atrás, de uma forma, por assim dizer, mais incisiva, com um conjunto de empresas que não conseguiram concorrer com o bordado feito na China, a preços muito mais barato e muito mais acessíveis. A maioria dessas empresas fecharam a sua atividade», lembrou.
Neste momento o Bordado Madeira, sublinhou, «está a passar, mantendo a vertente do bordado tradicional, que é um produto de luxo e não é acessível a toda a gente, por uma reconversão, através dos novos designers e novas peças que são feitas para incorporar em novos padrões, novas formas de apresentar o Bordado».
A propósito elogiou o trabalho de uma das designers que estava no local (Constança Entrudo) e de André Pereira (recordando o desfile de sucesso que este fez recentemente, usando o Bordado Madeira), como exemplo do novo Bordado Madeira.
Ou seja, «há outras formas de utilizar o Bordado, para além do clássico». «Nós vamos continuar a ter o clássico e vamos ter o novo e é por isso que o Bordado está a ter uma grande transformação e vai continuar a ter nos próximos anos», anunciou.
O governante lembrou que ainda existe um conjunto significativo de bordadeiras. «Nós apoiamos mais de 700, mas nem todas elas dedicam-se exclusivamente, como se sabe, à atividade do Bordado. Nós damos um prêmio anual a todas as bordadeiras, desde que eu cheguei ao governo que isso é feito», enalteceu.
No entanto, Miguel Albuquerque admite que a tendência será possivelmente para alguma diminuição no número de bordadeiras. Mas, disse, também a este nível vai haver uma reconversão.
A empresa “Lino & Araújo” foi fundada em 1926, sendo um dos mais antigos fabricantes do Bordado Madeira, original e feito à mão.
Em 1994, foi adquirida pela Abreu & Araújo, uma empresa familiar dedicada ao fabrico de Bordado Madeira, fundada em 1978.
Dispõem da mais vasta coleção de designs originais de Bordado Madeira, criada ao longo das décadas, sempre de acordo com os princípios dos desenhos originais e o processo de fabrico tradicional.
Atualmente, a empresa dispõe de duas lojas abertas ao público, localizadas na Rua dos Murças.