A produção de pêros e maçãs na Madeira deverá manter-se este ano em linha com os valores registados em 2025, quando atingiu cerca de duas mil toneladas. A previsão foi divulgada pelo secretário regional de Agricultura e Pescas, Nuno Maciel, durante uma visita a uma exploração agrícola na Ponta do Pargo, onde destacou a importância da fruticultura e da renovação dos pomares para a sustentabilidade da agricultura regional.
Localizada no sítio da Achada do Mestre, a exploração do agricultor João Silva, com 800 metros quadrados, integra macieiras de várias variedades, entre as quais Golden, Super Golden, Reineta, Pero Domingos, Pêro da Ponta do Pargo e Santa Isabel.
“É fundamental continuar a acompanhar os nossos agricultores, valorizar as produções regionais e garantir que a fruticultura madeirense mantém a sua capacidade produtiva. A maçã é uma produção importante para a Madeira e temos de continuar a criar condições para que os nossos agricultores possam investir, renovar os seus pomares e produzir com qualidade”, afirmou Nuno Maciel.
O produtor João Silva é um bom exemplo do pretendido, sendo que até dezembro deverá realizar cerca de 500 novas enxertias nas suas explorações, aumentando assim o potencial produtivo.
Ponta do Pargo com bom estado fitossanitário
Segundo os dados dos serviços agrícolas regionais, a produção de maçã deverá manter-se este ano próxima das duas mil toneladas registadas em 2025, embora a previsão possa sofrer alterações até ao final da campanha. Na zona oeste, particularmente no concelho da Calheta, os pomares apresentam, de um modo geral, um bom estado fitossanitário.
Mantendo-se as condições atmosféricas favoráveis, os serviços agrícolas admitem a possibilidade de um ligeiro aumento face ao ano anterior, isto apesar de algumas explorações situadas no extremo do concelho, na Ponta do Pargo, terem sido afetadas pelos ventos fortes, com perdas de parte da produção, e das principais zonas produtoras afetadas pelos incêndios de anos anteriores continuarem a recuperar, se bem que as novas plantas entregues para reposição das árvores ardidas ainda não se encontrem na sua fase de produção.
Nuno Maciel acredita que é preciso continuar a investir na renovação dos pomares e no acompanhamento técnico dos agricultores.
“Temos explorações que precisam de ser renovadas e agricultores que necessitam de acompanhamento técnico para melhorar a produtividade e a qualidade dos seus frutos. O nosso compromisso é continuar a apoiar este setor, quer através da assistência técnica, quer através dos instrumentos de apoio ao investimento disponíveis para a agricultura regional”, acrescentou.
Durante a campanha de 2026, os serviços agrícolas realizaram, até à data, 75 assistências técnicas a produtores de maçã, sendo que no âmbito do Plano de Agricultores em Modo de Produção Biológico, foram acompanhados 20 produtores de pêro, representando uma área de 7,5 hectares.
Entre fevereiro e março foram ainda promovidas cinco ações práticas de poda em macieiras, envolvendo técnicos e agricultores de várias zonas da Madeira, incluindo a Ponta do Pargo, a Camacha, o Santo da Serra e São Roque do Faial.
Agricultura e turismo rural
O secretário regional de Agricultura e Pescas, Nuno Maciel, aproveitou a visita à Ponta do Pargo para conhecer o trabalho desenvolvido nas Casas da Levada, empreendimento de agroturismo rural que alia a valorização da paisagem agrícola à atividade turística. A visita permitiu destacar a importância da recuperação e valorização de espaços ligados à agricultura enquanto fatores de diversificação da economia local.
“É importante valorizar o nosso património rural e reconhecer o papel que estes espaços podem desempenhar na dinamização económica das freguesias. A agricultura e o turismo podem complementar-se, criando oportunidades e contribuindo para a fixação de pessoas e para a valorização dos produtos e das tradições locais”, afirmou Nuno Maciel.
Com uma propriedade de aproximadamente um hectare, as Casas da Levada dispõem de um pomar de pêros e produzem a sua própria sidra artesanal, denominada Sidra Endémica. A bebida é elaborada exclusivamente com maçãs endémicas da Ponta do Pargo, incluindo o Pêro da Ponta do Pargo, uma variedade tradicional que integra o património agrícola da freguesia.
A exploração produz anualmente cerca de 400 quilos de pêros, quantidade que permite obter aproximadamente 250 litros de sidra. A transformação da produção agrícola em produtos de valor acrescentado constitui, assim, uma forma de reforçar a ligação entre a agricultura e o turismo rural, proporcionando aos visitantes um contacto mais próximo com os produtos e as tradições locais.
O secretário regional considerou que projetos desta natureza contribuem para preservar a identidade da Ponta do Pargo e reforçar a atratividade das zonas rurais, aproximando os visitantes do território e das suas tradições. Para Nuno Maciel, a articulação entre a atividade agrícola e o turismo representa uma oportunidade para valorizar os recursos endógenos, dinamizar a economia das freguesias e criar condições para a permanência das populações nas zonas rurais.
Apoio à Festa do Pêro
No próximo fim de semana, a Casa do Povo da Ponta do Pargo organiza a tradicional Festa do Pêro.
Nesse âmbito, a Secretaria Regional de Agricultura e Pescas e a Casa do Povo da Ponta do Pargo formalizaram já um contrato-programa para a atribuição de um apoio financeiro até 20 mil euros, destinado à organização do evento.
A iniciativa assume-se como um momento de promoção da produção agrícola local e de valorização do património agrícola da Ponta do Pargo.