“Importa conhecer melhor para melhor decidir”. Foi com esta afirmação que o secretário regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, assinalou o arranque da Expedição Madeira Ocean 2026, uma operação científica de grande dimensão que, durante 28 dias, vai estudar os ecossistemas marinhos da Madeira, Porto Santo e Ilhas Desertas. A iniciativa reúne cerca de 200 participantes, 34 entidades, mais de 10 embarcações e equipas científicas nacionais e internacionais, numa operação que pretende reforçar o conhecimento sobre o património natural marinho da Região e produzir informação científica capaz de apoiar a sua conservação, monitorização e gestão futura.
Na cerimónia de arranque da expedição, Eduardo Jesus destacou o carácter oportuno desta iniciativa, enquadrando-a no percurso que a Região Autónoma da Madeira tem vindo a desenvolver, há mais de cinco décadas, na área da preservação e conservação do mar. O governante recordou a existência de áreas marinhas protegidas com um historial significativo e o alargamento das áreas de conservação, bem como a participação da Madeira em programas e iniciativas europeias neste domínio, considerando que a investigação científica agora desenvolvida permite aprofundar esse trabalho.
“É útil esta expedição porque importa conhecer melhor para melhor decidir”, afirmou o secretário regional, salientando a importância de dispor de informação científica sólida para sustentar as decisões relativas ao futuro do oceano.
Eduardo Jesus destacou igualmente a dimensão humana da iniciativa, referindo-se aos cerca de 200 participantes como “fazedores”, pela capacidade de transformar conhecimento, investigação e colaboração em resultados concretos.
“Hoje estou extremamente feliz porque temos 200 fazedores a bordo desta embarcação”, afirmou, sublinhando a presença de instituições científicas portuguesas e internacionais e a capacidade de congregar diferentes equipas, competências e meios em torno de um objectivo comum.
O secretário regional deixou ainda uma nota sobre a importância de garantir uma relação próxima com as comunidades que dependem e utilizam o mar. “É preciso ter muito cuidado com as comunidades envolvidas”, afirmou, defendendo que todo este processo deve ser desenvolvido “com equilíbrio”.
Conhecer o mar desde a costa até ao mar profundo
A Madeira Ocean 2026 decorre até 28 de Outubro e vai abranger diferentes ambientes marinhos, desde zonas costeiras até aos ecossistemas de mar profundo, com trabalhos que poderão alcançar os 1.000 metros de profundidade.
Ao longo das próximas semanas, as equipas científicas vão utilizar diferentes metodologias e tecnologias para recolher informação sobre a biodiversidade marinha, o estado dos habitats e as pressões que afectam os ecossistemas.
A operação combina mergulho científico, drones, mapeamento acústico, câmaras subaquáticas e veículos autónomos e operados remotamente, permitindo observar e caracterizar diferentes ambientes e cruzar dados provenientes de várias fontes.
Uma parte relevante dos trabalhos será realizada dentro e fora das áreas marinhas protegidas, permitindo estabelecer comparações entre diferentes zonas e aprofundar o conhecimento sobre a biodiversidade e a influência das actividades humanas nos ecossistemas.
O objectivo passa por construir uma visão mais completa do património marinho da Região e reunir informação que possa sustentar um programa de monitorização de longo prazo, permitindo acompanhar a evolução das espécies, habitats e ecossistemas ao longo dos próximos anos.
Ciência, tecnologia e conhecimento local
A dimensão científica e tecnológica da expedição é acompanhada pela valorização do conhecimento acumulado por quem vive e trabalha no mar.
João Canning Clode, da ARDITI, destacou a capacidade tecnológica e científica reunida nesta operação e a oportunidade de congregar um número alargado de investigadores e diferentes metodologias de investigação.
O investigador salientou também o papel das comunidades marítimas, nomeadamente dos pescadores, enquanto detentores de conhecimento sobre o oceano e as espécies que nele habitam.
Entre os participantes está a National Geographic Pristine Seas, programa internacional dedicado à investigação e conservação dos oceanos, que tem participado na criação e apoio a áreas marinhas protegidas em diferentes regiões do mundo.
Paul Rose, da National Geographic Pristine Seas, salientou a importância de reunir diferentes equipas e metodologias científicas para obter uma leitura mais completa dos ecossistemas e sublinhou a relevância dos dados científicos para apoiar decisões de política pública.
Também a Fundação Oceano Azul participa na iniciativa, enquadrando-a na necessidade de responder aos desafios associados às alterações climáticas e à perda de biodiversidade, através da ciência e da ligação às comunidades e aos diferentes utilizadores do mar.