As doenças transmitidas por alimentos continuam a representar um importante desafio para a saúde pública, com impacto significativo na saúde das populações e nos sistemas de saúde. Estima-se que, todos os anos, cerca de 600 milhões de pessoas adoeçam após o consumo de alimentos contaminados, resultando em aproximadamente 420 mil mortes em todo o mundo.
As temperaturas elevadas, particularmente durante os meses mais quentes do ano, constituem um importante fator de risco para a ocorrência destas doenças, uma vez que favorecem a multiplicação de bactérias e outros microrganismos nos alimentos quando estes não são corretamente conservados, refrigerados ou preparados.
Estas doenças resultam da ingestão de alimentos contaminados por agentes biológicos, como bactérias, vírus e parasitas, ou por substâncias químicas e toxinas prejudiciais à saúde. Embora, na maioria dos casos, provoquem infeções gastrointestinais agudas, podem também originar complicações graves, particularmente entre crianças, grávidas, idosos e pessoas com o sistema imunitário comprometido.
A segurança dos alimentos depende de todas as etapas da cadeia alimentar, desde a produção até ao consumo. A adoção de boas práticas de higiene, conservação e preparação dos alimentos constitui uma das medidas mais eficazes para reduzir o risco de contaminação e prevenir a ocorrência destas doenças. Durante os períodos de calor intenso, é especialmente importante manter a cadeia de frio, evitar deixar alimentos perecíveis à temperatura ambiente durante períodos prolongados e garantir uma confeção adequada dos alimentos.
Os sintomas mais frequentes incluem diarreia, vómitos, dor abdominal e febre, podendo manifestar-se poucas horas ou vários dias após a ingestão do alimento contaminado. Perante sintomas persistentes ou de maior gravidade, é aconselhável procurar assistência médica, sobretudo nos grupos mais vulneráveis.
A contaminação dos alimentos pode ocorrer por diferentes vias, nomeadamente através de uma higiene inadequada das mãos, do contacto entre alimentos crus e cozinhados, da utilização de utensílios contaminados ou da conservação incorreta dos alimentos. Em períodos de temperaturas elevadas, estes riscos aumentam quando os alimentos permanecem fora de refrigeração ou são transportados sem as condições adequadas. A prevenção passa, por isso, pela adoção de comportamentos seguros no dia a dia e pelo acesso a informação fiável que permita aos consumidores fazer escolhas informadas.
A DRS associa-se a esta iniciativa de sensibilização, reforçando que a segurança alimentar é uma responsabilidade partilhada entre consumidores, produtores, operadores do setor alimentar e entidades de saúde pública. Promover a literacia em saúde e incentivar práticas seguras ao longo de toda a cadeia alimentar são passos essenciais para reduzir a carga das doenças transmitidas por alimentos e proteger a saúde da população, especialmente durante os períodos de maior calor.