A Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, através da Madeira Film Commission, vai apoiar a produção do documentário “História Florestal de Porto Santo”, com realização de Francisco Manso e guião de Francisco Castro Rego, em 2026. O apoio no valor de 12 mil euros já foi aprovado em Conselho do Governo Regional, e será formalizado através de um contrato-programa celebrado entre a Região Autónoma da Madeira e a produtora Francisco Manso – Produção de Audiovisuais, Unipessoal Lda..
O projeto pretende dar a conhecer uma dimensão menos visível da ilha do Porto Santo, para além da sua oferta turística balnear e do golfe, valorizando a sua geologia e, sobretudo, a biodiversidade da vegetação, temas centrais no contexto da Reserva da Biosfera, e, dessa forma sensibilizar o público para a diversidade biológica e para a importância da conservação ambiental.
Com a duração prevista de 30 minutos, o documentário irá percorrer a evolução histórica da paisagem florestal desde os séculos XV e XVI, passando pela presença simbólica das palmeiras na imagem da ilha e pelos atuais problemas causados pelo gorgulho, até aos grandes trabalhos de arborização iniciados no final do século XIX por Schiappa de Azevedo, com a construção de muretes de pedra, pequenas barragens e experiências com diversas espécies.
A narrativa aborda ainda as fases posteriores de reflorestação, o uso do pinheiro-de-alepo e, mais recentemente, o regresso às espécies autóctones, como o dragoeiro, o zambujeiro-da-Madeira, o barbusano, o marmulano e o zimbro, destacando o esforço coletivo de técnicos florestais, guardas, escolas e população local na construção e manutenção da floresta.
Segundo o contrato-programa aprovado, este apoio enquadra-se na missão da Madeira Film Commission de posicionar a Região como destino privilegiado para produções de cinema, audiovisual e multimédia, bem como de promover parcerias públicas e privadas que dinamizem o setor. O Governo Regional considera que o projeto constitui uma oportunidade qualificada de divulgação da Madeira e do Porto Santo, contribuindo para a valorização do património ambiental e cultural da Região.
Refira-se que o guião é da autoria de Francisco Castro Rego, Engenheiro Silvicultor e Doutorado na mesma área pela Universidade de Idaho (EUA). Foi Professor na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e depois na Universidade Técnica de Lisboa, tendo sido Presidente do Instituto Superior de Agronomia. Foi também Diretor da Estação Florestal, Presidente do Instituto Florestal Europeu e Diretor-Geral dos Recursos Florestais.
Já a produtora responsável, fundada em 2006 pelo cineasta Francisco Manso, apresenta um vasto percurso no audiovisual, com projetos de produção e coprodução para cinema e televisão, em colaboração com diversas instituições culturais portuguesas, sendo reconhecida pelo trabalho de investigação e valorização do património histórico e natural.
Recorde-se que, no âmbito da sua política de apoio à criação audiovisual, a Madeira Film Commission tem vindo a atribuir incentivos a várias produções nacionais e internacionais, reforçando o papel da Região no circuito cinematográfico. Em 2022, a entidade já tinha apoiado a produção “Abandonados”, também de Francisco Manso, que, para além da versão de série televisiva (RTP) teve uma versão cinematográfica viria a ser amplamente distinguida em festivais nacionais e internacionais, com a atribuição de diversos prémios.
Com este novo apoio, a Madeira Film Commission reforça a sua estratégia de incentivo a obras audiovisuais independentes que promovam a identidade própria do arquipélago, associando criação cultural, valorização do território e divulgação externa da Região Autónoma da Madeira.
Segundo o Secretário Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, “a Madeira Film Commission tem desempenhado um papel absolutamente determinante na projeção externa da Região, não apenas como destino turístico, mas também como território de criação cultural e científica, capaz de acolher e produzir conteúdos audiovisuais de qualidade”.
O governante sublinha ainda que este apoio específico assume um significado particular: “o documentário História Florestal de Porto Santo conjuga duas prioridades estratégicas da Região — a valorização do património natural e a produção cultural com identidade própria. Estamos a falar de um projeto que contribui para preservar a memória ambiental da ilha e, ao mesmo tempo, para sensibilizar residentes e visitantes para os desafios da conservação e das alterações climáticas”.
Eduardo Jesus destaca também a importância do investimento público na criação independente: “estes apoios não são apenas um incentivo financeiro; são um sinal claro de confiança no talento dos criadores e na capacidade da Madeira e do Porto Santo se afirmarem no panorama audiovisual nacional e internacional. Projetos como este demonstram que a cultura e o ambiente podem caminhar juntos, criando valor económico, científico e simbólico para a Região”.
Por fim, recorda que “o percurso recente da Madeira Film Commission, com apoios a várias produções de reconhecida qualidade, prova que esta política está a dar frutos, reforçando a imagem da Região como um território aberto à inovação, à cultura e à produção audiovisual “.