Os novos órgãos sociais da Santa Casa da Misericórdia do Funchal tomaram hoje posse para um novo mandato, numa cerimónia que contou com a presença da secretária regional de Inclusão, Trabalho e Juventude, em representação do presidente do Governo Regional.
Na sua intervenção, Paula Margarido destacou o papel histórico da instituição, fundada em 1508, sublinhando que a Santa Casa da Misericórdia do Funchal “faz parte da própria história social, assistencial e humana da Madeira”, tendo estado, ao longo de séculos, na linha da frente dos cuidados de saúde e do apoio aos mais vulneráveis.
A governante enalteceu o trabalho desenvolvido pelos membros dos órgãos cessantes e desejou sucesso aos novos responsáveis, liderados pelo provedor Jorge Miguel Pestana Spínola, salientando que muitos dos atuais dirigentes já acompanhavam de perto a vida da instituição, garantindo, assim, uma transição “serena, responsável e preparada”.
Durante a cerimónia, foi igualmente destacada a profunda transformação que a instituição atravessa, associada à construção do novo Complexo Social da Santa Casa da Misericórdia do Funchal, atualmente em fase avançada de execução e financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Com um investimento superior a 13,3 milhões de euros, o projeto permitirá mais do que duplicar a capacidade assistencial da instituição, integrando uma Estrutura Residencial para Pessoas Idosas, com capacidade para 85 residentes, um centro de dia especializado para 45 utentes, residências assistidas, uma unidade de reabilitação com piscina terapêutica, sala Snoezelen, auditório, capela e diversos espaços comunitários.
Perante os desafios associados ao envelhecimento da população, a secretária regional considerou que este investimento representa uma “verdadeira refundação” da Santa Casa da Misericórdia do Funchal, não ao nível da sua identidade, mas da sua capacidade de resposta, da sua dimensão e da preparação para os desafios sociais e demográficos das próximas décadas.
“A Santa Casa soube adaptar-se aos tempos sem perder a alma”, afirmou, destacando a capacidade da instituição para crescer, inovar e modernizar-se sem abdicar dos valores fundacionais da solidariedade e da proximidade às pessoas.
Paula Margarido sublinhou ainda que a Madeira continua a olhar para a Santa Casa como um dos seus mais importantes pilares de solidariedade, assistência e coesão social.
A governante destacou igualmente o relacionamento histórico entre a Santa Casa e a Região, mesmo antes da Autonomia, recordando o papel do Hospital de Santa Isabel, durante séculos a principal unidade de saúde da Madeira, que hoje acolhe o Salão Nobre do Governo Regional e outros serviços governamentais (na Avenida Zarco), bem como a gestão do Hospital dos Marmeleiros, entre 1928 e 1976.
À margem da cerimónia, a secretária regional salientou também que, apesar do importante reforço da oferta de vagas em estruturas residenciais para idosos proporcionado pelos investimentos financiados pelo PRR, a prioridade das políticas sociais da Região continua a ser o apoio domiciliário, resposta que atualmente abrange cerca de 3300 idosos.
Nesse sentido, destacou a existência de uma rede de respostas sociais que permite a milhares de idosos madeirenses permanecer nas suas casas e no seu ambiente afetivo e familiar, preservando a autonomia, os laços comunitários e a qualidade de vida, reservando a institucionalização para as situações em que esta se revele efetivamente necessária.