O Secretário Regional de Turismo, Ambiente e Cultura, Eduardo Jesus, assinalou esta terça-feira, dia 20 de maio, os 35 anos da criação da Reserva Natural das Ilhas Desertas, numa visita simbólica à Deserta Grande. Acompanhado pelo Conselho Diretivo e por técnicos do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN) e, ainda, pelos Vigilantes da Natureza em funções na reserva, o governante destacou o papel crucial deste espaço na preservação da biodiversidade e reafirmou o compromisso da Região Autónoma da Madeira com a conservação ambiental.
“A criação da reserva, em 1990, foi motivada pelo lobo-marinho (Monachus monachus), uma espécie que, na altura, contava apenas com 6 a 8 indivíduos. Hoje, são cerca de 30, o que prova que o esforço de conservação tem dado frutos”, sublinhou Eduardo Jesus, durante a sua intervenção no local.
Para o secretário regional, esta data é mais do que uma efeméride: “É um dia de celebração, mas também de afirmação de uma política que tem sido seguida há décadas pela Região. Temos nas Ilhas Desertas um exemplo notável de gestão ambiental, mas também de dedicação e entrega dos nossos Vigilantes da Natureza, que aqui vivem em regimes rotativos de 15 dias, afastados das suas famílias, mas sempre com uma enorme responsabilidade.”
Eduardo Jesus, durante a visita, deixou uma palavra de profundo agradecimento e reconhecimento aos Vigilantes da Natureza: “Estas pessoas desempenham uma missão extraordinária, muitas vezes longe dos olhares do público, mas absolutamente essencial para a proteção e monitorização desta área protegida. Trabalham em condições exigentes, com um elevado espírito de missão, e merecem o nosso mais profundo respeito, admiração e gratidão.”
Além da emblemática presença do lobo-marinho, a reserva alberga outras espécies endémicas e protegidas, como a Freira do Bugio e a Alma-negra. “Estes animais, juntamente com espécies raras de flora, algumas descobertas por vigilantes em trabalho de campo, tornam este território um centro de investigação de excelência, com reconhecimento internacional”, apontou o governante, acrescentando que o IFCN tem estado ativo na captação de parcerias e projetos científicos que garantem o financiamento e o desenvolvimento sustentável da reserva.
Uma reserva pode ser fruída com responsabilidade
O ecossistema das Desertas é, segundo Eduardo Jesus, um exemplo de como é possível compatibilizar conservação com acesso controlado. Cerca de 4 a 5 mil pessoas visitam, anualmente, o local, através de operadores marítimo-turísticos credenciados e com marcação obrigatória na plataforma Simplifica. “A visita é limitada a uma área específica da ilha, e feita com regras rigorosas. Aqui não se navega livremente nem se percorre todo o território. Mas prova-se que uma reserva natural não precisa de ser um espaço fechado – pode ser fruída com responsabilidade”, afirmou.
A visita serviu também para sublinhar a importância das infraestruturas sustentáveis instaladas nas Desertas. Toda a energia consumida provém de fontes renováveis, nomeadamente painéis solares com armazenamento em baterias, permitindo autonomia energética às equipas no terreno. O abastecimento de mantimentos e água é feito quinzenalmente, garantindo condições dignas aos vigilantes.
Eduardo Jesus reforçou ainda o papel do IFCN como “garantia da nossa qualidade de vida no presente e no futuro” e destacou o trabalho de vigilância que impede a entrada não autorizada na reserva. “O conhecimento das regras é generalizado entre os operadores marítimos, e há uma consciência crescente da importância de respeitar este património natural.”
A Reserva Natural das Ilhas Desertas, que inclui a Deserta Grande, a Deserta Pequena e o Bugio, é considerada uma das joias da conservação ambiental da Região Autónoma da Madeira. A sua criação foi um marco na política ambiental regional e mantém-se, 35 anos depois, como símbolo do equilíbrio entre o Homem e a Natureza.