O Secretário Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, marcou presença, esta segunda-feira, na apresentação pública da edição de 2025 do Madeira Classic Car Revival (MCCR), evento integrado no programa da Festa da Flor e, uma vez mais, organizado pela Clube de Automóveis Clássicos da Madeira e enalteceu o evento que afirma ser já “um cartaz internacional”.
Na ocasião, Miguel Gouveia, presidente do CACM, começou por afirmar que o Madeira Classic Revival, este ano na sua 12.ª edição, é “um evento que ao longo dos anos já conquistou o seu espaço, não só no coração dos madeirenses, mas também no calendário nacional de eventos dedicados ao automóvel clássico”. “O Madeira Classic Car Revival é um evento que alia a beleza estética dos veículos clássicos, à cultura e à memória e à tradição automobilística. Ao longo de vários dias, a cidade de Funchal transforma-se numa verdadeira montra viva da história do automóvel” acrescentou.
Sobre o evento, Miguel Gouveia disse que estarão em exposição 491 viaturas, sendo 35 anteriores a 1946 e, as restantes, posteriores a 1946. Haverá 18 viaturas todo-o-terreno, 11 oficiais, 61 motas e 8 bicicletas. A marca com mais presença é a Fiat com 50 viaturas. Na Rampa dos Barreiros, prova que se realiza integrada no MCCR e que, este ano, decorrerá na manhã de domingo, dia 25, estão inscritos 63 veículos.
Relativamente aos concursos, para o concurso de restauro, o Best of Show, serão7 automóveis em concurso, 7 motos e 1 bicicleta. Para o concurso de originalidade, serão 6 automóveis e 10 motos.
Relativamente às viaturas convidadas, este ano serão três. A viatura convidada estrela, uma vez mais propriedade do Museu do Caramulo, será um Bugatti Type 57 Stelvio Gangloff do ano de 1936, produzido em França, com uma cilindrada de 3.257 cc, 8 cilindros, 135 cv. Tem um peso de 1.580 kg e a velocidade máxima de 155 kmh. Outra presença de destaque é o Benz Dreirad, considerado o mais antigo automóvel do mundo construído em 1886. No MCCR estará uma réplica pertencente também ao Museu do Caramulo. Tem uma cilindrada de 954 cc e tem apenas um cavalo. Pesa 300 kg e atinge uma velocidade máxima 16 quilómetros horários. “Depois temos o terceiro carro: um carro de fabrico português, um carro de competição, mas que também andava na estrada. É um Olda, comum chassi Fiat 508, de 1954, cilindrada 1493 cc, 4 cilindros, peso 500 kg e uma velocidade máxima de 165 kmh. O proprietário é o nosso amigo e colecionador, Pedro Filipe”.
Miguel Gouveia acrescentou que, o âmbito da colaboração com o Club Sports Madeira, estarão em exposição 12 viaturas do Rally Madeira Legend, com o objetivo de promover a prova que irá para a estrada de 20 a 22 de novembro.
O responsável apelou ainda à participação no Concurso Vestir à Época, que, uma vez mais, atribuirá prémios aos três melhores: vouchers da Agência Euromar no valor de 500, 300 e 200 euros.
“Este ano, apresentamos várias novidades relativamente aos anos anteriores. Vamos encerrar a faixa sul da Avenida do Mar, portanto entre a Praça da Autonomia e a Rotunda Sá Carneiro”, para que os carros circulem entre as 10 e as 19 horas. “Será feita uma escala entre as viaturas e portanto, por marca, vão andar durante 20 minutos, 5, 6, 7 carros neste circuito”, explicou. “Vamos este ano também deslocar o palco da Praça do Povo para a frente da Assembleia Legislativa Regional, tornando a Praça do Povo mais ampla para a exposição e permitindo que os carros que vão a concurso possam ter um trajeto entre a Praça do Povo e a Assembleia, subindo a Avenida Zarco passando pela Avenida Arriaga e descendo ali junto à Sé, em desfile”.
Este ano, todo o Cais da Cidade será utilizado para a exposição, incluindo 14 supercarros. “Vamos ter também pela primeira vez uma zona de atividades para as famílias com a montagem de duas pequenas pistas de kartcross, a pedais, na zona inferior do cais 8”.
“Outra inovação e que no fundo tem a ver com este encerramento da Avenida do Mar é que vamos dar oportunidade a 60 espectadores do evento, porque vamos fazer 60 vouchers para um batismo de clássicos. Isto vai funcionar de uma forma muito fácil: as pessoas dirigem-se à casinha do Clube de Automóveis Clássicos da Madeira, e dizem que estão interessados nesta iniciativa. As pessoas podem ainda escolher em que carro querem andar”, explicou.
Agradecendo ao Governo Regional que, através da Secretaria Regional do Turismo, Ambiente e Cultura, apoiou o evento, à Câmara Municipal do Funchal, mas também a todas as entidades oficiais envolvidas, patrocinadores, aos participantes, colaboradores e voluntários cuja dedicação e entusiasmo são a alma deste evento, e ainda ao Museu do Caramulo e ao colecionador Pedro Filipe pelo terceiro ano consecutivo que trazem à exposição, veículos raros e de grande referência no mundo automóvel, Miguel Gouveia convidou todos “a viver de forma entusiástica mais uma edição memorável do Madeira Classic Car Revival 2025. Vamos celebrar juntos a história e a paixão sobre rodas”, sublinhou.
Nelson Ferreira, diretor de prova da Rampa dos Barreiros, explicou a 21.ª edição da prova irá começar no dia 23 de maio, sexta-feira, com as verificações administrativas e técnicas, entre as 17h30 e as 20 horas, no passeio marítimo entre o Beerhouse e a Praça CR7. A prova será no domingo dia 25, e vai começar junto à Assembleia Regional, na Faixa do Sul, e vai terminar junto à Quinta Magnólia. “Irá ter uma extensão de cerca de 2,5 quilómetros”, disse, alertando para o facto de que a estrada vai encerrar no domingo, às 8 horas, sendo que a primeira partida de reconhecimento será às 9h30 e primeira subida oficial às 10 horas.
Após a prova, as viaturas vão permanecer no Parque do Cais 8 e a entrega de prémios será pelas 17 horas junto ao pódio em frente à Assembleia Regional.
Finalmente, o Secretário Regional de Turismo, Ambiente e Cultura Eduardo Jesus começou por enalteceu o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo CACM, “na excelência na organização de eventos, na capacidade de inovação e pela motivação que está sempre presente” e felicitou o Clube pela quantidade de novidades que nos traz este ano. “Desde o encerramento da faixa sul da Avenida do Mar, a passagem da tenda para o lado norte da Avenida do Mar e das comunidades, fazer circular os automóveis de uma forma mais expressiva antes da sua apresentação e dos concursos decorrerem… Isso cria uma dinâmica muito grande e eu enfatizo isto porque um dos aspetos menos positivos dessas exposições é o facto de serem estáticas. Assim, esta é uma solução que vem tornar o Revival bastante atrativo”.
O Secretário sublinhou ainda a iniciativa dos batismos dos clássicos. “O clube ter esta sensibilidade de convidar a população a experimentar um clássico, investir nas novas gerações com esta experiência, isto é olhar para o futuro”, disse. “Esta aproximação ao público é fundamental para cativar, entusiasmar, ganhar um gosto e ganhar adeptos que eu acho que é importante nesta matéria”.
Dirigindo uma palavra a Roberto Frango, que colaborou na apresentação pública do MCCR ao disponibilizar duas motas clássicas, o Secretário Regional sublinhou que Roberto Frango espelha bem o interesse que tem o evento. “O Revival funciona como o horizonte temporal de muitos projetos de restauro na Madeira”, referiu. “As pessoas têm carros, têm motas, têm bicicletas, e, sabendo que podem participar no concurso de restauro, trabalham afincadamente para que nestes dias possam concorrer. E isto tem um valor extraordinário porque é o reconhecimento do mérito, o reconhecimento da preservação do património e é uma motivação para continuar”, disse ainda.
Acrescentou que Roberto Frango já venceu, em variadas ocasiões, o prémio de restauro na categoria das motas, e tem vindo a aumentar a sua coleção com espécimes como estes que aqui estão, em estado impecável. “Só por isto já valia a pena fazer o Revival, porque isto aplica-se aos carros, às motos, às bicicletas e aplica-se a esta vontade que as pessoas têm e ao relacionamento, muito próximo, que mantêm com o património automóvel”, afirmou Eduardo Jesus. “O madeirense gosta de carros e gosta de carros antigos”.
O governante sublinhou a capacidade que o CACM tem tido de trabalhar com outras entidades, não só da Região, como de fora do arquipélago, como é o caso do Museu do Caramulo, que tem permitido que venham até à Madeira, viaturas que de outra forma não viriam. É caso do Mercedes 300SL ou do Lamborghini que esteve cá no ano.
Referiu também os carros de fabrico português, nomeadamente através do convite feito ao colecionador Pedro Filipe, que trazido à Madeira, algumas destas viaturas. “Esse é um capítulo da história automóvel portuguesa que o Revival está homenageando e, acima de tudo, despertando nas pessoas uma perspetiva que não é comum”, referiu.
Eduardo Jesus enalteceu ainda a forma como os outros clubes aderem ao MCCR. “Há uma alegria entre todos os clubes para ter a melhor presença. Aliás, foi o Dr. Miguel Gouveia que inventou, a determinada altura, o prémio da melhor presença de clube, agrupamento ou associação monomarca no Revival, e isso é uma forma de entusiasmar e de reconhecer essa mesma entrega. Isso tem um valor extraordinário, porque nós não podemos trabalhar de costas voltadas ou de forma isolada”, sublinhou.
Acima de tudo, referiu que o MCCR é já um cartaz internacional, que tem presença em inúmeras revistas da especialidade “e isso naturalmente nos coloca bem posicionados nesta leitura da conservação do património automóvel, da relação e da fruição deste mesmo património”.
“Estou convicto que será um fim-de-semana cheio de bons momentos, para boas recordações, para reconhecimento de todos os participantes, até dos que vão ao concurso ‘Vestidos à época’, e que a Madeira fica a ganhar com isto”, finalizou.