A Adega de São Vicente vai ser renovada a partir de 2027, num investimento global superior a 2 milhões de euros, anunciou ontem o secretário regional de Agricultura e Pescas, Nuno Maciel, durante uma visita à infraestrutura, onde acompanhou a receção e transformação das uvas da vindima de 2026.
A intervenção contempla a modernização da adega, a aquisição e atualização de equipamentos e o reforço da eficiência energética. Do investimento previsto, 1,3 milhões de euros foram submetidos a candidatura ao Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC). O objetivo é melhorar as condições de laboração e reforçar a capacidade de resposta pública aos viticultores.
“A Adega de São Vicente presta um serviço essencial aos viticultores e ao território. O investimento previsto permitirá criar melhores condições de laboração, reforçar a capacidade tecnológica e tornar a infraestrutura mais eficiente do ponto de vista energético”, sublinhou Nuno Maciel.
Mais de 52 toneladas recebidas na Adega
A campanha de 2026 já permitiu receber e laborar na Adega de São Vicente mais de 52 toneladas de uvas, entregues por cinco operadores económicos e provenientes também dos campos experimentais do Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira (IVBAM). A produção foi organizada em 15 lotes individualizados, assegurando a rastreabilidade e o acompanhamento das características próprias de cada entrega.
Está prevista a receção de mais cerca de 110 toneladas, o que poderá elevar para aproximadamente 163 toneladas o volume total de uvas laboradas na adega durante a presente vindima.
A Adega de São Vicente, em funcionamento desde 1999, é uma infraestrutura pública vocacionada para a prestação de serviços de vinificação, sob tutela do IVBAM. O equipamento tem contribuído para o desenvolvimento e afirmação dos vinhos tranquilos produzidos na Região Demarcada da Madeira, nomeadamente através da consolidação da Denominação de Origem «Madeirense» e da Indicação Geográfica «Terras Madeirenses».
Entre 2015 e 2025, a adega recebeu e transformou mais de 1.298 toneladas de uvas, numa média anual superior a 118 toneladas. As uvas brancas representaram 57,4% do volume total, tendo 69 toneladas sido destinadas à produção de vinho base para espumante.
Modernização para reforçar competitividade
A renovação prevista para 2027 pretende adequar a infraestrutura às atuais exigências técnicas e ambientais, melhorar as condições de trabalho e reforçar a eficiência energética, contribuindo para a sustentabilidade e competitividade do setor vitivinícola regional.
O investimento surge num contexto de valorização da produção vitivinícola da Madeira, com a Adega de São Vicente a manter um papel relevante no apoio aos produtores e na prestação de serviços de vinificação. A organização por lotes individualizados permite assegurar a rastreabilidade da produção e acompanhar as características específicas das uvas entregues pelos diferentes operadores económicos.
Reforço das ajudas POSEI com 3 mil toneladas já processadas
A visita de Nuno Maciel à Adega de São Vicente decorre numa altura em que a Madeira já processou mais de 3 mil toneladas de uvas, entregues por 939 produtores a 13 operadores económicos, num ano em que há reforço das ajudas do POSEI Produção para a campanha de 2026. A ajuda à casta Tinta Negra passa de 200 para 255 euros por tonelada e a da casta Boal (Malvasia Fina) aumenta de 81 para 255 euros por tonelada, medida que pretende incentivar a produção e promover a valorização destas duas castas de grande importância para a viticultura regional.
“Estes apoios traduzem de forma clara o compromisso que temos com os viticultores e com a manutenção das vinhas”, referiu o secretário regional que salientou igualmente as mais-valias da manutenção dos terrenos ao nível turístico.