A produção de cereja deverá, este ano, atingir as 13 toneladas, valor semelhante a 2022, último ano de referência, uma vez que nos últimos dois anos as condições climáticas afetaram a cultura, reduzindo a produção a valores residuais.
“Se o tempo ajudar, é essa a nossa expetativa, uma vez que a cereja está ainda numa fase de maturação”, revelou o Secretário Regional de Agricultura e Pescas, Nuno Maciel, durante a visita a uma exploração de cerejas no Jardim da Serra.
Da parte do governo regional, o governante assegura estar a desenvolver todos os esforços para revitalizar e fortalecer a produção de cereja na Região. Um produto emblemático de algumas localidades, particularmente na freguesia do Jardim da Serra, concelho de Câmara de Lobos, que tem visto a sua produção decrescer devido a pragas e, sobretudo, às alterações das condições climáticas que se vem registando.
Nesse sentido, a secretaria regional, através da direção regional de Agricultura, tem reforçado o apoio técnico aos agricultores que se dedicam a esta produção, no sentido de mitigar os atuais constrangimentos. Ao mesmo tempo, foi iniciado um trabalho exaustivo de experimentação, através de porta-enxertos em terrenos onde estas fruteiras não estiveram presentes nos últimos 20 anos.
Esta linha de trabalho será complementada, em breve, com o arranque de alguns pomares doentes (não produtivos), ficando em pousio durante um mínimo de 2 anos, onde se instalarão culturas temporárias com capacidade de melhoramento do solo.
O objetivo passa por observar e estudar a resistência de novas variedades, para que seja possível perpetuar esta cultura e, consequentemente, dar mais rendimento ao Agricultor.
Esta mesma estratégia foi transmitida por Nuno Maciel aos agricultores, na visita que efetuou ao Jardim da Serra.
“Esta é uma das culturas que tem sido afetada essencialmente pelas Alterações Climáticas. Temos tentado mitigar esta situação graças ao apoio técnico que tem sido incansável. Vamos agora caminhar para a experimentação de novas espécies e estudar os resultados para, no futuro, vermos qual o melhor caminho a trilhar” referiu o secretário regional.
Nesse sentido, os serviços da direção regional de Agricultura cederam duas novas variedades de cerejeiras autoférteis e menos exigentes em frio, a cerca de 20 produtores, com o intuito dos mesmos as instalarem perto das suas casas, com disponibilidade de água para rega.
“De futuro, pretende-se adquirir outras variedades de cerejeiras, igualmente autoférteis e com menor exigência em horas de frio, as quais, após confirmar os seus parâmetros botânicos e produtivos nas condições edafoclimáticas regionais, serão enxertadas nos novos pomares, para que esta cultura emblemática do Jardim da Serra retorne ao seu antigo esplendor”, adiantou Nuno Maciel.
Na Região, cultura da cerejeira envolve aproximadamente 130 agricultores, ocupando uma área estimada de cerca 10 hectares.
Mais de 95% das explorações de cerejeiras (e a mesma proporção para a área) localizam-se no concelho de Câmara de Lobos, no Curral das Freiras, e, muito principalmente, no Jardim da Serra.