O presidente do Governo Regional enalteceu hoje o Instituto de São João de Deus, que «tem trabalhado de uma forma muito eficaz e muito conclusiva do ponto de vista da sua intervenção, mantendo o prestígio desta instituição centenária». Agradecimentos e elogios que estendeu a todos os funcionários e técnicos daquela instituição «pelo trabalho maravilhoso que têm feito em prol da Saúde Mental na Madeira».
Miguel Albuquerque falava na inauguração das Unidades Elvira e Lucena, duas novas valências de cuidados continuados integrados em saúde mental, inseridas na Casa de Saúde São João de Deus, num investimento de cerca de 700 mil euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
O líder madeirense fez questão também de agradecer a todos os voluntários que colaboram com a Casa de Saúde São João de Deus, assumindo ser essencial assinalar-se o voluntariado, que «é algo que as nossas sociedades precisam e que deve ser acarinhado e apoiado».
Falando para uma plateia onde se destacavam a direção daquele Instituto e os seus colaboradores, mas também o Bispo do Funchal, Dom Teodoro de Faria, e a secretária da saúde, Micaela Freitas, Miguel Albuquerque disse ser fundamental que todos entendam a importância da manutenção do Estado social e o quanto é que ele custa.
«E perceberem que esse custo tem de ser controlado. Porque se a sua sustentabilidade não for assegurada nós vamos ter um problema de fim da Coesão Social que as nossas Democracias tendem a assegurar», avisou.
Segundo Miguel Albuquerque, basta olhar para o nosso Serviço Regional de Saúde para reparar que os custos desse Sistema aumentam todos os anos. «Se olharmos para a evolução tecnológica da Saúde, para a evolução terapêutica, para todos os medicamentos, nós vemos que os custos estão a aumentar de forma exponencial», lembra.
Um custo acrescido que obriga, salientou, a que a gestão na Saúde tenha «de ser feita de forma sustentada e de uma forma adequada de modo que a Região possa manter sempre esse nível de investimento».
«Neste momento, não temos esse problema, porque a Economia está a crescer e as receitas crescem. Mas, temos de olhar numa perspetiva de médio e longo prazo», avisou.
E exemplificou: «Nos últimos sete anos os custos dos medicamentos oncológicos cresceram. Os medicamentos, falando já em termos gerais, cresceram nos seus custos 70% nos últimos cinco anos.».
Mas, avançou ainda com um outro exemplo: «Estamos a fazer, na Madeira, um esforço assoberbado para acompanhar a evolução tecnológica na Cirurgia. Temos um robô cirúrgico de última geração, o Da Vinci, que custou dois milhões de euros, e vamos ter agora um para a Ortopedia, que também custa muito dinheiro. Demos formação a 60 médicos e técnicos de diagnóstico para poderem operar com esse robô, que permite uma cirurgia não intrusiva, com rápido restabelecimento e que liberta camas e permite aos doentes uma mais rápida recuperação».
Desta forma, defendeu que é preciso que haja a noção de que «se queremos ter um Sistema de Saúde adequado e a prestar à generalidade da população cuidados de saúde a quem deles precisa, com qualidade, temos de manter este Sistema, com controlo de custos».
Até porque há ainda a contabilizar o investimento que é necessário fazer para se continuar a fazer a fixação dos profissionais de Saúde (médicos, enfermeiros, técnicos, assistentes técnicos e operacionais) no quadro do Sistema público de Saúde da Madeira.
«Se nós não acompanharmos esta evolução, vamos ter um sistema dual, onde os ricos irão a um sistema privado e os pobres ficarão com um sistema menor de saúde. Teríamos, então, algo inaceitável em função dos princípios e valores que defendemos, que seria a determinação da Saúde e da esperança media de vida em função do rendimento de cada cidadão. Um mais rico viveria mais 10 anos e um mais pobre menos 15 anos», contestou.
É por isso que, acrescentou, não vai atrás de metáforas. «Temos de ter muito cuidado na aplicação dos dinheiros e na sustentabilidade do Sistema de Saúde»! E,
concomitantemente, a Região está a realizar infraestruturas que vão implicar pagamentos constantes.
«O enfermeiro Eduardo Lemos (diretor da Casa de Saúde São João de deus) já sabe que sou muito amigo dele, mas que faço contas. Nós estamos a viver tempos de abundância e está a correr tudo bem. No entanto, olhe-se para a situação internacional, que é muito delicada. A Europa está perante um desafio geopolítico que é o mais importante dos últimos oitenta anos. E não tenham dúvidas de que muitos destes fundos de coesão, que nos têm beneficiado, vão ser canalizados para a Segurança e para a Defesa da Europa e para o investimento tecnológico, área onde a Europa está atrasadíssima relativamente à China e aos Estados Unidos», alertou.
Assim, preconizou: «Temos de aproveitar rigorosamente estes fundos do PRR, temos de aproveitar os Fundos da Coesão de uma forma muito inteligente».
«Eu estava a olhar para a forma como esta Instituição tem trabalhado. Para o Governo é muito importante continuarmos a trabalhar convosco. Porque sabem gerir o dinheiro», disse ainda.
A concluir, o anúncio que a Região vai promover a atualização, já este ano, das diárias pagas às Casas de Saúde Mental, com efeitos retroativos a janeiro, para 62,78 euros. E em 2026 serão atualizadas para 68 euros.