«É difícil, porque temos atingido padrões de excelência ao longo de todos estes anos. Mas, mesmo assim, tem sido possível continuar a melhorar o Pavilhão da Madeira, graças aos nossos designers, aos nossos decoradores. E variando também as temáticas. Porque, a diversidade da oferta turística na Madeira permite isso», acrescentou.
O presidente do Governo Regional falava no primeiro dia da Bolsa de Turismo de Lisboa, no Pavilhão da Madeira, que irá acompanhar os cinco dias de feira. Uma intervenção que foi complementada com uma explicação sobre o programa Upgrade e os seus objetivos (suster a quantidade e melhorar a qualidade do Turismo madeirense; conciliar a vivência dos residentes com os turistas; diminuir a carga sobre os ecossistemas, criando percursos e espaços alternativos e monitorizando essa mesma carga).
Aos presentes, o líder madeirense acentuou tratar-se de um projeto que já está em curso e em execução, com 27 medidas já no terreno, desde 1 de janeiro. E com três grandes objetivos, sublinhou.
«O primeiro objetivo é suster a quantidade e mensurar a qualidade. Ou seja, termos melhores serviços, melhor produto, menos concentração e menos peso sobre os ecossistemas e sobre os espaços Ter melhor preço, por isso é que precisamos de fazer todo este caminho de melhorar a estética e as infraestruturas, de melhorar a qualidade do serviço que prestamos», realçou.
O segundo objetivo passa, destacou, por conciliar a vivência normal dos residentes com o Turismo. «Porque o Turismo na Madeira tem uma característica muito interessante: há uma simbiose constante entre o dia-a-dia normal dos residentes e o turista. É assim já há 200 anos. Não temos guetos, ao contrário de outros destinos turísticos».
Miguel Albuquerque lembra que as pessoas vivem nos mesmos espaços, os madeirenses vão aos mesmos restaurantes dos turistas. O que significa que, destacou, «quando temos um excesso de carga, seja na área do Parque Natural, seja sobre as levadas, seja nos restaurantes, seja nos Serviços, isso pode causar alguma fricção com os residentes». A ideia, com este novo Programa, «é compatibilizar completamente a vivência dos cidadãos, na sua cidade, na sua vida, com o Turismo». «É objetivo que temos de atingir», exortou.
O terceiro objetivo, «igualmente importante, é diminuir a carga sobre os ecossistemas, criando percursos e espaços alternativos, e garantir uma monitorização da gestão da carga».
O que, explicou, significa que se pode, através desta política, preservar ecossistemas e, por outro lado, garantir uma melhor experiência aos turistas».
«Por exemplo, se nós conseguirmos, como vamos conseguir, em determinado percurso, em determinada levada, ter uma noção do número de turistas lá presentes, poderemos fazer uma boa gestão, redirecionando-os em caso de excesso de presenças para um percurso alternativo ou organizar as zonas de visita», realçou.
O mesmo poderá ser feito num museu, numa igreja ou em qualquer outro património edificado: «se houver uma sobrecarga a qualquer hora conseguiremos fazer essa gestão».
Isso significará, garantiu, «uma majoração desse património natural e edificado e significará que o turista vai poder usufruir da experiência com melhor qualidade».
«Não faz sentido termos um amontado de pessoas, num percurso, numa levada, até porque as pessoas gostam de usufruir do espaço, da paisagem, do silêncio. Esta medida vem garantir mais equilíbrio e mais investimento na preservação dos espaços, na segurança, nas comunicações, na limpeza, no socorro, em tudo o que existe para oferta turística», defendeu.
Miguel Albuquerque sublinhou ainda que o Governo conta com a colaboração dos agentes do Turismo, dos agentes económicos e das autarquias na execução do Programa Upgrade. Porque este é, garante, um objetivo de todos.
E, a propósito, deu ainda um outro exemplo do pretendido: «Aquelas esplanadas com mesas e cadeiras em plástico ou com publicidade, temos de acabar com isso. Temos de fazer essa melhoria estética, até porque não é um grande investimento para o empresário. E vai trazer valor acrescentado para o seu negócio. É mais atrativo, é mais moderno. Esteticamente é mais agradável e é mais confortável».
O líder madeirense disse ainda que «o Governo toma decisões políticas, mas é importante dizer que todas estas áreas que estamos a executar, têm uma permanente observação do Observatório do Turismo».
Ou seja, «nós fazemos inquéritos aos turistas e aos residentes, no sentido de tomarmos as melhores decisões». «Essa ideia muito portuguesa do olhómetro e do estudómetro (aqueles que vão para a televisão e acham que sabem sobre tudo) não funciona. Nós temos de planear as coisas, tendo por base um conjunto de informação mais rigorosa possível», clarificou.
E deu o exemplo das rent-a-car, cuja atividade o Governo está a melhorar: «Verificamos que apenas cinco por centro das viaturas que circulam na Madeira são das rent-a-car. Nem sempre a perceção que temos corresponde à realidade».
O presidente do Governo Regional diz que o programa Upgrade obrigará a realizar vários investimentos, uns já em curso, outros que ainda demorarão algum tempo, como a criação dos parques de estacionamento. Ou do aumento dos percursos recomendados (a Região tem 42 percursos recomendados, 39 na Madeira e três no Porto Santo, com a criação de outros percursos. « Vamos fazê-lo. Percursos com segurança e qualidade», asseverou.
«Há também que fazer investimentos ao nível de equipamentos informáticos, ao nível das redes de comunicação…. Tudo isso obriga a algum tempo. Mas, o tiro de partida já foi dado. E já há 27 medidas em execução», acrescentou.
Falou ainda da grande atração turística que será o novo teleférico do Curral e da importância de a Região ter seis campos de golfe (para permitir que a Madeira se transforme num destino de golfe de excelência). A propósito aludiu ao campo de golfe da Ponta do Pargo em fase final de execução, ao aumento do campo de golfe do Porto Santo, ao novo campo de golfe do Faial e ao aumento futuro do campo de golfe do Santo da Serra,
Depois, face ao anúncio, feito pelo comandante Mário Chaves, Chief Operations Officer (COO) da TAP Air Portugal de que a ligação Madeira/Faro/Madeira passará a ser durante todo o ano, Miguel Albuquerque mostrou-se satisfeito com a medida.
E «enalteceu a TAP, que tem sido parceiro importantíssimo para a Madeira». «Essa rota fazia falta.. É mais um hub que é criado para a Madeira. O Aeroporto de Faro vai também ter um hub para a Madeira. Ganhamos nós, mas também a TAP», enalteceu.
Miguel Albuquerque ouviu ainda o presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, anunciar outra boa notícia para a Madeira: que continuará a ser, para a Associação Portuguesa dos Agentes de Viagem e Turismo, o destino preferido dos portugueses em 2026.
A concluir, agradeceu á RFM, mas também a todos os agentes e empresários turísticos madeirenses que estão presentes, com a Região, naquela Feira. «A BTL é muito importante, essencialmente para os profissionais do Turismo», disse.