O presidente do Governo Regional da Madeira sustentou hoje que «os resultados turísticos da Região Autónoma da Madeira não são um fenómeno ocasional nem um produto da conjuntura internacional». «São, sim, o resultado direto de opções políticas tomadas de forma consistente ao longo da última década, que consolidaram o turismo num dos principais pilares estruturais da economia regional», defendeu.
Miguel Albuquerque falava no plenário da Assembleia Legislativa da Madeira, que hoje debateu o Turismo, no âmbito dos debates mensais. Uma intervenção onde começou por lembrar que «entre 2015 e 2025, a Região passou de cerca de 1,3 milhões de hóspedes para mais de 2,4 milhões, e de cerca de 7 milhões de dormidas para mais de 12,7 milhões».
E prosseguiu: «Mais significativo ainda é o crescimento em valor: os proveitos totais do alojamento turístico aumentaram mais de 170% neste período, o preço médio por quarto mais do que duplicou e o RevPAR praticamente triplicou. Isto demonstra que a Madeira não cresceu apenas em volume, cresceu sobretudo em qualidade e em rendimento económico por visitante».
Dados que, na sua opinião, são centrais para a discussão política, por permitir constatar que «crescemos não apenas em quantidade, mas em valor». O que se traduziu diretamente «em maior rentabilidade das empresas, maior arrecadação fiscal e maior capacidade de investimento privado».
O líder madeirense salienta que, contudo, o crescimento do Turismo «não aconteceu por acaso». E, defendeu, «uma das decisões políticas mais relevantes foi a concentração da promoção turística numa única entidade, a Associação de Promoção da Madeira, pondo fim à dispersão de recursos e garantindo coerência estratégica».
Em paralelo, adiantou, «houve um reforço claro do investimento público na promoção, assumindo-se que este é um instrumento económico e não um custo». Hoje, enaltece, «a Madeira apresenta níveis de notoriedade internacional muito superiores aos de há uma década e uma posição competitiva reforçada face a destinos concorrentes».
Outra aposta estrutural foi «a diversificação dos mercados emissores: a Região deixou de depender quase exclusivamente de um pequeno número de países e passou a trabalhar novos mercados de forma sistemática».
«O exemplo mais claro é o mercado dos Estados Unidos da América, que passou de um mercado residual para um dos que mais cresce em valor, em permanência média e em gasto por turista. Esta diversificação reduziu a vulnerabilidade externa da economia turística e aumentou a resiliência do setor», relevou.
A par, enalteceu a evolução do mercado nacional, que hoje é já o principal em número de hóspedes e, já em 2025, passou a ser o segundo em dormidas, tendo ultrapassado o Reino Unido, que durante décadas foi o principal mercado da Madeira.
Um dado que, advogou, «tem enorme relevância económica e política». Porque «significa maior estabilidade da procura, maior fidelização e maior previsibilidade para as empresas regionais». «O crescimento do mercado nacional reforça a capacidade de resistência do setor em períodos de crise internacional», explica.
O governante salientou ainda os indicadores do transporte aéreo: em 2025, os aeroportos da Região ultrapassaram os 5,6 milhões de passageiros, quando em 2019 esse valor rondava os 3,4 milhões.
«Isto representa um crescimento superior a 67% face ao período pré-pandemia. O número de movimentos comerciais também aumentou mais de 12% face ao ano anterior, com mais rotas, mais frequências e mais companhias aéreas a operar regularmente. A Madeira está hoje ligada diretamente a mais países e a mais aeroportos do que em qualquer outro momento da sua história turística», disse.
Miguel Albuquerque destacou ainda que «o turismo é cada vez mais responsável por uma parte determinante do Produto Interno Bruto regional e sustenta diretamente milhares de postos de trabalho». O seu impacto, frisou, «estende-se a toda a economia: restauração, transportes, comércio, agricultura, construção, cultura e serviços». «Cada euro gasto por um turista gera efeitos multiplicadores na economia local. Quando o turismo cresce, cresce a economia regional. Quando o turismo é qualificado, qualificam-se os salários, as empresas e a arrecadação fiscal», acrescentou.
Face a estes resultados, «há quem procure explicar estes resultados apenas pela conjuntura internacional». Mas, se assim fosse, «todos os destinos teriam crescido da mesma forma». «E não cresceram. A Madeira cresceu acima da média nacional e acima de muitos destinos concorrentes. Isso demonstra que houve estratégia, planeamento e continuidade política», asseverou
O líder madeirense lamentou ainda que haja quem critique o crescimento turístico, invocando pressão e saturação. Esquecendo o rigor que se impõe nesta discussão. É que «quando comparamos a densidade turística da Madeira com outros destinos insulares europeus, verificamos que continuamos abaixo de realidades como Canárias, Baleares ou Malta».
Porque, reforçou, «crescemos, sim, mas crescemos mais em valor do que em volume». Hoje, diz, «há mais receita por turista, mais permanência média e maior retorno económico por visitante, o que significa menos pressão relativa sobre o território para gerar o mesmo ou maior rendimento económico».
Neste sentido, diz que « que hoje se apresenta como bons resultados é, na verdade, o reflexo de decisões políticas tomadas anos antes: concentrar a promoção, reforçar o investimento, diversificar mercados, apostar no mercado nacional e fortalecer as acessibilidades aéreas». «Estas opções transformaram o turismo num setor mais robusto, mais diversificado e mais resistente do que era há dez anos», disse.
Miguel Albuquerque recordou ainda que «quando se discutem os resultados do turismo, não se discutem apenas visitantes». «Discutem-se receitas, emprego, investimento e estabilidade económica. Discutem-se escolhas políticas que moldam o modelo económico regional», adiantou.
Desta forma, considerou que «os bons resultados não surgiram apesar das políticas públicas; surgiram por causa delas». «Não são um acaso, são consequência. Não são um problema, são uma oportunidade. Não são conjuntura, são estrutura», elencou.
É tudo isto que explica que «a Madeira tenha hoje mais passageiros, mais dormidas, mais proveitos e maior projeção internacional». «É isso que explica que o turismo seja hoje um dos principais motores da economia regional. E é isso que justifica a continuidade de uma política baseada na estratégia, na consistência e na responsabilidade», frisou.
O presidente do Governo Regional salienta que não se pode viver apenas do passado ou do presente. «É nesse espírito que nasce o UPGRADE, um programa transformador que projeta a Região Autónoma da Madeira para o futuro, integrando medidas legislativas, operacionais e de gestão territorial, concebidas para garantir equilíbrio entre residentes e visitantes, qualificar experiências, diversificar a oferta e reforçar a sustentabilidade como pilar central», realçou.
Segundo Miguel Albuquerque, o UPGRADE coloca a experiência dos residentes no centro do turismo, porque a satisfação de quem vive na Madeira determina a experiência do visitante». «Protocolos para o Alojamento Local equilibram a distribuição de alojamento, relatórios semestrais sobre densidade turística
permitem decisões mais informadas e campanhas educativas reforçam boas práticas entre residentes e turistas», enumerou.
Por outro lado, «o programa transforma a experiência do visitante, requalificando áreas naturais emblemáticas ao mesmo tempo que sistemas de gestão de fluxos e reservas asseguram segurança, evitam sobrelotação e proporcionam experiências valorizadas».
«A descentralização da procura turística é outro pilar do UPGRADE. Novos percursos pedestres, novos polos de atração e a recuperação de trilhos permitem distribuir visitantes, proteger zonas sensíveis e dinamizar economias locais. Cada trilho, cada intervenção, cada melhoria em mobilidade gera emprego, formação, serviços qualificados e valor acrescentado para toda a Região», explicou ainda.
Paralelamente, «o programa reforça ainda a identidade madeirense e a qualidade da oferta, valorizando espaços públicos e serviços, promovendo a formação contínua dos trabalhadores do setor e intensificando a gestão da Marca Madeira».
Assim, «o Programa UPGRADE é, acima de tudo, uma ferramenta de futuro». «Não se limita a responder à procura atual, mas prepara-nos para os desafios da próxima década. Garante que o turismo continua a ser uma força positiva, integrada com a vida dos cidadãos, sustentável, consciente e de excelência. É o compromisso da Madeira com a competitividade, com a qualidade de vida e com a preservação do que nos torna únicos», destacou.
Depois, em jeito de conclusão, resumiu: «Estamos a construir não apenas o presente, mas o amanhã do turismo regional. Estamos a consolidar um ciclo de sucesso com responsabilidade, visão e ambição. Estamos a garantir que cada visitante continua a sentir a Região como um destino ímpar, e cada residente se sente parte desse sucesso».